Eli Nunes

De wikITA

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Nunca mais o vi.
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Era uma vez um garoto, muito lindo, que era teimoso como uma mula.  O menino era o terror das professoras. No prédio aonde morava era odiado e amado pelas meninas.
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Sua mãe o repreendia, ele dava de ombros e respondia: QUE SE DANE...
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Aprontava com as meninas, e mães batiam na porta reclamando do bonitinho. O pai do menino respondia às mães que isso era coisa de crianças.
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Um dia, vendo televisão, o pai viu um anúncio de linguiça sendo fritada. Imaginativo, inventor de estórias, criou uma por titulo O MENINO QUE VIROU LINGUIÇA. Começava assim:
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"Existiu um garoto, muito lindo, que era teimoso como uma mula. O menino era o terror das professoras. No prédio onde morava era odiado e amado pelas meninas."
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E acabava assim:
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“Mas o castigo não tardou. Papai do céu transformou-o numa linguiça. Lançada  no óleo quente da frigideira, a  linguiça dava de ombros e gritava: QUE SE DANE.”
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O pai narrou o conto ao menino. O bonitinho deu de ombros e respondeu:  "Conte essa para o Papai Noel" — e fugiu correndo...
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O menino é o meu filho mais novo. Continua teimoso...
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Edição de 11h45min de 24 de novembro de 2019

Na equipe campeã de futsal, 1960
1963

Crônicas

Consciência negra

20/11/19

Acordei pensando sobre como me comportei com negros ao longo de minha vida.

Nasci e cresci em Santos, dominada por imigrantes portugueses e espanhóis, preconceituosos, que verbalizavam o desprezo pelos negros.

Estudei em colégio católico, pago, inacessível a negros. Com incendio em parte da escola, fui completar o 3° cientifico num colégio publico, o Colégio Canadá. Na época, apenas o primário (atual Fundamental I) era acessível a todos; eram os "grupos escolares". Para o ginasial (atual Fundamental II) havia um exame "de admissão" para entrar em uma escola publica. OS NEGROS eram ASSIM ELIMINADOS, PELA TAL MERITOCRACIA.

E foi ali no Colégio Canadá que conheci o primeiro negro, o Luís. Segregado, vivia isolado nas horas de recreio. Por coincidência, um dia na saída, andamos lado a lado. Curioso, pergunte-lhe aonde ia.

- "Para o centro", respondeu-me. Eu ia para lá, como todos os dias.

- "Então vamos no mesmo bonde", disse-lhe.

- "Vou a pé", respondeu-me.

Condoído, dei-lhe um passe escolar. Não aceitou pois, como me disse, não tinha como devolver o passe. E assim passei a conversar quase todos os dias com o Luís.

Formei-me e tornei a encontrar o Luis anos depois. Abraçamo-nos. Tornara-se funcionário da prefeitura, na área de saúde. Contei-lhe onde andava e ele convidou-me a tomar um café. Fomos até o CARIOCA, histórico bar de Santos.

Nunca mais o vi.


O teimosinho

20/11/19

Era uma vez um garoto, muito lindo, que era teimoso como uma mula. O menino era o terror das professoras. No prédio aonde morava era odiado e amado pelas meninas. Sua mãe o repreendia, ele dava de ombros e respondia: QUE SE DANE...

Aprontava com as meninas, e mães batiam na porta reclamando do bonitinho. O pai do menino respondia às mães que isso era coisa de crianças.

Um dia, vendo televisão, o pai viu um anúncio de linguiça sendo fritada. Imaginativo, inventor de estórias, criou uma por titulo O MENINO QUE VIROU LINGUIÇA. Começava assim:

"Existiu um garoto, muito lindo, que era teimoso como uma mula. O menino era o terror das professoras. No prédio onde morava era odiado e amado pelas meninas."

E acabava assim:

“Mas o castigo não tardou. Papai do céu transformou-o numa linguiça. Lançada no óleo quente da frigideira, a linguiça dava de ombros e gritava: QUE SE DANE.”

O pai narrou o conto ao menino. O bonitinho deu de ombros e respondeu: "Conte essa para o Papai Noel" — e fugiu correndo...

O menino é o meu filho mais novo. Continua teimoso...


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