Crônicas dos 25 anos de Formatura da T-89

De wikITA

Emulando Arnaldo Jabor

Texto escrito pelo Mussi por ocasião do Jubileu de Prata da Turma 89 em Dezembro de 2014:

A Turma-89 completa agora seus 30 anos de existência, e seus 25 anos de conclusão de curso. Uma turma polêmica, marcada por escândalos ingênuos, por rebeldia juvenil, por reafirmação constante, por uma unidade avassaladora.

Turma do ITA é um negócio complexo. É uma coesão tão forte que me obriga a uma metáfora. Porque o que é chamado turma por aí, no ITA passa a ter sentido de organismo. Algo mais forte que suas partes. A Turma é algo vibrante, complexo. No ITA, a Turma é concebida por cento e vinte espermatozóides vencedores da corrida do vestibular mais difícil do país, quiçá do mundo, que fecundam a Escola. A Turma então passa a ser gerada ali por 5 intensos anos, até ser expelida daquele útero. E nascem engenheiros. Mas a supraentidade, a Turma, que até então vivia em simbiose conosco, passará a viver na alma de cada uma de suas partes, que se tornaram seus filhos, de forma perene.

Mas há quem se pergunte: ainda existem mesmo traços da Turma 89, 25 anos depois? Ou ela se esfacelou? Ou ela é apenas vaga lembrança, cuja assinatura é difícil de resgatar? A Turma mantém seu vigor mesmo tendo seus filhos se espalhado pelo mundo? Mesmo tendo filhos que são indivíduos plenos, independentes, que mal se reencontram fisicamente e cujos interesses atuais são absolutamente dispersos? Pra reconstruí-la não devemos recuperar cada uma de suas partes como num quebra-cabeça? Eu queria escrever um texto romântico sobre a 89. Que é romântica, mas também pós-moderna e cubista. Eu seria achincalhado com amor.

Os filhos da T89 são agora quase cinquentões, e experimentam o auge do sucesso, este sucesso que todo mundo que saber o que é. Fama? Dinheiro? Prazer? Conquistas? Espiritualidade? Sabedoria? Desempenho sexual? Estar vivo? Um pouco disso tudo? As portas se abriram e a vida deu guarida pros nossos sonhos, nossos ideais, nossas conquistas, nossas lutas. A vida equilibrada e a vida a mil por hora. A plenitude e o vazio que nos movem pra frente.

Uma turma eclética, não há dúvida. Temos presidentes e vice-presidentes de grandes, médias e pequenas empresas. Gente no Brasil. Gente nos EUA. Gente na Europa. Gente na Bahia. Gente no mundo. Temos banqueiros, empresários, empreendedores, executivos, visionários, advogados, esotéricos, pastores evangélicos, empreiteiros, políticos e escritores. Temos Pilotos civis. Pilotos militares. Quase-brigadeiros. Temos filósofos, professores. Temos doutores, mestres, PhD’s pelo mundo. Cientistas de várias patentes. Temos corretores. Temos matemáticos brilhantes e artistas. Temos funcionários graduados no Congresso. Percorremos empresas de renome em segmentos mil, em grandes consultorias. Temos até gente trabalhando em setores exóticos, como a Engenharia. Temos top-model. Capas de revista. Gente que faz. Gente que fez. Gente que fará o PIB crescer, que pagou impostos, que deu retorno ao país e à sociedade, que se recusou a integrar o governo Dilma. A Turma 89 deu de presente aos seus filhos a versatilidade que proporciona a Engenharia cursada numa escola de elite .

Como você, menino que estuda agora no ITA, estará daqui a 25 anos? Você vai trilhar certamente um caminho que é uma combinação linear dos caminhos traçados pelos filhos da T89. Eu buscaria respostas na T89. Eu buscaria conselhos na T89. Eu pediria pra ser incluído no mail-list da Turma, e o Raílson te faria a enorme gentileza de negá-lo.

Delfim Mosca Netto se formou conosco, e nos dá crédito barato até hoje. David fundou o PT. Ribas desenvolveu o corretor ortográfico da Apple e Mudo desenvolveu o aspartame. Daniel criou o Dreamliner. Euben implementa o luz para todos. Milton está liderando o projeto de câmeras em todas as casas do mundo na nova iniciativa Home-View do Google. São as marcas indeléveis e onipresentes da T89. Mas é impossível nomear as pequenas e grandes coisas que cada um de nós fizemos aqui neste quarto de século. Nesta turma que vai envelhecer conosco. Que foi nosso pai e nossa mãe, que vai morrer aos poucos junto com cada um que se for, mas que não vai terminar nunca.

Hoje eu só quero gritar : OBRIGADO TURMA 89


Aleatoriedade - Sorte ou azar

Texto de Cláudio César Sanches por ocasião da passagem dos 25 anos de Formados da Turma 89, em Dezembro de 2014:

Depois de 25 anos de formado é fácil contar uma história de como obtivemos sucesso ou mesmo do porque não tivemos. Trabalhamos duro, desenvolvemos habilidades específicas, soubemos nos comunicar, criamos um bom network. Histórias bonitas para contarmos aos mais jovens.

