Luiz Pinto de Carvalho

De wikITA

Em 1963
No Sábado das Origens, 24/10/2008
No Jubileu, 11/2013

Nasci em 6/4/38 em Salvador, BA, onde me criei. Meu pai foi professor catedrático, emérito ao se aposentar, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBa), presidente da Academia de Letras da Bahia, sócio honorário do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, orador eloquente, cronista e apreciador de música clássica. Minha mãe é uma excelente dona de casa. Minha mulher, Vera, é uma ótima companheira; trabalha no TRF - II Região. Temos dois filhos, Cristina e Marcio.

Desde criança gostei de eletrônica. Todos diziam que eu seria engenheiro. Pensava: construir casas ou fazer instalações elétricas?! até que descobri o ITA. Fiz o vestibular de 1958 para o ITA e para a Escola Politécnica da UFBA; passei na UFBA, que tinha engenharia elétrica (mas não eletrônica) e fui reprovado no ITA. Abandonei o curso na UFBA para fazer cursinho em São Paulo e passei no vestibular de 1959 do ITA. Formei-me no ITA em Engenharia de Eletrônica em 1963.

Enquanto aluno do ITA, trabalhei na Rádio Universitária Santos Dumont (RUSD) como Secretário, Diretor de Estúdio, Superintendente Técnico e fiz "bicos" como sonoplasta e locutor. Em 1959, ajudei o Helmut Rüdiger (ELE 60) a pôr em funcionamento o transmissor de ondas curtas de 1 kW da RUSD; junto com o Prof. Plínio Tissi e com o Prof. Richard Wallauschek, trabalhei para evitar interferências nas TVs da área residencial do CTA, oportunidade em que conheci o Brig. Casimiro Montenegro Filho, na época Diretor Geral do CTA. Uma ocasião refiz todo o circuito da mesa de sonoplastia da RUSD; e ajudei José Dion de Melo Teles (ELE 63) a instalar uma antena vertical para o transmissor.

Fiz estágio na SEMP, em São Paulo, que, na ocasião, projetava seus próprios receptores de rádio e televisão. Pensava trabalhar em indústria.

Perto da formatura, visitei, com colegas, a Divisão de Eletrônica do IPD/CTA (o PEA), meio sem querer trabalhar lá, mas gostei do ambiente de laboratório bem equipado. Na SEMP propuseram um salário pouco menor que o do PEA, e no CTA eu teria alimentação e moradia de graça. Fiquei no PEA durante 1964, o que me deu oportunidade para presenciar e ficar irritado com as arbitrariedades que a dita "Revolução de 64" perpetrou no ITA. Em 1965, fiz estágio em Paris, na CSF.

Trabalhei na companhia telefônica da Bahia, TEBASA, de 1966 a 1968, e na Secretaria de Ciência e Tecnologia da Bahia, em 1969 e 1970. Se nesses dois últimos anos não houve tempo para realizar o desejado "Centro de Informática da Bahia", creio pelo menos ter lançado as bases da PRODEB, inaugurada pouco após minha saída da Secretaria. Nesse período de cinco anos dei aula no Departamento de Engenharia Elétrica da UFBA. Em 1969 e 1970, coordenei a criação da Escola de Engenharia da Universidade Católica do Salvador, onde, no primeiro semestre de 1970, atuei como diretor e dei aula.

Decepcionado com a politicagem em ambiente de trabalho na Bahia (e ainda não sabendo como isso é geral no Brasil), decidi sair de lá.

De 1971 a 1981 fui professor assistente do ITA, na Divisão de Eletrônica, tendo sido aceito devido à experiência anterior, com o compromisso de fazer o mestrado, que concluí em 1972. Lecionei 15 disciplinas diferentes.

