Hans Harro Heyde

De wikITA

Lembrança da formatura de 1956 do Colégio Arquidiocesano
Hans, o Espigão é o maior de todos no centro da foto

A foto acima foi clicada por Prudente José de Moraes Costa e publicada no livro Tres Artes de
seu grande amigo Luiz Antônio Ribeiro Porto, de terno escuro à frente do grupo.

Além de escrever o livro, o Portinho também escreve crônicas, e nos presenteou com duas delas
da época do Arquidiocesano em que conviveu com o Hans e o Prudente:

O Colégio Arquidiocesano

O Fantasma Azul


O Portinho enviou por e-mail duas lembranças envolvendo o Hans dos tempos do Arquidiocesano:

Com relação ao Hans, me lembro bem de duas coisas: quando ele tinha cerca de 12 ou 13 anos, nos deu o maior susto: resolveu bancar o atleta olímpico, pendurou-se numa barra no pátio dos semi-internos e despencou de lá, teve fratura exposta no braço esquerdo e eu estava próximo e corri para socorre-lo. Creio que foi o maior susto que tive na minha vida, pois nunca tinha visto uma fratura, eu não sabia o que fazer e comecei a gritar por socorro. Que momento terrível !

Outra lembrança que tenho do Hans, quando ele morava em Piraquara, fundamos um clube chamado Lampida e o alemão havia descoberto a fórmula de uma pólvora, não me lembro bem como era. Os ingredientes podiam ser comprados em farmácia e nós passamos a fazer pacotinhos de pólvora e colocar no trilho do bonde, quando o mesmo passava "puuum" explosão , claro sem maiores consequências.
Um dia o Hans resolveu fazer um canhão, batizado de Kakulé: era um cano de ferro de 2 polegadas, um dos lados tampado com concreto e um furo por onde passava um pavio.
Um dia no quintal da casa apoiamos o canhão no chão num angulo de 45º, carregado com a pólvora, o estopim banhado em álcool, cheio de pedras e ...fogo ! Puuummmm ! O muro do quintal arrebentou um bom pedaço, o canhão sumiu dentro da terra, devido ao coice e claro um belo castigo pelo estrago.


O Hans, estimulado pela cutucada do Portinho, contou a sua versão dos fatos, também por e-mail:

Só aprendi a ler quando tinha 9 anos. Não gostava da escola, até que meu pai me disse: "se você não quiser estudar, tudo bem,
vou arrumar emprego de lixeiro para você, o único que não precisa ter estudo"
Dai eu achei que a opção estudar seria melhor....

Aos 14 anos fabricava pólvora na garagem de casa: uns 3 a 4 quilos cada vez. Hoje seria preso como terrorista!
O Prudente tinha um livro francês do seu avô, acho que da época da revolução de São Paulo, que mostrava como construir foguetes.
Fizemos vários com canos de água de 2 polegadas (na época eram de aço). O combustível sólido era feito com minha pólvora "especial"
(aprimorada ao longo dos anos) e óleos de cozinha, banha, etc..
Para testar a segurança nós dávamos marteladas fortes para ver se explodiam! Não explodiam!
Para o lançamento colocávamos uma mecha de BomBril ligada na extremidade de um par de fios elétricos.
Os fios pegávamos no lixo de uma instalação da telefônica e emendávamos os pedaços até ficar bem comprido, uns 30 metros.
Nós pulávamos o muro de uma casa das proximidades e ligávamos nosso fio na tomada 110V da casa.
Quando ligávamos a chave faca ocorria um curto que colocava fogo no bombril que dava inicio à ignição do combustível sólido.
O problema era que esta combustão era muito rápida, o que fazia o foguete sair com muitos g's.
Como as aletas de direcionamento eram feitas com latas de óleo (na época de chapa de aço, não existia PET) dobradas e aparafusadas,
elas não eram muito resistentes... nem ficavam muito bem alinhadas...
O empuxo muito forte dobrava as aletas , arrancava-as, o foguete saía girando furiosamente, nada a ver com o que queríamos.
Fizemos várias configurações no "perfil" do combustível sólido, tentando controlar sua ignição, mas as aletas eram o problema.
Como opção, fizemos canhões (o primeiro deles o Portinho descreveu acima). Colocávamos nossa pólvora, bucha de pano e um bocado
de pedregulhos. Fizemos com barbante um estopim igual aos que víamos em filmes de cowboy usando barbante embebido em óleo de
cozinha e coberto de pólvora, colocados a secar ao sol...
Nossos alvos eram placas outdoor... não tinha como errar! Fazíamos um bocado de buracos! Claro que isto era à noite... enterrávamos
a base do canhão, acendíamos o estopim, e... pernas para que te quero...

Enfim, quando mais tarde ouvi falar do ITA pensei: deve ser divertido! O Prudente "foi na minha"!

Que baita fria que eu entrei! Enquanto o Portinho só se divertia em festas e gandaias eu me matava de estudar...


Turma de 1962

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