História do ITA 1941 a 1950

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Criado o [[CASD]] (Centro Acadêmico Santos-Dumont).
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Edição de 22h23min de 29 de maio de 2010

Tabela de conteúdo

Introdução

Nos anos 40, São José dos Campos era uma cidade voltada para a cura da tuberculose pulmonar.

Dizia-se que o clima e os médicos da cidade eram capazer de fazer verdadeiros milagres.

Muitos hospitais e sanatórios foram construídos e a cidade ganhou o estigma de ser "um antro de doentes".

A cidade indicada para receber o CTA seria a tradicional Guarantiguetá. No entanto, forças políticas se organizaram para doar uma grande área de terra pelo Governo do Estado de São Paulo ao Ministério da Aeronáutica o que definiu a implantação do CTA em São José dos Campos.

Deve-se, sem dúvida, ao Prefeito Municipal da época, Jorge Zarur, apoiado por um grupo da elite da cidade, a visão de que, com aquela doação do Governo do Estado, São José dos Campos teria a semente do progresso e da cultura, colocando a cidade entre as mais promissoras do país.

1941

20 de janeiro de 1941

Criação do Ministério da Aeronáutica pela fusão da antiga arma da Aviação Militar do Exército com a da Aviação Naval da Marinha.

1943

Julho de 1943

É dificil precisar a data exata da visita de Casimiro Montenegro Filho ao MIT, onde foi recebido por seu colega Oswaldo do Nascimento Leal, que ali havia iniciado seus estudos em janeiro de 1943. Foi possivelmente em julho de 1943, por ocasião da visita oficial do ministro Salgado Filho e sua comitiva aos Estados Unidos, que Casimiro Montenegro Filho, acompanhado de José Vicente de Faria Lima, oficial do gabinete do ministro, e Guilherme Aloysio Telles Ribeiro, diretor do Parque Central de Material Aeronáutico (Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro), encontrou-se em Cambridge com Leal. Nessa ocasião, discutiu-se intensamente a idéia de se estabelecer uma escola de alto nível no Brasil. Possivelmente, Casimiro Montenegro Filho só voltou ao MIT com o rascunho de seu plano um ano mais tarde, em setembro de 1944, por ocasião de sua participação, como representante do MAer, na Conferência Técnico-Econômica Interamericana, realizada em Washington.

(Entrevista com Violet Nascimento Leal, São José dos Campos, 25 de novembro de 1996.)

1944

Setembro de 1944

No final de 1944, por sugestão do Maj Av Oswaldo do Nascimento Leal, ao partir em missão para os Estados Unidos, Casimiro Montenegro Filho levou consigo o rascunho de um plano de criação de uma escola de Engenharia Aeronáutica, para ser discutido com o professor Richard Harbert Smith, então chefe do Departamento de Aeronáutica do MIT. Houve um desencontro com Smith, que entretanto leu o plano alguns dias mais tarde e entusiasmou-se a ponto de se prontificar a vir ao Brasil discuti-lo.

1945

Início de 1945

Casimiro Montenegro Filho vai aos EUA acompanhado por um grupo de oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) com a missão de visitar diversas Bases Aéreas Americanas para conhecê-las e basear-se num modelo para a criação da escola brasileira.

A idéia da criação de um Centro Técnico, que se chamaria CTA, surgiu na visita ao Wright Field, onde se localiza o Centro de Desenvolvimento Tecnológico da USAF (United States Air Force) que serviu de modelo para a organização deste Centro.

Junho de 1945

Chega ao Brasil Richard Harbert Smith para atuar por seis meses como consultor do Ministério da Aeronáutica.

Agosto de 1945

Casimiro Montenegro Filho divulga, no local onde em breve seriam construídas, as futuras instalações do CTA. É chamado de “Júlio Verne” por oficiais da Força Aérea que o acompanhavam.

Dia 26 de setembro de 1945

O Prof. Richard Harbert Smith profere a conferência Brasil, Futura Potência Aérea a convite do Instituto Brasileiro de Aeronáutica.

