José Dion de Melo Teles

De wikITA

1963
Com o logo do ITA
2011
No Jubileu, 11/2013

Entendo que democracia é um regime que garante condições iguais
para que os Homens se demonstrem desiguais por esforço próprio.
Dion

(Ver "O impacto do ITA no seu processo de formação", capítulo 2 de seu livro Determinação e paciência na construção do futuro com uma extensa biografia e muitos aspectos sobre o ITA.)

Engenheiro eletrônico pelo ITA na turma de 1963. Enquanto aluno, foi diretor técnico da Rádio Universitária Santos Dumont RUSD, tendo montado o seu estúdio. Junto com o Parada foi bolsista e laboratorista do prof. Cassignol em pesquisa sobre desempenho de transistores. Foi duas vezes estagiário no IPD em telecomunicações. Consertava o equipamento de som do bar da quadra. Montou o laboratório de controle de qualidade da produção da Ericsson.

Fez pós-graduaçao em Administração em Stanford, Califórnia. Foi professor no Departamento de Administração da Universidade Nacional de Brasília e no Conservatoire National des Arts et Métiers (CNAM), Paris. Doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Foi presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 1975-79), presidente do SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados, 1979-86), presidente da DIGIBRÁS, vice-presidente do Grupo de Seguros Atlântica Boa Vista, membro do Comitê Executivo de Ciência e Tecnologia da OEA, Consultor do BID e presidente do Conselho da PRODESP.

Desenvolveu atividades e investimentos em agropecuária no Centro-Oeste, quando foi produtor em Alexânia, GO e organizou e dirigiu cooperativas de produção de leite.

Foi consultor na Innova Tecnologia Inovadora Ltda, hoje com sede em São Carlos, SP, e do Conselho de Relações do Trabalho da Fecomércio, SP.

Recebeu os seguintes prêmios e condecorações: Medalha do Pacificador, Comendador da Ordem do Mérito Naval, Comendador da Ordem do Mérito da Aeronáutica, Comendador da Ordem do Rio Branco, Medalha do Mérito da Inconfidência, Medalha do Mérito Santos Dumont, Ordem Mexicana da Aguia Azteca, Ordem do Mérito Alemão, Chevalier de l'Ordre des Palmes Academiques.

Autor dos livros Pela valorização da inteligência, Brasília: Cadernos da Editora da Universidade Nacional de Brasília, 1985 e Tecnologia, economia e direito: visão integrada e multisetorial, Coleção CIEE, vol. 86, abril de 2006.

Formatura do CPOR, com o seu padrinho e conselheiro prof. Tolle

A foto ao lado, de 1987, foi enviada para o grupo de e-mails ITATURMA63 pelo Dion, com os seguintes dizeres: "Para os eletrônicos envio foto do Prof. Cassignol abraçando-me na cerimônia na qual recebi a comenda Palmes Academiques depois de completar meu período de professor associado no Conservatoire National des Arts et Métiers (CNAM). Essa comenda foi uma gentileza do CNAM e do Ministério da Educação e Cultura da França. Na época ele era presidente de uma grande empresa do grupo Matra."

Ver também sua página na Wikipedia e uma página sobre ele no site do CNPq.

Dion faleceu em São Paulo no dia 6 de fevereiro de 2016.

Ver notícia de seu falecimento em nota do CNPq, do qual ele foi presidente. Ver cópia local dessa nota.

Ver impresso distribuído na sua missa de 7º dia, em 13/2/16.

Ver notícia da VEJA de 24/2/16. Acione a imagem para vê-la ampliada e poder ler melhor os dizeres.

Depoimentos de seus colegas

De Hitoshi da T63 em 7/2/16:

Acho que poucos sabem que nos conhecemos quando ele fazia bicos numa oficina de eletrônica no bairro de Aclimação em S. Paulo.

Como eu fazia o cursinho no Anglo da Aclimação à noite, creio que ele também o frequentava nesse período.

Não me lembro agora exatamente como ocorreu nosso primeiro contato, se foi na aula de uma mesma classe, ou no recreio, ou em outro lugar. Será que nos aproximamos pela similaridade de sofrimentos ou pobreza? Até maio de 1958, eu era soldado no Segundo Batalhão de Saúde, no bairro de Cambucí e, às vezes, ia fardado ao Anglo.

