Aulas do Prof Weis

De wikITA

Contribuição de Toni Espeschit (INFRA-90) em e-mail de 19/out/2004 para a ita-net:

Prezados, o mestre Weis é um dos ídolos da nossa turma.

Vários alunos gravavam as aulas e um deles (o Tewfiq) teve a paciência de transcrever estas gravações "ipsis verbis" para um caderno o qual se transformou num super bizu.

Acredito que este caderno tenha depois evoluido para alguma apostila que as turmas posteriores agora conhecem como "os livros do Weis". Se alguem tiver alguma cópia destas apostilas, por favor entre em contato pois eu gostaria muito de fazer uma cópia.

Quando quero contar algo pitoresco sobre o ITA sempre me vem em mente o prof Weis naquele auditório de química, saindo de uma porta no quadro tal como o Batman saindo da Bat Caverna.

Lembro-me de uma fantástica experiência de colocar o magnésio na água com toda pirotecnia que um evento desses provoca. Pena que isso nao tenha sido filmado!!!

Tenho gravada uma aula memorável na qual o mestre toca um violino para mostrar os nodos de vibração de uma folha de papel coberta com finos grãos de areia. (NR: esta gravação está disponível logo abaixo)

Até na forma de corrigir as provas o mestre era original. Nós os terráqueos corrigimos provas uma por uma, mas o prof Weis as corrigia questão por questão. Primeiro êle lia todas as respostas, depois repassava as provas novamente, atribuindo notas de 0 a 10 para cada questão. Depois, êle calculava média e desvio-padrão. Finalmente, êle comentava as questões na aula, chamando a atenção nos pontos que a maioria da turma tinha errado ou, pior ainda, em que a turma havia apenas se limitado a responder o óbvio.

Certa vez reclamamos que a prova era enorme, com muitas questões descritivas etc...

- "Vocês precisam tirar da cabeça esta idéia de que vocês são geninhos, que basta lhes dar tempo e recursos que vocês conseguem resolver qualquer problema. Na vida real não há tempo."

Certa vez o mestre disse que éramos péssimos desenhistas:

- "Vocês desenham como os egípcios! Êles não tinham noção de tridimensionalidade, então eles desenhavam as pessoas de perfil, com os pés assim, as mãos assim" e a cada frase o mestre ia se desdobrando até ficar igual a um hieroglifo vivo, para delírio da platéia que , bichos ainda, quase nao conseguíamos mais conter o riso.




Contribuição de Hermes Nilton Macau (ELE-69) em resposta de 19/out/2004 para a ita-net:

Contam que nos idos tempos de 1965/1966, alguém de uma turma anterior (não sei qual) teria feito explodir uma daquelas retortas de refino de petróleo (os bichos mais novos fizeram isso? ), e as labaredas e fumaça tomaram conta do lab.

O professor auxiliar (alguém se lembra do Armi? ), saiu correndo esbaforido e deu de cara com o prof Weis, que no seu sotaque característico teria dito:

Armiiiiiiiiiiiiiiiiiii ... Puseram fogo no meu laboratório !!!




Contribuição de Marcos Mattoso de Salles (ELE-86) em e-mail de 22/mai/2011 para a ita-net:

Lembrei de outra sobre refino de petróleo, talvez uma das pouquíssimas "gracinhas" que o prof Weis fêz durante um ano inteiro, e que justamente por isso ficavam memoráveis.

Não posso repetir as palavras exatas mas ele narrava o processo pelo qual as frações de diferentes pesos moleculares atingiam os diferentes níveis de altura da coluna de refinação, e ao dizer que ao atingir um dado nível a fração gasosa borbulhava através da porção líquida lá presente, reforçou a afirmação fechando a frase com um onomatopaico blubi, blubi, blubi.

Desnecessário dizer que a turma veio abaixo.




Contribuição de Jamil Calixto Said (AER-98) em resposta de 19/out/2004 para a ita-net:

Além de todos os "causos" já jogados na lista, me lembro dos seguintes:

  1. com relação à idéia de que todo bixo se acha gênio, me lembro de uma vez que o prof Weis esculhandou meia dúzia de premiados de olimpíadas de matemática (um premiado no mundial) porque ninguém nunca tinha tido a curiosidade de desmontar um rádio para ver como era um transistor.
  2. durante o FUND aconteceu um eclipse total do Sol, desses que só ocorrem a cada 70 anos. Todos os professores pararam as aulas para apreciar o acontecimento, menos o prof Weis que continuou a sua aula a despeito da maior parte dos alunos ter saído da sala. Depois surgiu o boato de que ele já havia visto uns 5 ou 6 eclipses parecidos e por isso não tinha interesse em ver de novo...




Contribuição de Vagner Figueira de Faria (MEC-00) em e-mail de 27/nov/2011 para a ita-net:

Lembro de uma aula do prof Weis em que ele fez uma analogia brilhante para explicar a dualidade onda-partícula do eléctron de "de Broglie". Era mais ou menos assim:

"Imagine que eu tenha um amigo cego que nunca tenha conhecido (ouvido ou tateado) um piano. Convido-o certo dia para um concerto.

Ele ouve e comenta:

- Interessante! Que instrumento é esse?

- Chama-se piano.

Calado, ouve com atenção e diz:

- Mas como é esse instrumento?

- É um instrumento de cordas, assim como o violão que você tem em casa.

- Mas percebo que as cordas não soam exatamente como as de um violão.

- Isso ocorre porque as cordas não são "puxadas", mas há pequenos "martelos" que batem sobre elas.

- Ainda percebo que podem ser tocadas várias notas simultâneamente ou numa sequência. Como é possível, considerando os "martelinhos"?

- Bom, sei que você tem uma máquina de escrever com teclado Braille em casa; pois o piano também tem um teclado. Assim como na máquina de escrever cada tecla aciona um pequeno "martelo" que bate no rolo com o papel, também cada tecla do piano aciona um pequeno "martelo" que bate numa determinada corda. Entendeu?

- Ah! Entendi!

Na verdade o "meu amigo" teve apenas uma idéia do que é piano através de analogias com violão e máquina de escrever. Para enteder uma parte do piano, ora se usa o modelo/conceito de "violão", ora o modelo/conceito de "máquina de escrever". Mas, violão é violão, máquina de escrever é máquina de escrever e piano, é piano.

De maneira análoga, onda é onda, partícula é partícula e eléctron, é eléctron!!!"

Grande Mestre Weis!!!




Gravação de Gérson Ishikawa (ELE-90) a que o Toni se referiu acima:


Clique com o botão direito do mouse e use a opção "Salvar como" para guardar o arquivo MP3 no seu computador.


  • Planos nodais.mp3: Trecho de aula em 12/SET/1986 em que o prof Weis usa címbalo e violino para explicar planos nodais de vibração.




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