1946

Dia 29 de janeiro de 1946

É criada, por intermédio da Portaria nº 36, a Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica (COCTA), instalada inicialmente no Aeroporto Santos-Dumont, na cidade do Rio de Janeiro.

A verba de que dispunha inicialmente foi emprestada pelo fundo Aeronáutico.

As diretrizes do plano de fundação do ITA eram:

  1. Consolidação do Instituto de formação (ITA).
  2. Formação dos institutos auxiliares.
  3. Transformação do ITA em Fundação desvinculada do Ministério da Aeronáutica.

A COCTA foi composta pelos Ten. Cel. Eng. Benjamin Manoel Amarante, Cap. Av. Eng. Aldo Weber Vieira da Rosa e Eng. Hélio de Oliveira Gonçalves.

1947

A COCTA lançou o Edital para o concurso de anteprojecto das instalações do Centro Técnico de Aeronáutica em São José dos Campos.

A participação neste concurso foi limitada somente aos escritórios de arquitetura selecionados pelo Ministério:

  • Affonso Eduardo Reidy,
  • Benedicto de Barros,
  • Companhia Brasileira de Engenharia,
  • Marcelo Roberto e
  • Oscar Niemeyer Soares Filho.

O projeto vencedor foi preparado por Oscar Niemeyer.

As primeiras aulas do ainda inexistente Instituto Tecnológico de Aeronáutica foram ministradas no Rio de Janeiro, onde ficou até 1950, quando suas instalações foram transferidas para São José dos Campos.

Houve tempo que seu corpo docente era constituído de professores de dezesseis nacionalidades.

O primeiro reitor foi o Professor Richard Harbert Smith que ocupou o cargo de 1946 a 1951.

Houve resistência por parte das altas patentes militares, que não aceitavam com facilidade a idéia de que sua escola pudesse formar engenheiros civis. Nos termos do projeto original, o estabelecimento deveria ter tido natureza puramente militar.

Richard Harbert Smith enviou um memorando ao Brigadeiro Montenegro e ao Ministro Trompowsky, mostrando que isso representaria um desperdício de recursos, que o Ministério da Aeronáutica era responsável pelo desenvolvimento da indústria brasileira, e que eles também precisavam de civis porque não poderiam contar somente com oficiais militares.

Uma vez que eles estavam investindo tantos recursos para construir a escola, o correto seria que tivessem entre os estudantes 90% de civis contra 10% de militares, o que lhes daria a vantagem de que esses oficiais militares, destinados a exercer posições importantes no futuro, teriam a oportunidade de conhecer os civis com os quais tinham estudado.

Dia 7 de março de 1947

Na sala 405-A da Escola Técnica do Exército (hoje IME), teve início a primeira aula, da primeira turma de transição, composta de 13 alunos militares, que colariam grau em São José dos Campos, em dezembro de 1950.

1948

A construção do CTA começou em 1948 em um terreno doado oficialmente em 1951 pela prefeitura de São José dos Campos.

Na Prefeitura de São José dos Campos estão guardadas as atas das reuniões da Câmara de Vereadores para decidir a doação dos terrenos.

Foi dada prioridade à edificação do ITA e de meios complementares, como alojamento de administradores, professores e alunos e outras facilidades, capazes de permitir o pronto funcionamento da escola.

Na foto ao lado, a montagem da estrutura do Elefante Branco sendo executada.

1949

Dia 25 de março de 1949

Decreto nº 26.508 cria oficialmente a COCTA.

Dia 30 de abril de 1949

Decreto Nº 26.619 cria oficialmente o CTA (Centro Técnico da Aeronáutica):

http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=106593

1950

Dia 16 de janeiro de 1950

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA é criado pelo Decreto no 27.695

Dia 22 de maio de 1950

Chegada dos primeiros alunos (pioneiros da Turma de 1954) no ITA, em São José dos Campos.

