Gordiano de Faria Alvim Filho

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Seu pai, Gordiano de Faria Alvim, era farmacêutico em Ubá-MG.

Há uma rua em sua homenagem no Residencial União em São José dos Campos, SP.

Depoimentos de ex-alunos do Prof. Gordiano com reminiscências do tempo em que foram alunos do grande mestre:


Mohamed Ali Osman (AER-85)

Fui aluno do saudoso Prof Gordiano (motores). As avaliações eram realmente muito pesadas (quem teve a oportunidade de fazer as provas do "meu amigo" sabe do que estou falando). O Professor, por outro lado, estudava exaustivamente os resultados, fazia reflexões sobre cada questão, buscando identificar problemas (nossos ou dele mesmo).

O tempo passando e a turma impaciente reclamando pelo recebimento das provas corrigidas, e o Professor meio que sem jeito dizendo (mais ou menos) assim: "... meu amigo, estou com uma dificuldade imensa em terminar a correção: você quer me ajudar?" A preocupação em avaliar seus alunos de maneira justa era bastante evidente.

A questão do conceito no ITA reforça, naturalmente, a prerrogativa do professor em impor sua impressão sobre o desempenho do aluno. Esse instrumento só tem condições de ser usado, entretanto, quando há confiança entre alunos e professores (bidirecional, diga-se de passagem).

Não questionaria minhas notas com o Prof Gordiano de maneira alguma: confio no "meu amigo" ("...senão eu coloco meu chapéu e me escondo debaixo da mesa, meu amigo!"). No meu entender, mais importante que transparência está a confiança."

Uma vez ele me deu zero numa questão que eu tinha cometido um erro de contas mas como percebi que o resultado estava incoerente com a realidade, escrevi na prova que provavelmente eu tinha errado alguma conta pois o resultado estava absurdo. Daí ele me disse que eu errei duas vezes, uma nas contas e outra por apresentar o resultado errado, MESMO SABENDO QUE ESTAVA ERRADO, e me dando zero. Não dava para ficar com raiva dele pois ele sofria para ser justo.

Outra coisa interessante é que assim que o sinal tocava, ele largava o giz da mão e parava a aula dizendo que o direito dele estava encerrado e que dali pra frente começava o nosso. Mas ele dava a aula sempre até o último segundo. Então, na próxima aula ele reiniciava a explicação que tinha parado no meio.

Mais uma do meu saudoso Prof. Gordiano: Aluno: Mestre, até onde vai a matéria da prova?
Gordiano: Até onde eu calar a boca, meu amigo. Quando eu calar a boca, até aí é a matéria da prova.

E a melhor de todas: Em 1984, ele dava aula para a minha turma, a última aula antes do almoço. Quando a aula estava prestes a acabar, alguns alunos mais famintos, costumavam balbuciar: "Well", para alertar o professor que a aula havia acabado. Naquele ano, o atleta brasileiro Joaquim Cruz tinha recebido uma medalha de ouro nas olimpíadas de Los Angeles, por ter corrido 800m em menos de 1min42s, daí um aluno começou a falar "well". O Prof Gordiano interrompeu a explicação, olhou no relógio e disse: "Meu amigo, ainda falta 1m40s para terminar a aula e nesse tempo o Joaquim Cruz consegue correr 800m, imagina então o que dá para a gente fazer aqui. A sala veio abaixo, de tanto rir. Grande homem que foi o seu Pai, meu amigo.


Artur Petean Bove (AER-75' )

Tive a honra de ter sido aluno do Prof. Gordiano. Nossa turma era pequena e as aulas tinham muita interação e participação. É um professor que jamais será esquecido e contribuiu muito para nossa formação profissional.


Odilon Antônio Camargo do Amarante (AER-77 )
(Aluno do Prof. Gordiano e amigo do Tchelos, filho do Professor.)

Quando ainda morava em São José dos Campos eu costumava passear de bicicleta pelo CTA e algumas vezes passava no H-Montão para dar um alô para o Tchelos e conversar com o Prof Gordiano, e também admirar um quadro (uma aquarela) do Prof Feng que havia na parede, um quadro de inesquecível luz. E uma cornucópia de boas histórias que não acabam mais.


Roberto Otto Alvim Thiele (AER-87 )

Nunca me esquecerei da última prova do curso de PRP (Propulsão) que fiz no último ano do curso de AER. Consegui fazer tuuudo direitinho com todo conhecimento que recebi do querido professor Gordiano. Tive um pico de alegria e orgulho por ter sido capaz de fazer o difícil exercício de projetar um motor turbo-fan, encontrando todas as principais características para um dado regime de voo em cruzeiro. Grande professor.


Jacek Ricardo Sielawa, filho do Prof Jerzy Tadeusz Sielawa :

Passando pela zona sul deparei-me com a placa de uma rua: Rua Prof Gordiano. Veja, meu vizinho, o último professor do ITA a usar régua de cálculo, falei ao meu filho. Acho que foi o segundo ou terceiro orientado do meu pai há mais de 50 anos. Ele tinha um monte de filhos, o Marcelo, o Bruno, o Marimba (quase tão bom de bola quanto eu), o Ricardinho (sempre tem aquele que se destaca pela simpatia) e mais dois pivetinhos que nem mesmo os nomes lhes recordo.

Gordiano apesar de ter sido um dos mais brilhantes professores do instituto, não era este seu mais profícuo diferencial como humano ser. Destacou-se outrossim em vida pela retidão de caráter, pela honradez, pela honestidade, pela simpatia, pela impoluta e inquestionável formação moral. Se não estou sendo traído pela minha já combalida memória, se estiver, não mudará a essência conclusiva do texto, ele deve ter vindo da marinha, sei lá, pós graduando-se no ITA, onde iniciara sua carreira acadêmica.

Recebia como professor acrescido (teoricamente) ao direito de salário na condição de oficial da reserva, não aceitando, contudo, este, não por ser contra a lei, mas por ferir-lhe os preceitos que ele preconizava como éticos. Gordiano foi o Sr. Gentileza do CTA, Gordiano foi Martin Luther King. Gordiano foi o irmão do Henfil.

Mais dez gordianos espalhados pelo país e o vírus da bondade se espalharia como numa incontrolável epidemia. Não tive oportunidade de dizê-lo em vida. Obrigado Gordiano, obrigado Leda, vocês são meus platônicos amores.


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