Eli Nunes

De wikITA

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Na equipe campeã de futsal, 1960
1963

Crônica

Consciência negra

20/11/19

Acordei pensando sobre como me comportei com negros ao longo de minha vida.

Nasci e cresci em Santos, dominada por imigrantes portugueses e espanhóis, preconceituosos, que verbalizavam o desprezo pelos negros.

Estudei em colégio católico, pago, inacessível a negros. Com incendio em parte da escola, fui completar o 3° cientifico num colégio publico, o Colégio Canadá. Na época, apenas o primário (atual Fundamental I) era acessível a todos; eram os "grupos escolares". Para o ginasial (atual Fundamental II) havia um exame "de admissão" para entrar em uma escola publica. OS NEGROS eram ASSIM ELIMINADOS, PELA TAL MERITOCRACIA.

E foi ali no Colégio Canadá que conheci o primeiro negro, o Luís. Segregado, vivia isolado nas horas de recreio. Por coincidência, um dia na saída, andamos lado a lado. Curioso, pergunte-lhe aonde ia.

- "Para o centro", respondeu-me. Eu ia para lá, como todos os dias.

- "Então vamos no mesmo bonde", disse-lhe.

- "Vou a pé", respondeu-me.

Condoído, dei-lhe um passe escolar. Não aceitou pois, como me disse, não tinha como devolver o passe. E assim passei a conversar quase todos os dias com o Luís.

Formei-me e tornei a encontrar o Luis anos depois. Abraçamo-nos. Tornara-se funcionário da prefeitura, na área de saúde. Contei-lhe onde andava e ele convidou-me a tomar um café. Fomos até o CARIOCA, histórico bar de Santos.

Nunca mais o vi.


Turma de 1963

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