Eduardo da Gama Kury

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Foi chefe do Laboratório de Máquinas e Ferramentas da Divisão de Eletrônica.
Foi chefe do Laboratório de Máquinas e Ferramentas da Divisão de Eletrônica.
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O Kury tinha uma salinha ao lado do almoxarifado, na qual ele trabalhava na manutenção dos equipamentos eletrônicos da Divisão de Eletrônica. Era o técnico de longe mais gabaritado da Divisão. Eu nunca o vi entregando pecinhas aos alunos que iam fazer experiências nos laboratórios; para isso ele tinha auxiliares. Estava sempre consertando algum equipamento.
O Kury tinha uma salinha ao lado do almoxarifado, na qual ele trabalhava na manutenção dos equipamentos eletrônicos da Divisão de Eletrônica. Era o técnico de longe mais gabaritado da Divisão. Eu nunca o vi entregando pecinhas aos alunos que iam fazer experiências nos laboratórios; para isso ele tinha auxiliares. Estava sempre consertando algum equipamento.
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==Depoimento de [[Luiz Pinto de Carvalho]] ([[ELE]]-[[Turma de 1963|63]]) em 23/6/2013==
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A matéria sobre o Kury, colocada acima, está ótima, descreve o Kury exatamente como eu lembro que ele era, desde meu tempo de aluno, tanto em função da frequência natural das aulas de laboratório, quanto por minha curiosidade em relação a um indivíduo que era bom na prática de laboratório. Além disso, por causa da RUSD, eu aparecia de vez em quando na salinha dele para resolver alguma coisa ou simplesmente para bater papo, muitas vezes um papo técnico. Posterioremente, quando fui professor do ITA, e, no final, chefe da Divisão de Eletrônica (portanto, chefe do Kury), continuei a baixar na salinha dele de vez em quando. Quando eu estive em Stanford, de 1973 a 1977, ele foi meu contato por rádio semanalmente, em 21 e tantos MHz, e me ajudou com a solução de alguns problemas.
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Foi surpresa minha saber que o Kury continuou a trabalhar na Divisão de Eletrônica algum tempo depois que eu tinha saído de lá, creio que quando ele já tinha mais de 80 anos.
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O genro dele, João Batista, foi meu aluno e amigo, ainda como aluno como depois, quando ele trabalhou na Tecnasa, em São José dos Campos. Infelizmente, morreu cedo.
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Fiquei muito satisfeito ao saber que um neto do Kury e filho de meu amigo João Batista tinha se formado no ITA...
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[[Técnicos, instrutores e pessoal de apoio da T63]]
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Edição de 18h57min de 23 de setembro de 2013

Sr. Kury

Foi chefe do Laboratório de Máquinas e Ferramentas da Divisão de Eletrônica.

Sogro de João Batista Carvalho Filho (ELE-72)

Avô de Fernando Kury Carvalho (AER-05)

Eduardo da Gama Kury (Sena Madureira, 07 de novembro de 1921 - São José dos Campos 06 de janeiro de 2005), mais conhecido como sr. Kury, veio do Rio de Janeiro para São José dos Campos no seu Citroën preto em 3 de novembro de 1951.

Foi um dos pioneiros que se instalaram num "canteiro de obras" do que veio a ser o CTA e o ITA. Viveu, fez amigos foi um profissional exemplar num tempo em que alunos e professores eram uma grande família. O ITA, o H-8 e o "H-montão" eram sempre ligados e eram frequentes os jantares, almoços, visitas para tirar dúvidas...

O sr. Kury sempre foi solícito e generoso, nunca se negava a atender com atenção e respeito. Sua sala na Divisão de Eletrônica era um ponto de encontro.

Colaborou em várias ocasiões com os alunos responsáveis pela RUSD.

Mantinha todo o equipamento do laboratório em ordem e preparado para o Lab da tarde.

Em 1971 foi convidado pela Hewlett Packard Company para conhecer na Califórnia todo o complexo onde eram produzidos os equipamentos do laboratório do ITA-IDE. Admirado e respeitado, tinha um inglês impecável, diga-se de passagem aprendeu sozinho.

Com a estação de rádio amador PY2BIF nas décadas de 1950 e 60 fazia o contato dos professores americanos com as famílias e as Universidades de onde vinham, como a Universidade de Michigan que o homenageou com uma placa de reconhecimento.

No CTA, morou no H-10, H-18, H-21 e H-20A onde, numa oficina nos fundos da casa, montou uma pequena marcenaria que contava até com um torno de madeira, além das demais ferramentas.

