Alberto Santos Dumont

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A Lei 3636, de 22 de setembro de 1959, concedeu a Santos-Dumont o posto honorífico de Marechal-do-Ar. (DOU de 23 de setembro de 1959 e Bol. MAer 09/59 - pagina 857).

Em 19 de outubro de 1971, setenta anos após a conquista do Prêmio Deutsch de La Meurthe, pela Lei n° 5.716, o Marechal-do-Ar Alberto Santos-Dumont foi proclamado “Patrono da Força Aérea Brasileira”.


Nasceu em 20 de Julho de 1873 na Fazenda Cabangu, no município de Palmyra, estado de Minas Gerais, hoje transformada em museu. Palmyra passou a se chamar Santos Dumont.

Casa onde nasceu Alberto Santos Dumont.

Desde cedo revelou grande vocação para a mecânica, resolvendo nesta especialidade os mais intricados problemas domésticos. Foi tocado pelo desejo de voar ao ler, entre 1887 e 1891, as aventuras de Júlio Verne, que abordava com visão futurística a locomoção aérea.

Fez estudos no Rio de Janeiro, Ouro Preto e Campinas, no Colégio Culto à Ciencia. Em 1891 viajou para a França onde seu pai se formara engenheiro pela Escola Central de Paris (École Centrale de Arts e Manufactures). Lá, conheceu na exposição de máquinas no Palácio da Indústria, o motor a petróleo, compacto e leve, sobre o qual escreveu na época: "Parei diante dele como que pregado pelo destino. Com ele tinha sentido a possibilidade de tornar reais as fantasias de Júlio Verne" e posteriormente reconheceu: "Ao motor de petróleo devi mais tarde, todo inteiro, o meu êxito. Tive a felicidade de ser o primeiro e empregá-lo nos ares."

Ali nasceu seu sonho de estudar em Paris. Foi emancipado e após isso, seu pai dividiu a herança em vida entre todos os filhos. Deu-lhe varios conselhos que foram muito importantes durante toda sua vida, inclusive disse-lhe: "Não esqueça que o futuro do mundo está na mecânica. Você não precisa ganhar a vida. Eu lhe deixarei o necessário para viver."

Em Paris contratou um professor que lhe ensinou Química, Física, Astronomia e Mecânica Aplicada. Comprou um automóvel e depois um triciclo. Passava o tempo entre idas e vindas ao Brasil. Em 1897 empreendeu sua 4ª viagem a Paris quando fez sua primeira ascensão em balão (em Vangirard, Paris) alugado por 250 francos. Sobre as impressões do vôo escreveu:

"Era inverno. Durante a viagem acompanhei as manobras do piloto. Compreendia a razão de tudo o que ele fazia. Pereceu-me até que eu nasci para a Aeronáutica. Tudo se me apresentava muito simples e muito fácil. Não senti vertigem nem medo."

E aí começou a escalada de seu sonho, longo, glorioso, até culminar com o Demoiselle nº 20, cujo modelo difundiu-se mundialmente e no qual todo o mundo começou a voar.

Alugou outros balões e com eles realizou sozinho mais de 30 vôos em cidades da França e da Bélgica, até construir o balão Brasil, um balão muito pequeno em comparaçao aos que existiam na época, com o qual se familiarizou mais com manobras aéreas. Construiu o dirigível nº 1, longo, com forma de charuto, com propulsão a motor. Com a altitude, o gás esfriou e o balão dobrou-se e perdeu os controles e Santos-Dumont salvou-se por milagre. Construiu o dirigível nº 2 e mais uma vez o charuto dobrou-se no ar e outro acidente aconteceu. Construiu o nº 3, de maior diâmetro e menor comprimento, mas em vôo perdeu o leme e colecionou mais uma queda. Construiu o nº 4 com o qual realizou ascensões dirigidas. Aumentou o nº 5, com um remendo e alguns aperfeiçoamentos com o qual teve dois acidentes.

Em 1900 finaliza a construção do novo hangar em Saint-Cloud, Paris. O primeiro do mundo. Onde passa a construir os dirigíveis não mais na interpérie.

Construiu o nº 6 e em 19 de Outubro de 1901 contornou com ele a Torre Eiffel e conquistou o prêmio Deutsch de La Meurthe, grande dia para a história da locomoção aérea. Construiu o nº 7, mais veloz, que foi inutilizado por vândalos em New York.

