Cova Dela

De wikITA

Foto tirada em 1969 por algum chacal da Turma de 1972

Antigamente, este trote era conhecido como "Visita ao Túmulo do Profeta Acyr".

Há um consenso entre os iteanos que este tradicional trote tenha sido idealizado pelo nosso saudoso e querido colega Acyr Costa Schiavo (AEROV-53).

Porém, Waldyr Minchillo (AERON-56) tem uma outra versão, publicada n'O Suplemento no. 76, de Julho/Agosto/2007, em artigo à pág 10, intitulado "Romaria às Relíquias de Acyr":

"Embora Acyr fosse um dos melhores trotistas que conheci, na realidade não foi criação sua esta brincadeira que vem atravessando os tempos e é praticada até hoje e, diga-se, é ansiosamente esperada pelos “bichos”.

Lembro muito bem que quem veio com esta idéia brilhante foi outro inesquecível colega, Manoel Carlos Godinho Coelho de Souza (AERON-57), que por sinal era extremamente criativo em suas brincadeiras.

Certa noite, após o jantar, Kid Furacão (era este o seu apelido) discretamente afixou um aviso para os novos alunos, convocando-os para uma reunião no H-10, em horário avançado, determinando que todos se apresentassem de calção, sem camisa, com um lençol e uma vela.

O aviso foi colocado na parede acima de uma cesta de vime, onde o nosso bom amigo Natalino colocava um sanduíche para ser levado e consumido durante os gagás da madrugada.

Como o recheio era sempre o mesmo (uma espécie de patê de cor verde clara, feito de não sei o quê), rapidamente ganhou o apelido de “sandwich surprise”.

O alvoroço causado por esse trote foi enorme e serviu como uma pausa nos estudos de todos os habitantes do H-10.

A visão da procissão que se dirigia ao Laboratório de Motores, numa noite escura, velas acesas e o som do coro dos participantes ao longe, cantando nosso hino, ficou gravada em minha memória."

Waldyr Minchillo (AERON-56)



O texto a seguir foi enviado para a ita-net por Reinaldo Araújo Andrade por ocasião do Sábado das Origens de 2009 e reproduz as palavras do Profeta Acyr na Visita ao Túmulo de 1974, quando a turma original do Reinaldo (Turma de 1978) foi finalmente batizada:

Bicharal!

Bichos!

Ouçam as palavras do Profeta Acyr, filho das trevas, morador da Cova e evocado das cinzas pelo poder do fogo e pelo poder do hino!

Assim me veio a palavra das Consciências Nobres dos que, como vós, experimentaram o pulsar da vida. Por duas décadas tenho elevado a minha voz, neste mesmo templo, nestas mesmas derradeiras e memoráveis noites de bicho!

Muitos me ouviram, muitos me ouvem ... porém, para a desgraça de todos, poucos me compreenderam. E, poucos dentre vós, me compreenderão. Abri, portanto, agora os vossos ouvidos !

Assim falou pois, a voz das consciências sublimes.

Bichos, a sorte não vos é favorável, nem a Natureza vos apoiará nos anos vindouros !

As Consciências não acharam graça em vós, nem reconheceram merecimento nas vossas pessoas.

Portanto, ouvi :

Eis que do tic-tac dos relógios emergirão vagas constantes de inércia enchendo o vosso quarto e tomando conta do vosso sono. Penetrarão pelos poros e os transformarão pouco a pouco, lentamente ... em corpos apáticos, massas de marasmo.

A mesmice será a tônica do vosso cotidiano. Vós vos tornareis indistinguíveis, mansos e iguaizinhos. A lentidão os caracterizará como corpos sem energia. Vossos olhos alegres se encontrarão imóveis e tristes, diante da incapacidade de saborear a diversidade das cores.

Ai de vossas sensações. Antes mesmo que outra geração por aqui se passe, nada mais restará do vosso espírito criativo. Vossa imaginação se encontrará castrada.

Mil vezes ai! Nem mesmo a harmonia sonora encontrará eco nos vossos ouvidos vazados pela constância da massificação. Comereis o próprio vômito!

Daí, serão frustadas vossas tentativas de descobrir através da pele, porque a repetição consumirá vosso tato. Nada vos será possível separar, pois o quente será frio e o áspero, macio.

Tudo à vossa volta terá o cheiro das águas estagnadas. E eis que então desaparecerá de vós o sexo e com ele a força do Amor. As mulheres não mais encontrarão atrativo em vós. Até mesmo a amizade não terá mais significado nos vossos dias solitários. Pouco ou nada então restar-vos-á senão a condição de rastejar. Rastejar pelos corredores escuros e infindáveis. Rastejar durante as madrugadas. Por dias, semanas, meses, anos até.

