Geraldo Prim Ferreira

De wikITA

Foto postada no FaceBook em 28 de setembro de 2015

Histórias de um dos iteanos pioneiros da turma de 51

Este é o "assunto" de um e-mail recebido de Geraldo Prim Ferreira em 22 de dezembro de 2015 e cuja transcrição está abaixo:

Logo após a minha formatura em 1951 fui selecionado para servir como oficial engenheiro no Parque de Aeronáutica de São Paulo, maior e melhor equipado parque de aeronáutica da América Latina, dirigido de forma diferenciada por um brilhante oficial aviador engenheiro de aeronáutica formado na França, José Vicente Faria Lima, que teve grande influência em toda minha vida pela nossa boa sintonia pessoal e pelo muito que absorvi dos seus ensinamentos, quer na vida profissional como na vida pessoal.
Nunca mais me esqueci e sempre observei, quando ainda em 1951 ele me falava:
-Quer vencer na vida? então seja sempre bem informado, tenha pressa e não esqueça nunca de fazer o follow-up.

No Parque de Aeronáutica pude completar a minha formação como homem, iniciada no ITA e desenvolver-me profissionalmente pela imensidade de oportunidades e desafios que me foram oferecidos e bem aproveitados. Quando fui admitido no ITA me informaram que lá não se formava só técnicos mas principalmente homens.

Saí do Parque de São Paulo e da FAB em 1955 indo para a aviação civil, a convite do Brig. Faria Lima, para chefiar a área técnica da VASP, ele como Diretor Presidente da companhia, pertencente ao Estado de São Paulo. Provocamos lá um verdadeiro tsunami de realizações e mudanças de toda a estrutura técnica e administrativa da Cia, que eram obsoletas e sem qualquer possibilidade de realizar serviços de manutenção de aeronaves dentro de limites mínimos exigidos pelas responsabilidades do transporte de passageiros.

Esta foi a segunda grande oportunidade que o destino me reservou ao me colocar em frente de uma tarefa reservada para poucos ter sucesso pelas grandiosidades e complexidades das equações a serem resolvidas. Encaramos o desafio amparados pela minha formação iteana, preparação profissional primorosa nos 4 anos de atividade no Parque de Aeronáutica de São Paulo como 1º ten eng. e o apoio irrestrito da direção geral da Companhia.

A frota aérea da VASP em 1955 era composta de 25 aeronaves (9 aviões Saab 90 Scandia e 16 Douglas DC-3) sendo que apenas 6 aviões DC-3 estavam voando; os demais estavam no solo e indisponíveis para o vôo.

Em pouco tempo, pois tínhamos pressa, tudo foi mudado, quer na estrutura da organização e principalmente na área de pessoal técnico. Criamos a escola SENAI/VASP, o primeiro convênio com o SENAI para a formação básica de mão de obra voltada para a industria de transporte aéreo, importante suporte necessário e inexistente na época.

Admiti nada menos que 9 outros engenheiros do ITA para trabalhar comigo, abrindo a oportunidade para a formação de verdadeiros especialistas em cada área de atuação, tendo alguns alcançado referência internacional.
O nome dos engenheiros do ITA ficou marcado pela excelência dos resultados obtidos pelo trabalho realizado na VASP, ao transformar a pequena e desacreditada empresa estatal na melhor do país, nascendo ali um importante polo de cultura da aviação comercial brasileira, e que serviu de base para alimentar o desenvolvimento do setor no país.
Um dado significativo é a diferença monstruosa do número de engenheiros do ITA na VASP no início da década de 60, quando tínhamos 9 engenheiros e o restante das empresas aéreas brasileiras tinha somente um.
Nada foi feito por acaso. Só se colhe o que se planta. Tudo o que foi feito naquela época é assunto para um livro e para ficar na história da aviação brasileira.
O fim da Vasp foi melancólico como todos sabem, para mim ainda mais por lá ter permanecido até o final o engenheiro do ITA que admiti ainda como estagiário em 1957, Roberto Cangellar Cossi.

Agora vou fazer uma pausa na minha caminhada pelas lembranças daqueles anos e ir direto para a minha última participação profissional no setor da aviação comercial brasileira, iniciada em 1987 e finalizada em 2004, e a que mais deixou marcas, tendo durado 17 anos até a sua conclusão. Trata-se do desenvolvimento e implantação de um sistema de informatização em tempo real integrado de todas as atividades da TAM Linhas Aéreas partindo da estaca zero, por inexistir qualquer processo de sistema digital na companhia em 1987, que colocou a TAM como a primeira empresa aérea em todo o mundo a operar um sistema dessa complexidade, concebido, desenvolvido e implantado pela própria empresa.
Por ter sido um feito histórico e pioneiro na área de TI de uma Companhia Aérea, resolvi descreve-lo resumidamente e se encontra anexo a este e-mail para que fique como um registro à memória do Cmte Rolim Adolfo Amaro, fundador da Companhia e avalista do feito.

Geraldo Prim Ferreira

Anexo: Projeto TI da TAM


Turma de 1951

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