José Carlos de Sousa Reis

De wikITA

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José Carlos de Sousa Reis formou-se em Engenharia Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1957.

Antes de ingressar na Embraer, trabalhou como Chefe de Projetos na Indústria Aeronáutica Neiva.

Em 1961, fundou a empresa Avibras, onde projetou a aeronave A-80 Falcão.

No ano de 1965, junto com Carlos Gonçalves (AERON-60), projetou para a Aerotec a aeronave T-23 Uirapuru, que teve diversas vendas para a Força Aérea Brasileira (FAB).

Ingressou na Embraer em 1970 como Gerente de Ferramental. Ocupou diversos cargos e funções na Empresa tais como Gerente de Projetos, Gerente do Programa AMX, Gerente da Embraer na Itália, Gerente de Material Composto e, finalmente, Gerente de Fabricação de Peças-Primárias.

Um dos principais nomes da Indústria Aeronáutica Brasileira, aposentou-se em 1996, quando deixou a Embraer.

Entrevista para o Centro Histórico Embraer

Texto escrito por ocasião do V Encontro de Escritores e Jornalistas de Aviação e do Fomento à Cultura Aeroespacial e publicado no site Hangar Cultural.

Natural do Rio de Janeiro, foi admitido ao ITA em 1952, lá formando-se em Engenharia Aeronáutica no ano de 1957, quando ganhou uma bolsa de trabalho, então existente entre a França e o Brasil. Uma vez na França, trabalhou inicialmente alguns meses no fabricante de aviões “Louis Breguet”, em Paris, e em seguida mais alguns meses na Fábrica de aviões “Max Holste” , na cidade de Reims, nordeste da França.

Regressando ao Brasil, foi contratado pela Aeronáutica Neiva Ltda., de Botucatu, SP, para trabalhar nos aviões fabricados por ela. Mais tarde, como prêmio, a empresa lhe concedeu algumas ações, o que o transformou em sócio minoritário da companhia. Naquela época começou a projetar e construir em sua casa, nas horas vagas, um avião de asa-baixa, monomotor, de dois assentos, que mais tarde batizaria como Falcão.

Posteriormente deixou a Neiva, voltando para São José dos Campos, decidido a concluir seu avião Falcão. Pensando em reforçar o grupo com alguns sócios, convidou alguns antigos colegas do ITA para participarem daquele empreendimento, entre eles João Verdi e Guido Pessotti. Não contavam com nenhum financiador, mas Reis vendeu as ações que ainda possuía naquela empresa, conseguindo algum dinheiro para finalizar a construção do Falcão. Fundaram uma empresa, então chamada Avibras. Superando enormes dificuldades, sobretudo financeiras, aquele grupo de iteanos conseguiu finalizar o Falcão, cujo primeiro voo foi realizado pelo próprio Guido Pessoti, com pleno sucesso.

A seguir, Reis pensou em tentar um contato com o então Ministro da aeronáutica, Brigadeiro Eduardo Gomes. O objetivo era tentar vender o Falcão para a FAB, permitindo ao grupo de sócios que o construíram os recursos necessários para poder fabricá-lo em série. Depois de muitas tentativas, Eduardo Gomes concordou em receber Reis, viu todas as fotografias do avião Falcão e então decidiu adquirir o avião para a FAB. Para isso, seria necessário um voo experimental a ser realizado por um oficial graduado da FAB lotado no CTA. Quem o pilotou, com sucesso, foi o hoje Major Brigadeiro Hugo de Oliveira Piva. Àquela época, o relacionamento com os demais sócios da Avibras, já não era bom, e Reis decidiu abandonar o grupo. A seguir, foi contratado pelo CTA, onde trabalhou, por alguns meses, no Túnel Aerodinâmico do ITA.

Mais tarde Reis e outro iteano, Carlos Gonçalves, decidiram criar uma nova empresa, a Aerotec, a fim de projetar e fabricar novos aviões derivados do Falcão. Essa iniciativa prosperou. Um galpão simples foi alugado na cidade e nele iniciado o projeto do monomotor biplace Uirapuru. Em alguns meses esse objetivo foi alcançado: o Uirapuru fez seu primeiro voo com sucesso, e os testes de homologação realizados pelo CTA foram concluídos e aprovados, liberando a fabricação e venda da aeronave.

Em seguida, Reis decidiu repetir o que tinha feito com o Falcão no passado e procurou o Ministro da Aeronáutica para apresentar o novo avião, na tentativa de negociar um contrato de venda. Depois de muitas idas ao Ministério da Aeronáutica, sem sucesso, por fim o Ministro finalmente concordou.

Pediu que trouxessem imediatamente ao seu escritório o Cel. Ozires Silva, do CTA, e por fim o Ministério da Aeronáutica adquiriu um lote inicial de 20 unidades do Uirapuru, que passou imediatamente a ser fabricado. Mais tarde a FAB compraria mais exemplares, os quais foram todos empregados no treinamento básico dos novos pilotos da FAB. Depois de desativados os Zarapa, como ficaram popularmente conhecidos, foram doados a vários aeroclubes brasileiros, onde ajudaram a formar muitos pilotos civis.

Em determinado momento, porém, decidiu deixar a Aerotec, passando a trabalhar novamente no CTA, aceitando desta vez a um convite do Cel. Ozires Silva. Nessa época, o CTA havia decidido projetar um novo avião para a FAB, depois chamado Bandeirante, que justificou a fundação da Embraer. Reis é um dos pioneiros da Embraer e um dos primeiros engenheiros a trabalhar nessa nova empresa, quando o crachá de número 15.

Inicialmente ocupou o cargo de Gerente de Ferramental, responsável pelo projeto e construção de todos os dispositivos e gabaritos necessários para a produção em série do Bandeirante, e mais tarde vários outros cargos, como Gerente de Projetos, Gerente do Programa AMX, Gerente do setor de Materiais Compostos e Gerente de Produção. Deixou a empresa em 1993.


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