Só que não. Se formos realmente honestos, vamos reconhecer que o grande fator que definiu o que somos e onde chegamos foi a aleatoriedade ou como alguns gostam de dizer a sorte. Ou a falta dela.

Basta lembrar como foi a decisão de vir para o ITA, como decidimos qual o curso fazer, como conquistamos o nosso primeiro emprego, como mudamos para o segundo, terceiro e quarto emprego, como conhecemos as nossas esposas e nossos amigos. Todos estes eventos importantes de nossa vida contaram com uma boa dose de aleatoriedade. Isto não quer dizer que não existe mérito no que conquistamos. Ao contrário, sempre estivemos preparados para as oportunidades que surgiram, mas elas surgiram para nós e não para outros. Não sejamos arrogantes, o universo conspirou a nosso favor.

Ao longo de quase 50 anos foram várias as aleatoriedades em nossas vidas mas algumas são mais significativas do que outras. E com certeza uma destas foi ter caído na Turma 89. Não passei no vestibular em meu primeiro ano. Se tivesse passado seria um integrante da Turma 88. Alguns podem dizer que perdi um ano. Eu digo que ganhei os melhores amigos que alguém poderia ter.

Imagino que cada Iteano tenha a sua Turma 89. Cada turma é diferente e não sei dizer como são as outras, mas sei dizer como é a minha. Temos de tudo. Engenheiros e não-engenheiros, magros e gordos, velhos e jovens, com filhos e sem filhos, com cachorro e sem cachorro, gente faz e gente que pensa, brasileiros e alguns que não gostam mais de ser brasileiros, normais e ... deixa para lá. Eu gosto muito de todos. Não vou negar que mais de alguns do que outros, mas todos são irmãos ou como gostam de dizer, brothers. São pessoas pelas quais eu ajudaria de forma incondicional. São pessoas para as quais eu não teria vergonha de pedir ajuda. Somos todos diferentes mas ao mesmo tempo muito iguais. Nos vemos apenas de tempos em tempos, mas quando nos vemos é como se continuássemos juntos todos os dias. Talvez com algumas brincadeiras ultrapassadas e sempre relembrando coisas que aconteceram há mais de 20 anos. Mas que tempo bom era aquele. Quem tempo bom é este tempo que passamos com nossos amigos.

Mais recentemente começamos um grupo de "zap zap". Centenas de mensagens chegam todos os dias. É uma farra. Me sinto como se estivesse no H8 novamente. Me sinto mais perto das pessoas que gosto. Me sinto um adolescente. Bendita tecnologia.

Resumindo, queria agradecer ao universo, a aleatoriedade, ou seja lá quem for por ter tido a sorte de fazer parte da T-89. A melhor turma 89 de todas as turmas.


O Carrossel de Udine

Lembranças de fatos que marcaram a Turma 89

Por Cláudio César Sanches, o Mosca


Prólogo 1: O Puppim não ia deixar passar uma oportunidade dessas. E organizou um jogo de futebol contra o time da Universidade de Udine (o único que respondeu aos seus apelos por carta), durante a CV89.

Prólogo 2: alguns dias depois do jogo, o Mosca responde às perguntas sobre o resultado do jogo com os indicadores das duas mãos em riste e se alternando como uma pequena gangorra. “Um a um?” replicava o crédulo interlocutor. “Não. Onze a zero!”


No WhatsApp, mais de 25 anos depois, em 2014:

Cláudio César Sanches: 11x0. Eu joguei o primeiro tempo no gol e o Leopoldino o segundo. Acho que virou 5 e terminou 11. O jogo estava equilibrado até que o Zaba foi bater um tiro de meta e chutou para a nossa linha de fundo. Físicamente impossível, mas não para o Zaba.

Cláudio César Sanches: Lembro que quando me pegaram na estação de trem um dos caras me perguntou em que divisão jogávamos no Brasil. Naquele momento ficou claro que fudeu. O Maluco (Puppim) tinha contado alguma história estranha para os caras. Mas o que valeu foi a pizza e o vinho grátis que ganhamos no final do jogo.

Euben Monteiro: Como um jogo equilibrado termina em 11 a zero ? ? ? ?

Cláudio César Sanches: Estava equilibrado até mais ou menos 20 minutos, pois os caras estavam respeitando “os brasileiros”. Depois que viram que éramos uma cambada de moleques moribundos e famintos, foi um gol atrás do outro.

Michel Mussi: O Zaba bateu tiro de meta pra própria linha de fundo...isso é coisa de macumbeiro.

Vicente Gomes: 11x0 e eu perdi a única chance de gol que tivemos. Zaba lança a bola direto para a área do adversário. Eu tô na banheira. A bola vem pelo alto e preciso acertar de primeira porque o zagueiro está com sangue nos olhos. E eu erro o chute... 11 a zero!


Turma de 1989

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