A cova dela

De wikITA

Ritual "iniciático" dos "bixos", ao serem conduzidos pelo "Profeta" à "cova dela". Foto tirada em 1969 por algum chacal da Turma de 1972.

"A cova dela" é a canção que todo iteano gravou em sua alma, quando era "bixo", durante o trote, tornando-se, portanto, parte de sua alma mater.

É cantada durante todo o ritual "iniciático" em que os "bixos" são conduzidos até o túmulo do Profeta Acyr pelo "Profeta".

Provavelmente originária do cancioneiro sertanejo ou nordestino, pode ter sido trazida por um ou mais alunos, professores ou funcionários fundadores do ITA para a cultura iteana, pois há evidências reais de sua origem no interior de estados como o Piauí e Minas Gerais, por exemplo, com a seguinte letra[1]:

“Esta noite, à meia-noite, eram dez horas, eu encontrei, encontrei duas figuras. Uma era o retrato da Maria, a outra era da Maria a formosura. Eu pisei, eu pisei na cova dela e uma voz lá de baixo respondeu: arretira, arretira o pé de riba e não maltrata um amor que já foi seu."

Mas, segundo Murad Abu Murad (AERON, Turma de 1955), citado em "Curiosidades", essa canção foi introduzida no ITA pelo Acyr Costa Schiavo (AEROV, Turma de 1953), que foi posteriormente declarado "Profeta" por Manoel Carlos Godinho Coelho de Souza (AERON, Turma de 1957), quando este criou o ritual da visita ao "túmulo do Profeta Acyr", conforme depoimento de Waldyr Minchillo (AERON, Turma de 1956), publicado em artigo à pág 10 d'O Suplemento no. 76, de Julho/Agosto/2007, intitulado "Romaria às Relíquias de Acyr", reproduzido em "Cova Dela".

Nesse ritual, a vestimenta usada pelos bixos e pelo "Profeta" é composta pelos lençóis brancos das camas do H8, com a fronha servindo de capuz. Cada aluno leva uma vela e, para a cera da vela não escorrer e pingar na mão, é utilizada uma proteção ao seu redor que, nas décadas de 1960 e 70, era feita de cartões perfurados descartados, usados na programação do computador IBM 1130, do LPD do ITA.

A composição musical desta canção é a mesma da música popular "Se essa rua fosse minha" [2], ou "Nesta rua, nesta rua tem um bosque", e a letra, repetida ad nauseam, é a seguinte[3], [4], [5], [6]:

Eu tornei a pisar na cova dela,
E uma voz lá de dentro arrespondeu (arrespondeu):
- Arretira, arretira o pé de riba!
- Não maltrata este amor que já foi teu! (que já foi teu!)

Essa letra expressaria, em uma possível interpretação, uma relação de amor e ódio entre aquele que retorna ao túmulo de sua amada falecida, pisando (quem sabe, por algum ressentimento, ou apenas por lhe ter deixado só) sobre a cova em que ela está enterrada, mas ouvindo (em sua consciência ou espiritualmente), como resposta a esta sua atitude, que retire o pé de cima dela (da cova dela), pois esse pisar a estaria maltratando (a ela, que já foi amor dele).

Referências

  1. Levo a vida cantando. Por: Clarimundo Campos (Engenheiro Agrônomo aposentado), 30 de setembro de 2012. (acessado em 20/04/2016)
  2. Se Essa Rua Fosse Minha - Cantigas Populares - Portal Letras.mus.br
  3. Cova Dela e outras recordações musicais do ITA - Portal da AEITA/RJ
  4. "A Cova Dela" em ritmo de Bossa Nova. Por Decio Josué Antonio Fischetti (AEROV-60), acompanhado por Luiz Antônio Grassano Murta (ELE-65), na gaita, e a banda "Engenheiros da Bossa", formada pelo Hitoshi Nagano (ELE-89), no baixo, José Henrique Arantes Soares (ELE-89), no sax/flauta, e mais dois engenheiros, José Walter (Poli), no violão, e Fábio Pin (Mackenzie), na bateria. Encontro regional da AEITA-SP, em 14/Set/2010. Portal YouTube. (acessado em 16/01/2016)
  5. "A cova dela" cantada por ocasião dos 35 anos de formatura da Turma de 1980.
  6. A Cova Dela gravado em estúdio por Fernando Paulo de Almeida Marques (ELE-66)

Links externos



Ver também:

Cova Dela

Trote, com listagem de vários trotes que eram e são usados.



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