Diferente do que muitos dizem, Santos Dumont criou o dirigivel nº 8, uma copia do nº 6. Foi uma encomenda do Sr.Edward Boice, na epoca vice-presidente do aeroclube americano, porém em um dos primeiros voos foi destruido num acidente não fatal. Talvez por surprestição não o testou, pelo menos nao se tem notícia ou fotos comprovando isso. Uma das poucas fotos do dirigivel, em 1902, tem junto aos controles o Sr. Boice em Coney Island, NY, nos Estados Unidos. Em 1903 foi construiu o nº 9 que era pequeno, com o qual descia defronte sua casa e em varios outros locais da cidade de Paris, onde criava sempre um burburinho.

O nº 10, foi o dirigível ônibus. Aperfeiçoou o nº 10 e o nº 11 foi um projeto de um monoplano que não chegou a ser construído. Projetou o helicóptero, seu projeto 12, que não conseguiu voar. Construiu o balão 13 com possibilidade de receber injeções de ar quente. Construiu o nº 14 com excelentes resultados, após aperfeiçoamentos.

Idealizou e construiu, em 6 meses, o 14-Bis e com ele realizou seu grande feito de haver sido o primeiro aviador mundial a voar com uma máquina mais pesada que o ar, na tarde de 23 de Outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, em Paris, frente a um público numeroso, quando arrebatou, com um vôo de 60 metros, a Taça Archedeacon, destinada a quem voasse mais de 25 metros. Em 12 de novembro de 1906 voou 220 metros em Bagatelle e ganhou o Prêmio Aeroclube da França, primeiro vôo homologado da história da aviação:

“ Ici, le 12 novembre 1906, sous le controle de L'Aero-Clube de France, Santos-Dumont a etabli les premiers recordes d'aviation du monde: durée 21 s 1/5; distance 220 m ”.

(“Aqui, em 12 de novembro de 1906, sob o controle do Aeroclube da França, Santos-Dumont estabeleceu os primeiros recordes de aviação do mundo: duração 21 s 1/5; distância 220 m”)

No sonho concretizado de inventar o avião, fato que o consagrou como o Pai da Aviação, percorreu um itinerário cheio de dificuldades vencidas com coragem, galhardia, determinação e riscos de vida. Seu ultimo voo como piloto aconteceu o 4 de janeiro de 1910 e não em 1909 como descrito em diversas biografias, nessa data ele teve um serio acidente com o Demoiselle. Em 1915, a convite dos norte-americanos viaja para Washington, para participar de um congresso científico, representando os Estados Unidos.

Em 1918, após uma aposta com os amigos que não acreditavam que poderia ser feito uma casa no terreno ingrime comprado por Santos Dumont, ele projeta e constrói a casa onde morou por poucos anos, a Encantada. Depois da casa pronta, dividia seu tempo entre viagens entre Brasil, França e longas temporadas em sanatórios na Suíça, Orthez e Biarritz.

É desta época o livro O que eu vi, o que nós veremos que pode ser visto em cópia digital enviada por Nivaldo Laguna Ciocchi (ELE-63) clicando no link do nome do livro aí atrás.

Um ano antes de sua morte, em 1931, foi indicado a uma cadeira, a de nº 38, na Academia Brasileira de Letras. Mas não se sentindo digno dessa honraria, negou receber a homenagem. Foi resgatado pelo sobrinho no sanatório de Biarritz, após a família ser alertada, por um amigo da família, da grande depressão que se encontrava. Sua mãe morreu muitos anos antes após enforcar-se, depois de uma grande depressão e temendo que ele também pudesse atentar contra sua própria vida o sobrinho vira sua sombra. Porém a Revoluçao de 1932 foi a gota d'água para que Santos Dumont, consumido por culpa de ter inventado uma coisa que em vez de unir povos, estava sendo usada pra matar pessoas, inclusive seus conterrâneos. Após um descuido de seu sobrinho, tem sucesso numa tentativa de suicídio. E chegava ao fim a vida de um grande inventor, que contribuiu enormemente para a evolução do ser humano moderno, quando criou seu maior invento, o avião.

Por culpa da Revolução de 1932 seu corpo ficou "guardado" na cripta da Catedral da Sé por 6 meses. Quando a revolução acabou seu corpo foi levado para o Rio de Janeiro. Hoje seu corpo está enterrado no Cemiterio Săo Joao Batista, o túmulo é uma réplica do Ícaro de Saint-Cloud.

Casa projetada e construída por Alberto Santos Dumont em Petrópolis.

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