Lembro perfeitamente que ele falava que consertava aparelhos eletrônicos, na época todos valvulados. Portanto, já gostava de eletrônica.

Um dia ele foi me encontrar em casa de meus pais, na rua Dionísio da Costa 25, hoje Jardim Nova Klabin, na época jardim Vila Mariana. Ele tinha vindo do Piauí, e falava com amor e prazer da coisas da sua terra natal. Citava, entre outros nomes de pessoas, o Paulo Veloso, ministro de planejamento, que também era do Piauí.

Depois encontramo-nos no ITA. As convivências ou interesses de turma deixaram-nos um tanto afastados.

Lembro que o encontrei em São Paulo, na Vila Nova Conceição, depois do ITA, em 1964 ou 65. Encontrei-o depois muitas vezes no Rio, na Av. Pres. Vargas; ele estava no SERPRO e eu frequentava semanalmente a EMBRATEL.

Era um rapaz lutador, inteligente e perspicaz.

Eckmann (T62),Câmara (T62), Ozires Silva (T62), Dib (T63), governador Alckmin, Dion, Marcelo (T63)

De Dib da T63 em 7/2/16:

É lamentável a perda do colega Dion. Foi um dos poucos colegas iteanos com grande experiência no setor público. Para mim, ele era uma referência viva da história desde antes mesmo da nossa formatura. Felizmente a biografia que deixou, e que li recentemente, manterá viva a sua memória e as contribuições que deu na área de administração pública, de tecnologia e de ciência. Adeus, Dion, descanse em paz!

Meus últimos contatos com o Dion:

1. Reunião com o Governador Alckmin, em 23/11/2015 (foto à direita, acione-a para ampliá-la), para discutirmos a situação do país. Almocei com o Dion e o Marcelo antes da reunião. Na reunião o Dion fez diversos comentários e estava muito bem.

2. Email recebido, em comunicação pessoal do Dion, em 08/12/2015.

De Jed da T63 em 7/2/16:

Noticia triste e inesperada. Dion era maior que si mesmo. Tinha grande preocupação com a educação; uma de suas ideias para melhorá-la foi um projeto de rádio escola.

Saiu do Piauí para vencer. Ele me dizia algo como "venci a mortalidade infantil e agora ninguém me segura". E foi o que aconteceu.

Que o Pai o receba e a nós fiquem seus bons exemplos

De Marcelo da T63 em 7/2/16:

Em 24/11/15, Dion esteve com uma turma do ITA no Palácio do Governo de SP, onde fomos recebidos pelo governador. Na saída dei uma carona ao Dion até o terminal Butantã do Metrô, onde pegamos um trem, tendo ele descido na estação Paulista e eu seguindo até o Centro. Talvez eu tenha sido o último de nossa turma a ter estado com ele.

Sempre tive uma grande admiração pelo Dion e sua gloriosa carreira profissional.

De Barata da T63 em 7/2/16:

Faço este depoimento para registrar minha gratidão ao colega Dion.

Em março de 1968, o Ary Santos (T60) levou-me para a HP que recentemente abrira sua filial brasileira. Comecei como vendedor de instrumentos eletrônicos, mas quando a empresa passou a produzir minicomputadores, alguns anos depois, eu assumi essa linha de produtos.

O Dion, um belo dia, entrou em contato comigo para discutir seu projeto de desenvolver um sistema de entrada de dados revolucionário no Serpro. Pretendia usar um mini com múltiplos dispositivos de teclado para substituir as perfuradoras de cartão. Na visão do Dion, esse sistema permitiria criar arquivos de dados diretamente numa fita magnética, com muito maior velocidade e segurança. Dei todo apoio para ele e sua equipe, com informações técnicas e sobre programação. Nessa época o Dion chegou a visitar a sede da HP em Palo Alto e conheceu os fundadores da empresa pessoalmente.

