Carlos Gonçalves

De wikITA

  • Nasceu em São Paulo e prestou vestibular no ITA em São Paulo. Falecido em 30/08/1994.
  • Após sua formatura, mudou-se para São Paulo e trabalhou 2 anos na VASP.

Em 1962, aos 27 anos, juntou-se a mais dois engenheiros aeronáuticos e juntos, com muito idealismo, vontade, poucos recursos financeiros, fundou a AEROTEC, ação extremamente audaciosa para um país de terceiro mundo e onde apenas um número pequeno de países, tiveram condições de desenvolver a sua própria indústria aeronáutica. Inicialmente a empresa começou fazendo pequenos projetos e suporte técnico para manutenção de aviões.

O grande objetivo e ideal sempre foi desenvolver um avião de projeto e fabricação inteiramente brasileira, com baixo custo operacional, fácil operação e treinamento de novos pilotos, naquela época a FAB procurava um novo treinador para os seus cadetes.

Em 1965, juntamente com José Carlos de Sousa Reis, iniciou o projeto do Uirapuru (T23/ A122), cujo primeiro vôo ocorreu em 1965 em São José dos Campos. O avião despertou os interesses da FAB, que fez um pedido inicial de 30 aeronaves; neste momento iniciou-se a construção de novas instalações, e também a produção seriada do Uirapuru (foram fabricados mais de 150 aviões).

No início da década de 70, o Uirapuru despertou o interesse de outros países, sendo que em 1974 foram exportados os primeiros aviões para a Bolívia (18) e em seguida para o Paraguai (10). Com isso a AEROTEC foi a primeira empresa brasileira a exportar aviões. Estes aviões ainda estão em operação nestas forças aéreas.

Até os dias de hoje o Uirapuru é utilizado para treinamento em aeroclubes do Brasil. Além da fabricação seriada do Uirapuru, a AEROTEC fabricou vários pares de semi-asas do Ipanema e fuselagens de aviões Piper, fornecendo estes itens para a Embraer.

Na década de 70 a AEROTEC chegou a ter aproximadamente 400 funcionários, sendo que vários deles atuaram ou atuam na Embraer, ou seja, a empresa também foi uma escola para os jovens da época!

Após o projeto do Uirapuru, Gonçalves desenvolveu o projeto de um novo avião, o Tangará (T17/ A132), mais moderno, acrobático e com performance superior ao Uirapuru, sendo o primeiro vôo realizado em 1981.

Em 1984, a FAB assinou contrato para a compra de 10 aviões, mas o mesmo foi cancelado alguns meses depois.

No início da década de 90, desenvolveu o seu terceiro projeto o Tangará II (A132B - biplace em tandem). Hoje este avião recebe o nome de Guará e está sendo negociado, pela Plasmatec, com a Força Aérea Venezuelana.

Veja fotos do T-23/A-122 UIRAPURU

Depoimentos ds colegas

Nivaldo (T63) em 18/10/18:

Grande Gonçalves, ou "Geringonça" (engenheiro Gonçalves), como dizia o Abreu! Vida heroica, repleta de aventuras. Assim que se formou, começou a projetar, junto com o Reis, num barracão em Santana, um avião destinado ao mercado civil, o Uirapuru. O avião ficou pronto, mas tiveram dificuldade na industrialização, o dinheiro acabou e, já com a corda no pescoço, correram a pedir ajuda ao CTA. Foram atendidos pelo Ozires, que prometeu se empenhar. Mas estava demorando e o desespero fez o Reis botar terno e gravata e ir procurar o Ministro da Aeronáutica. Conseguiu ser recebido e contou que tinha um avião pronto que serviria bem para treinamento na Força Aérea. O Ministro ouviu e disse: "Filho, dê uma volta pela cidade (era de manhã) e retorne às 3 horas. Quando voltou, encontrou o Ozires e todo staff do CTA, já instalados na mesa de reunião ministerial. E assim nasceu a Aerotec!

Lembro também que, ainda alunos, estávamos num baile do H13, em pé, observando o movimento. Apontando para uma mesa, ele disse: "Está vendo aquelas duas garotas? (Eram irmãs.) Vamos lá tirá-las para dançar. Mas a da esquerda é minha, hein? E fomos. Foi muito agradável, mas eu, bola murcha, parei por aí. O Gonçalves, mais objetivo, casou-se com a moça...

Honras ao Geringonça!


Amadeu (T63) em 18/10/18:

A moça que o Nivaldo mencionou, que se casou com o Gonçalves, é a Vilma, cuja família saiu de Itapetininga e foi morar em São José dos Campos logo no inicio do nosso curso, em 1959.

O Gonçalves foi auxiliar do professor que cuidou do nosso vestibular, numa sala da antiga Escola Politécnica. No dia em que encerramos os exames, eu e alguns colegas fomos assistir “Tem Bububu no Bobobó” , para aliviar as tensões. Quem estava lá e bateu um longo papo com a gente?: o Gonçalves.


Livro sobre o Gonçalves

Em 2018 está sendo lançado um livro sobre o colega Gonçalves.

Links externos

Resumo do TG


Turma de 1960
Para contato com a família consulte o administrador da página da Turma T60.

Ferramentas pessoais