Antônio Félix Martins Neto

De wikITA

Foi vice-presidente da SBA - Sociedade Brasileira de Automática de 1979 a 1981.


Querido Félix

Ontem, por volta de meio dia, fui surpreendido por um telefonema de meu irmão, também da Artilharia - turma de 1961. Ele soube que alguém da minha turma tinha falecido. Seu nome: Antônio Martins Neto - O Félix. Antônio Félix Martins Neto, 578.

Meu irmão me deu um telefone de São José dos Campos, para que eu confirmasse. Liguei umas 5 ou 6 vezes e só consegui falar com ele hoje no início da tarde.

O interlocutor, num portunhol meio difícil de entender, confirmou que o Félix já tinha sido enterrado hoje, em São José dos Campos, SP. Ele acha que deverá haver uma missa de sétimo dia, a ser confirmada, também em São José dos Campos...

Vários colegas nossos já se foram. Mas nunca uma morte no CM chegou tão perto de mim quanto agora com o Félix, Foélix, como os gêmeos diziam...

O Félix era tijucano como eu. Mas eu não cheguei a conhecer a sua casa na Tijuca (ou Andaraí) nem ele a minha na Conde de Bonfim, 539. A nossa convivência além do CM era durante as férias em Niterói.

Meu pai tinha uma casa de praia no Saco de São Francisco, Niterói. Com o tempo tiraram o Saco do São Francisco e o bairro virou só São Francisco. A casa de praia do Félix era em Charitas e todo início de tarde, de forma religiosa, vinha o Félix com sua bicicleta Monark preta.

Perto da minha casa, na rua General Rondon, muitos colegas meus, mais ou menos da minha idade, se reuniam. Como numa antiga canção francesa "où les enfants de mon âge partageait mon bonheur" e como na canção do mestre Ataulfo "eu era feliz e não sabia". E nós jogávamos cartas (bridge, dominó de cartas, poker e até mesmo buraco), jogávamos vôlei e jogávamos futebol, no campinho metade de areia, metade de capim metido a grama.

Já relembrei a vocês sobre o nosso baixo futebol, o meu e o do Félix. E ficávamos os dois no meio de tantos, esperando que fôssemos escolhidos. Todos seriam escolhidos, mais cedo ou mais tarde. Só não sabíamos a hora da escolha. No fundo queríamos ser escolhidos logo, como prova da boa qualidade do nosso futebol. Nunca fomos ...

Agora somos escolhidos para outro jogo. E Félix acaba de ser escolhido, muito mais cedo do que gostaria. Muito mais cedo do que nós gostaríamos...

E naqueles dias felizes da década de 1960, antes que a noite caísse, ia o Félix de volta pedalando para a casa de seu pai. E ele, pedalando a sua Monark preta saía de nossas vistas. Nós sabíamos que ele estava por ali, apenas não mais o víamos...

Não sei, não me lembro de quando o vi pela última vez. Acho que por volta de 1967 a 1969. Soube que ele estava no ITA e em algumas vezes em que passei por São José dos Campos tentei sem êxito encontrá-lo.

A última vez em que nos falamos foi em dezembro de 2003, quando ele ligou para a minha casa em São Carlos, pouco antes de eu vir para a Paraíba. E ficou no meu caderno de telefone um número com o código (012) de São José dos Campos para o qual pensei em ligar várias vezes e nunca liguei, e não poderei mais ligar...

Nas duas ou três vezes em que participei de reuniões da nossa turma do CM eu não encontrei o Félix. Acho que as confusões em que ele andou se metendo com o Paulo Henrique e outros o teriam desanimado de participar. Hoje sabemos de alguma forma que ele continua perto de nós. E hoje eu peço ao nosso amigo Paulo Henrique que esqueça por completo o que possa ter havido de discórdia entre os dois para que de novo a bicicleta Monark preta do Félix fique mais leve. E que ele possa pedalar nela de volta à Casa do Pai...

Boa viagem, Félix...

Qualquer dia a gente volta a se encontrar...

Soledade

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