Sereis vermes, vermes ignóbeis e sem cheiro. E, como vermes sereis tratados. Aos vermes não será dado andar de chinelos, pois que chinelos são próprios dos artistas, seres horripilantes aos vermes. Aos vermes será extraída a força da massa cefálica, já que essa corrompe os corpos com o pensamento, característica dos monstruosos homens sensíveis.

Ainda um último castigo : assistireis impassíveis ao corte de muitas das vossas próprias cabeças!

Assim, profetiza a voz das Consciências Superiores.

Porém, bichos, estais ainda vivos e ardentes! Só tendes convosco, cada um de vós e vós todos!

Sacai agora da arma da potência viril e jorrai ao fogo a vossa força. Com toda a força do vosso ventre,

MIJAI!



Texto escrito por Paulo Roberto Siqueira dos Santos (ELE-89) em 22/03/1986 e enviado para a ita-net em e-mail de 28/05/2011:

A Cova Faraônica

Na terça-feira a noite (18/03), Paquito reune alguns chacais na sala de revistas e expõe o seu faraônico plano para realizar a "Cova do Profeta". Todos teriam que ajudar. Ele queria a "cova" para a noite seguinte mas me parecia impossível. A T-1, que teria a tarde semi-livre, ficaria com grande parte do trabalho. Eu faria parte de um grupo de índios que atuaria comandado pelo Fabiano. Tal grupo jamais aconteceria. No outro dia foi feita uma outra reunião na sala de ping-pong com maciço comparecimento (forçado) onde decidiriamos se a cova seria ou não na corrente noite. Eram 22:00hs. A chuva que caía a intervalos regulares poderia atrapalhar. Foi decidido: A cova seria naquela noite. O bixaral foi reunido na sala de ping-pong e foi feita uma chamada. Poucos bixos não estavam. A seguir foi feita uma revista, onde bombas e rojões foram apreendidos.

O bixaral partiu. Eu não os segui pois vi um número grande de chacais que iriam de carro para a cova para os preparativos finais e resolvi ir também. Para irmos, aguardávamos o Uller que parecia ter ido notificar a cova aos milicos. A proximidade do aeroporto poderia dificultar as coisas, mas só não tivemos autorização para soltar fogos de barulho. Fui com o Wilson à cova para ajudar na confecção das tochas. O Yuji e o Scheidt foram também. Chegando lá tive uma surpresa, o lugar estava muito bem preparado. Com tudo pronto, só faltando esperar a chegada do bixaral que demoraria ainda bastante, chega o Klaus a pé dizendo que a caminhonete que conduzia e seria usada na fuga do profeta havia empacado numa vala. Chegando lá não conseguimos tirar apenas empurrando. Voltei com o Wilson para pegar enxadas e cascalho. Cavamos para tentar empurrar para a frente. Nada conseguimos. Tentamos novamente para a frente. Quase tenho alguns dedos esmagados entre o para-choque e a lataria.

Chegando mais alguns caras e travando as rodas com pedras a cada avanço, conseguimos com muito custo tirá-la para trás. Bem na hora, pois o bixaral acabara de chegar. Eu fui um dos discípulos do profeta junto com o Scheidt, Passos, Maurício, Bruno, Zig e Uller, que eu me lembro. Os bostejos ditos pelo profeta e escritos pelo Scheidt e pelo Zig estavam bons. O bixaral ouviu com atenção. Uma garota (namorada do Gay) participou da encenação. Não faltaram as piadinhas por parte do bixaral. A seguir acompanhamo-la para fora ficando apenas Scheidt, o profeta (Cícero) e mais outro discípulo, que fugiriam mais tarde. O bixaral começava a ficar desconfiado. Fugi no carro do Dayrell com o Gay e sua garota. Antes pude ver o Fabiano aturdido por ter soltado, por engano, fogos de barulho. Tudo saiu bem e todos conseguiram fugir. Chegando no H8 vi o que a T-88 fizera. Terremotos nos quartos dos bixos e eventuais maremotos. Encontrei meu quarto curiosamente tambem terremotado. Fiz idéia do autor (nota: o autor era o Haddad), apesar do aviso na porta indicando o quarto dos bixos. Apesar da chuva e do imenso cansaço tive que pular a janela. Eram cerca de 04:00hs. O Helder já havia chegado a pouco. O Clavello encontrei dormindo e o Takahashi chegaria pouco depois. Ainda ajudei o Tsuboi a pular a janela dos bichos do meu quarto já que um rachou o vidro tentando fazê-lo. Alguns bichos ficaram fazendo algazarra pelos corredores chegando a entrar em meu quarto e virar as camas. Eram 05:00hs quando consegui me deitar.

Pior não foi ter dormido em todas as aulas da manhã, e sim não poder dormir no MOF à tarde quando comecei na plaina. Me senti muito mal. A minha vontade era a de encostar numa parede e dormir mesmo em pé. Nesta noite fui dormir as 19:00hs...

Belford (ELE-89).




Ver também:


A cova dela

Trote




Glossário

ITA

H8

Ferramentas pessoais