Conjunto de Câmara do ITA

De wikITA

Em 1959, quando entraram no ITA Setzer (flauta transversal) e Nivaldo (violino), formou-se o Conjunto de Câmara do ITA (CCITA). Ele ensaiava uma vez por semana na casa do saudoso Prof. Wallauschek, que tocava principalmente viola no conjunto, mas às vezes também violino (foi lá que aprendemos a tomar chá com rum!). Do conjunto inicial faziam parte ainda os Profs. Plínio Tissi (piano) e Köhler (violoncelo), e também Yaro Burian Júnior (T62, violino). Esse conjunto atuou durante vários anos, e deu vários concertos, tanto no teatro do ITA como em cidades do Vale do Paraíba. Em um certo ano (1962?), o Prof. Wallauschek parou de tocar, e o conjunto se desfez. Algum tempo depois ainda em 1962, ele veio a falecer em um desastre de carro na Via Dutra, quando ia para o Rio de Janeiro.

O conjunto deu concertos de 1959 a 1961. Em 1963, aproveitando a presença do Prof. Gustave Rabson e de sua esposa Carolyn, foi realizado mais um concerto, cujo programa está abaixo. Nivaldo, que guardou o programa, conta que, depois de 1963, O CCITA continuou existindo, segundo ele: "Pois é, o CCITA continuou. Por algum tempo, no mesmo esquema, convocando os bichos músicos que apareciam. Passaram muitos nomes que mereciam estar na relação da AEITA: Liu Hsu (ELE-68), violino; Pedro Salenbauch (ELE-69), piano; o nosso Ciampi; o Pinho, violino, turma de 70 e o Gabriel Carlos Kemeny (MEC-75), bom celista."

Seria bom os colegas que participaram do CCITA enviarem mais detalhes sobre ele. Obrigado, VWSetzer.

O quarteto do CCITA: Yaro, Nivaldo, Kohler e Wallauschek circa 1960

Depoimento do Nivaldo, em 2/2014

O Conjunto de Câmara do ITA era apelidado, no início, de "Bill Wallau e seus Eletrons", inspirado no "Bill Halley e seus Cometas"; "Wallau" referia-se ao prof. Wallauschek, na casa de quem ensaiávamos.

A wikITA apresenta uma boa referência histórica ao CCITA em Conjunto de Câmara do ITA. O texto do Yaro no programa mostra bem o espírito da coisa.

Da nossa turma (T63), três participaram: eu, o Setzer e, mais tarde, o Ciampi. Eu entrei em 1959, tocando violino. Mais tarde, virei também violista, posição herdada do Yaro, que, por sua vez, já a tinha herdado do prof. Wallauschek. Saí do conjunto 30 anos depois, quando voltei a Ribeirão, já no ocaso do grupo. Tenho a declarar que ele foi parte importante na minha formação e na minha vida.

O conjunto tinhas algumas características interessantes (talvez daí sua longevidade). Cada um conhecia as deficiências dos outros, mas jamais alguém comentou alguma coisa. Pelo contrário, quando chegava algum trecho rápido da música, todos diminuíam o ritmo para acochambrar o colega que tinha dificuldade em tocar rápido. Passada a turbulência, voltava-se ao andamento normal. Afinação também não era nosso forte. Quando um acorde calhava de sair perfeito, segurávamos mais um pouquinho só para curtir aquele momento raro.

Como não tínhamos compromisso com público (após uma fase inicial, os concertos foram excluidos) nem com a perfeição da execução, enfrentávamos os grandes compositores sem nenhum constrangimento. Beethoven, Dvorak, Mendelssohn, Schubert e até Brahms foram respeitosamente maltratados.

Alguns colegas, mais exigentes, acabaram deixando o conjunto. Mas outros vieram. Numa fase mais avançada, já fora do CTA (os únicos iteanos remanescentes erámos eu e o professor Köhler, vinha gente da cidade, de Taubaté e de Moji das Cruzes. No fim dos ensaios na casa do prof. Köhler, vinham os doces e a gentileza da dona Vitória (esposa do prof. Köhler), que coroavam a festa. Voltávamos todos felizes para casa. Era um pedacinho do Céu na Terra. Sinto falta...

Depoimento do Nivaldo, em 9/2017

Lá pelas tantas, começou a participar do CCITA um ótimo violoncelista, o Gabriel Kemeny (T75) e então, com dois violoncelos, um tocando a parte do contrabaixo, pudemos experimentar 'A Truta', que passou a fazer parte do nosso repertório. Acontece que, por motivos vários, a freqüência de comparecimento do Gabriel foi diminuindo e ele só aparecia esporadicamente, de vez em quando. Toda vez que aparecia, o professor Koeler exultava e exclamava: "Que pom, hoje poderremos tocarr 'A Trruta!'". E já ia colocando as partes nas estantes. A situação ficou assim: nós, membros regulares do conjunto, tudo bem, tocávamos 'A Truta' eventualmente, quando o Gabriel aparecia; mas o Gabriel, coitado, quando aparecia, tocava sempre e somente 'A Truta'. Um dia, ele me confidenciou que não estava aguentando mais tocar 'A Truta'. Não voltou mais e a truta morreu...

Programa do concerto de 1963 do CCITA

CCITA - programa do concerto de 1963 - capa
CCITA - programa do concerto de 1963 - pg. 1
CCITA - programa do concerto de 1963 - pg. 2
CCITA - programa do concerto de 1963 - pg. 3


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