Consertava tudo numa bancada com um gaveteiro que tinha de tudo! O que se precisasse, se ele não tivesse, transformava e adaptava algo que já tivesse. Para tudo tinha uma solução.

Além da marcenaria outro hobby era a pescaria, desde os tempos do Acre quando garoto e já era um exímio tarrafeador, segundo um manuscrito de seu irmão Adriano da Gama Kury.

Tinha uma cultura invejável, conhecedor de música clássica, leitor assíduo não só de conteúdo técnico, mas de periódicos nacionais e internacionais.

Trabalhou dos 15 aos 84 anos, sendo uma referência de profissional. Depois de se aposentar pelo MAER continuou na mesma função através da Fundação Casemiro Montenegro Filho preparando os técnicos mais novos que chegavam à divisão. Adorava o ITA e a Divisão de Eletrônica.

Acompanhou a carreira e o sucesso de muitos iteanos que passaram por ele e que sempre reconheceram o seu trabalho. Dos professores, técnicos, reitores, secretárias, servidores da limpeza, do café, militares e civis, até os Brigadeiros Diretores do CTA todos tinham estima e respeito pelo Kury.

Antes do ITA

Nasceu em Sena Madureira, no Acre, filho de um libanês vindo fugido da guerra em seu país em busca de uma nova vida na América e da prosperidade trazida pelo Ciclo da Borracha à Amazônia.

Aos 12 anos veio para o sul numa viagem pelos rios da região em um navio "gaiola" até Belém e de lá para o Rio de Janeiro num navio de verdade chamado Itaimbé.

Depois foi para Santos, SP, onde estudou no Colégio Anglo Americano e no Gymnásio M. Santista com Honra ao Mérito. Voltou para o Rio depois da morte trágica do pai assassinado na praia depois de um assalto em 1935 para estudar e trabalhar, pois era o mais velho dos quatro irmãos. Fez curso de eletrotécnica no Instituto Central de Estudos e Pesquisa da Escola Técnica Resende-Rummel. Do RJ foi para Natal, onde trabalhou enfrentando a dureza da vida cotidiana.

De volta ao Rio em 1941 obteve licença de Rádio Amador PY1KR e começou a trabalhar como Auxiliar Técnico de Rádio do Arsenal da Marinha. Ficou na Marinha até 1950, quando ingressou no ITA, ainda no Rio e, em 1951 veio para São José dos Campos.


Depoimento de Luiz Pinto de Carvalho (ELE-63) em 11/6/2013

O Kury tinha uma salinha ao lado do almoxarifado, na qual ele trabalhava na manutenção dos equipamentos eletrônicos da Divisão de Eletrônica. Era o técnico de longe mais gabaritado da Divisão. Eu nunca o vi entregando pecinhas aos alunos que iam fazer experiências nos laboratórios; para isso ele tinha auxiliares. Estava sempre consertando algum equipamento.

Depoimento de Luiz Pinto de Carvalho (ELE-63) em 23/6/2013

A matéria sobre o Kury, colocada acima, está ótima, descreve o Kury exatamente como eu lembro que ele era, desde meu tempo de aluno, tanto em função da frequência natural das aulas de laboratório, quanto por minha curiosidade em relação a um indivíduo que era bom na prática de laboratório. Além disso, por causa da RUSD, eu aparecia de vez em quando na salinha dele para resolver alguma coisa ou simplesmente para bater papo, muitas vezes um papo técnico. Posterioremente, quando fui professor do ITA, e, no final, chefe da Divisão de Eletrônica (portanto, chefe do Kury), continuei a baixar na salinha dele de vez em quando. Quando eu estive em Stanford, de 1973 a 1977, ele foi meu contato por rádio semanalmente, em 21 e tantos MHz, e me ajudou com a solução de alguns problemas.

Foi surpresa minha saber que o Kury continuou a trabalhar na Divisão de Eletrônica algum tempo depois que eu tinha saído de lá, creio que quando ele já tinha mais de 80 anos.

O genro dele, João Batista, foi meu aluno e amigo, ainda como aluno como depois, quando ele trabalhou na Tecnasa, em São José dos Campos. Infelizmente, morreu cedo.

Fiquei muito satisfeito ao saber que um neto do Kury e filho de meu amigo João Batista tinha se formado no ITA...


Técnicos, instrutores e pessoal de apoio da T63

Ferramentas pessoais