Adeus, Luzamba

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Em longo silêncio aguardaram a altura segura e o momento da certeza de estar fora do alcance dos improváveis "roquetes" da UNITA.
Em longo silêncio aguardaram a altura segura e o momento da certeza de estar fora do alcance dos improváveis "roquetes" da UNITA.
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Edição atual tal como 12h39min de 10 de outubro de 2019

ISBN 978-85-806-8146-8

Impulsionado pelos quatro potentes motores Allison o Hércules da Força Aérea Brasileira percorreu a pequena pista do aeródromo de Luzamba, e decolou com destino à Namíbia, onde iria pousar após três horas e meia de voo.

Era final de tarde do terceiro dia da invasão dos guerrilheiros da UNITA à Vila de Luzamba.

Acomodados a bordo estavam 68 colaboradores expatriados.

Partiriam sem suas bagagens. Essas permaneceriam amontoadas sobre as caçambas de "camiões" parqueados ao lado da pista de pouso; uma derradeira e brilhante decisão que antecedeu a partida. Funcionariam como um salvo conduto adicional, pois a montanha de bagagens disponíveis para imediata pilhagem, representava um grande atrativo para a guarda armada e para os populares. Atrativo bem maior que a saída apressada dos estrangeiros...

Eram os últimos a abandonar Luzamba. Agachados no piso, alguns nos assentos laterais, utilizando o companheiro ao lado como ponto de apoio deixavam atrás, com a poeira levantada, a tensão e o medo das últimas 72 horas. Agora o desconforto e as noites insones pouco importavam.

O Hércules decolou, ganhou altura e, deixando abaixo o povoado do Cuango, tomou o rumo sul para a Namíbia.

Em longo silêncio aguardaram a altura segura e o momento da certeza de estar fora do alcance dos improváveis "roquetes" da UNITA.


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