José Frederico Falcão

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Nosso adeus ao Falcão

(Texto redigido por Antônio Martins Ferrari)

Nasceu no Ceará. Diplomou-se pelo ITA em 1955. Foi o segundo engenheiro do ITA a ser contratado pela Ericsson em janeiro de 1956 (seguindo os passos do seu conterrâneo Eng. Pontes Dias – o primeiro engenheiro do ITA contratado pela Ericsson – que trabalhou um par de anos no departamento de Transmissão).

Conheci o Facão em 1957 em Estocolmo. Ele terminava seu estágio e preparava-se para regressar ao Brasil e eu chegava para iniciar meu estágio na L M Ericsson. Foi meu cicerone nos primeiros dias na cidade: a mão de direção era pela esquerda (invertida em 1967); a rede metroviária estava seccionada em duas partes, interligadas mais tarde com um ramal pela Gamla Stan. A cidade possuía ainda uma extensa rede de bondes e também trolley busses. Estes desapareceram com a conversão da mão de direção pela direita.

O Falcão, logo após ser admitido na Ericsson, seguiu para Estocolmo onde especializou-se em telecomunicações, modalidade de transmissão. Regressou um ano e meio depois para São Paulo onde estava sediado esse departamento. Sua carreira no setor em mais de 30 anos, bem como as dos seus contemporâneos, foram testemunhas dos surpreendentes avanços na telefonia.

Quando o Falcão retornou ao Brasil participou da conclusão da instalação do cabo coaxial entre São Paulo e Santos, que foi a segunda rota coaxial no Brasil, depois da Rio-Petrópolis instalada em 1955. Havia, então, apenas uma rota de micro-ondas da CTB interligando Rio e São Paulo. As linhas aéreas de cobre, suportadas por postes , cobriam muitas rotas do interior paulista. Foi a era da proliferação das ondas portadoras. Os circuitos eram ampliados com a instalação de ondas portadoras nestas linhas aéreas… A Ericsson instalou muitos desse sistema pelo interior e, na década dos sessentas, era líder neste mercado. O Falcão gerenciou a última implantação deste sistema nas linha telegráfica da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil entre Bauru (SP) e Corumbá (MS).

O Falcão liderou e executou este projeto em 1963. Foram meses de trabalho para troca de postes e cruzetas e instalações de filtros em todas as estações ferroviárias da rota. A equipe da Ericsson morou em um vagão que era puxado de estação em estação. Na época foi um recorde mundial em comprimento de ondas portadoras…

Depois desta fase tecnológica no departamento de transmissão, o Falcão dedicou-se a constituição de empresas telefônicas de âmbito municipal em cidades do interior, na fase histórica das telecomunicações brasileiras chamada “período do autofinanciamento”.

Com alterações organizacionais na Ericsson Telecomunicações o Falcão assumiu a Gerência da Divisão de Comutação e depois a Diretoria Comercial onde permaneceu até sua aposentadoria.

O Falcão partiu em 22/01/2018. Dedicou mais de 30 anos de sua carreira à Ericsson. Ingressou nela em 1956 e galgou posições importantes desde o de engenheiro de transmissão até a de diretor. Seus amigos e companheiros da Ericsson vieram prestar–lhe as merecidas homenagens e dar o seu adeus.

Antonio Martins Ferrari, fevereiro de 2018

Links externos

Resumo do TG

Nosso adeus ao Falcão (inclui relato em inglês da odisseia para trazer um equipamento de Estocolmo em 1960)


Turma de 1955

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