O Serpro finalmente colocou um primeiro pedido para várias unidades, uma venda excepcional na época. Além de receber uma comissão gorda (que me permitiu comprar uma lancha de 16’, meu primeiro barco) fui agraciado com um troféu de segundo melhor vendedor do mundo na HP.

Essa venda deu-me visibilidade internacional na empresa, e catapultou minha carreira gerencial até o posto de presidente da filial brasileira.

Tudo por causa de um projeto inovativo do Dion.

De Renato Riella, que trabalhou com o Dion no Serpro, em seu blog

De Isak da T63 em 8/2/16:

A partida de um colega constitui a perda de uma parte de de cada um de nós. O Dion, mais uma vez, nos surpreendeu, desta vez tristemente.

Como aeronáutico não tive muita interação com o ele. Lembro-me que uma vez ele quis vir para São Paulo e eu o trouxe para minha casa em um fim de semana. Meu pai tinha um carro (Ford 47) cujo rádio (Motorola, importado) não funcionava direito e o orçamento para o conserto era muito alto. O Dion, ao tomar conhecimento quando passeávamos com o carro, sugeriu que eu levasse o rádio para o ITA para ele dar uma olhada. Naquela época ainda estávamos no fundamental, mas ele já entrava nos laboratórios de eletrônica. Ao examinar o rádio detectou, imediatamente, que havia um fio de bobina partido que ele habilmente soldou e, para meu espanto, com despesa zero o radio importado passou a funcionar maravilhosamente, e assim se comportou até o fim da vida do carro. Fiquei bastante impressionado e muito grato a ele.

De outra feita, quando eu já era professor da FEA, o Serpro, então sob a presidência do Dion, contratou-nos para um curso sobre gestão em informática, onde junto comigo alguns outros colegas da FEA ministramos aulas. Ao final do curso fui convidado para participar da cerimonia de encerramento e qual não foi a surpresa quando o Dion, então presente, chamou-me para receber, com grande surpresa para mim, a medalha de melhor professor da curso com direito a uma linda saudação pública por parte dele. Até hoje tenho dúvidas se ele não influenciou os alunos na avaliação, levando à inesperada homenagem.

De Nóbrega da T63 em 8/2/16:

Ainda estou me refazendo do choque. O Dion era quase um irmão. Ele se casou com uma gravata e um par de meias que emprestei a ele.

Fui trabalhar com o Dion no Serpro em dezembro de 1967. Em 1968 o "Grego", Contopoulos (T62), e o Mário Ripper (T64) começaram a desenvolver um ‘teclado’, que era uma prancheta de desenho adaptada, de onde saiam dezenas de fios. Em meados de 1968 o Dion nomeou-me diretor administrativo-financeiro e não tive mais tempo de acompanhar o processo de desenvolvimento do teclado, cujo problema maior era a ausência, no Brasil, de tecnologia industrial para produzi-lo. Pelo relato do Barata fiquei sabendo que o Dion uniu as descobertas da equipe do Serpro à capacidade industrial da HP para realizar o sonho de parar de usar os famigerados cartões perfurados.

Com tempo e calma pretendo reportar o que ocorreu no Serpro entre 1967 e 1973, além de outras histórias relacionadas com o Dion.

Velho (que era como ele me chamava)

De Luiz Alves, que passou pela T63, em 9/2/16:

Não há dúvida de que o percurso da vida tende a nos trazer essas notícias com maior frequência. Resta-nos lamentar, sobretudo quando a ausência definitiva está constatada.

De todos os colegas de nossa turma, Dion foi aquele que mais compartilhou de minha vida. Costumava vir para a casa de meus pais em S. Paulo, ali passando fins de semana, mesmo depois de eu ter saído do ITA. E meus pais gostavam muito dele.

De minha parte sempre admirei sua maturidade e compreensão da vida, assim como sua preocupação com o bem comum, e seu desejo de contribuir com nosso povo por uma vida melhor. O que acredito ter feito, pelos trabalhos realizados em cargos que ocupou, dentro dos limites que nos são impostos.

De Wellington (T63) em 9/2/16:

Com a passagem do Dion, nossa turma perdeu muito de ponderação, equilíbrio e sabedoria. Saudades.


Links externos

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