Depoimento do José Luciano Ferreira Costa (AERON-54) que escreveu no wikITA em 6/6/2009:

A nossa turma foi a primeira a fazer o curso completo em São José dos Campos.
Estudar no ITA, naquela época era um risco pois a Escola não era reconhecida pelo Ministério da Educação, mas de fato a grande maioria não sabia o que isso significava e não tomaram conhecimento, só levantado bem mais tarde.
Fomos de avião C47 da FAB que nos levou do Rio para São José na fria manhã de 22 de Maio se não me engano. O aeroporto era bem modesto e a pista era de terra batida e era ligado ao CTA, na época conhecido como COCTA ( Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica) por uma estrada de terra. Eram mais ou menos 10 h da manhã, tinha chovido e assim não havia poeira.
Fomos numa jardineira marrom que era a cor da FAB que nos deixou no H10, um dos poucos alojamentos existentes na época. Era tudo um lamaçal e assim começamos com o pé na lama mas felizes dessa aventura que começava numa terra estranha, com um friozinho gostoso e junto a uma pequena cidade a cerca de 5km do CTA. Havia já um conjunto de apatamentos no H17 onde moravam professores americanos e os principais dirigentes como o reitor Stokes e professores de nome como Pompéia (Física), Lacaz (matemática) e outros.
No H10, além de alunos, moravam alguns professores como o Samu (química), que foi depois a matéria terror que no 1o. semestre desligou muita gente.
A Escola E2 estava parcialmente pronta, tendo somente uma ala mas já existia o Laboratório de Máquinas, local bem interessante com modernos equipamentos de usinagem, etc o que não era comum nas escolas de engenharia do Brasil na época. No E2 tínhamos um bom laboratório de química e física onde os alunos iriam fazer experiências que muito ilustraram.
O restaurante era um galpão com mesa com bancos improvisados mas a comida era boa e farta. Não é atoa que com disciplina de horários para tudo, a grande maioria engordou muito apesar de caminhar diáriamente do H10 para o E2 e restaurante, onde no caminho tinha de tudo, até cobras, e o pior era voltar à noite, quando se ficava no E2 estudando, por uma estrada escura, iluminada somente pela lua. Alguns colegas logo compraram lanternas e assim a vida desses ficou mais fácil. A minha turma iniciou no 1o. Fundamental com 31 alunos , terminando o curso 24.
Na época não havia muitas facilidade para esporte, havendo um campo de futebol na entrada do CTA na estrada que ia para o aeroporto mas ficava muito longe do H10. Logo foi limpo um local perto do H10 onde se jogava futebol, e tambem inmprovisaram um campo de volei. Só mais tarde foi feito perto do H10 um campo de basquete acimentado.
Tínhamos aulas até o sábado de manhã e a grande maioria ficava no ITA nos fins de semana, com excessão dos paulistas que iam de ônibus para São Paulo por uma estrada de terra sinuosa e levavam mais de 3 horas de viagem.
Nos sábados à noite e domingos íamos à cidade de São José e para isso tínhamos que caminhar até a encruzilhada onde hoje fica o viaduto e tomávamos um ônibus poeirento e superlotado para a cidade. O ônibus voltava no fim da sessão do cinema Paratodos e depois dessa hora, cerca das 9 horas da noite, soltavam as onças e a cidade ficava deserta. O programa era ficar desfilando na Rua XV, tentando flertar com as meninas, gerando uma má vontade como os rapazes de lá, o que depois deu em algumas brigas.
Depois de um tempo, o CTA comprou bicicletas importadas, que pagávamos uma micharia por mes, e a vida melhorou, dando mais mobilidade.
Nos meses de inverno era uma parada acordar cedo e caminhar até o restaurante enfrentando o vento frio.
A nossa turma foi a 1a. turma a fazer o curso completo no ITA em São José dos Campos. Éramos inicialmente 31 alunos que iniciaram em maio de 1950 o 1o. ano Fundamental, tendo terminadao com 26 graduados em Aeronáutica, Eletrônica e Aerovias mas conhecido como aeropícas. Continua mais tarde,
Turma de 1954 em viagem do Rio de Janeiro para São José dos Campos.

Dia 15 de junho de 1950

Criado o CASD (Centro Acadêmico Santos-Dumont).


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