Entre setembro de 1973 e março de 1977 estive na Universidade de Stanford fazendo o doutorado. De início, tive como orientador provisório o Brig. Aldo Vieira da Rosa, ex-diretor do IPD/CTA. Meu orientador de tese foi o Prof. Martin Hellman, inventor da criptografia de chave pública; fiz a tese sobre compressão de faixa junto com correção de erros em imagens. Voltei ao Brasil após a defesa de tese, porém ainda sem ter pronto o texto da mesma, que enviei pelo correio em agosto de 1977. Recebi o diploma de Ph.D. em janeiro de 1980.

Trabalhei em pesquisa no ITA com o Prof. Fernando Walter (ELE 63, já falecido). Na área administrativa, fui chefe do Departamento de Telecomunicações da Divisão de Eletrônica em 1980 e chefe da própria Divisão em 1981. Participei de várias comissões, inclusive do famoso "Inferninho". O "Inferninho" não persegue os alunos: avalia notas de alunos que seriam desligados, buscando determinar se podem ser aproveitados. Quando chefe de Divisão, fui também presidente de comissão para organizar o curso de Engenharia de Computação, que viria a ser efetivado em 1989.

Foi no ITA que fui mais feliz profissionalmente. No entanto, pedi demissão em julho de 1981 por ter sido convidado por Jerônimo José de Araújo Souza (ELE 63, já falecido) para trabalhar na ESCA Engenharia, no Rio.

De 1981 a 1990, trabalhei, como funcionário da ESCA, prestando serviços à CISCEA (Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo), no projeto desse Sistema (SISCEA), do Ministério da Aeronáutica. Em 1991, criei a empresa LPC Engenharia e Sistemas Ltda, por meio da qual novamente prestei serviços ao Ministério da Aeronáutica na coordenação técnica da elaboração da Configuração do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM). Também pela LPC, junto com a Holosys, dei consultoria para a Marinha do Brasil na simulação de medidas de Seção Reta Radar de navios e na modernização das fragatas classe Niterói, no tocante a radares.

Ainda através da CISCEA, elaborei a especificação do PRÓ-AMAZÔNIA (uma espécie de "Sivamzinho") e do PROMOTEC para a Polícia Federal.

De 1992 a 1994, dei consultoria, pela LPC, para a UNISYS Brasil.

Em 1997 e 1998, dei aula e coordenei uma pós-graduação na Universidade Veiga de Almeida e em 1998 dei aula como professor substituto na UERJ.

De 1998 a 2008, fui professor do Departamento de Engenharia de Telecomunicações da Universidade Federal Fluminense (UFF). Dei, em todos os semestres, a disciplina "Microprocessadores" e, ocasionalmente, outra de graduação e três de pós-graduação (num MBA, no mestrado e em especialização à distância). Fui coordenador, por pouco tempo, do curso de Engenharia de Telecomunicações e coordenador acadêmico de curso de especialização à distância. Aposentei-me como Professor Associado.

Após aposentar-me, tive o emprego mais frustrante de minha vida - como Subsecretário de Informática da Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia de Niterói, tentei tocar três projetos, sem nenhum sucesso por falta de apoio: Wi-Fi grátis no município, modernização dos recursos de Tecnologia da Informação (computação e telefonia) da Prefeitura e implantação de projeto já existente de um anel de fibras ópticas interligando instituições de ensino e pesquisa da cidade, este patrocinado pelo Governo Federal.

Atualmente, sou vice-presidente da ONG Alprogresso ("Alavancando o Progresso"), que busca levar eficiência administrativa e ética a municípios, e tenho participado de reuniões da Divisão Técnica de Eletrônica e Tecnologia da Informação, no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro. A LPC Engenharia e Sistemas Ltda continua a existir e está à disposição de quem precisar de serviços de engenharia em Eletrônica e Telecomunicações. Moro no Rio, na Rua Paissandu 51, apto 501, telefone (21) 2225-0191.

Sou autor do livro Introdução a Sistemas de Telecomunicações - Abordagem Histórica, Rio de Janeiro: LTC Editora, 2014, 209 pp. Fui revisor dos três livros mais recentes do Prof. Tércio Pacitti (que, aliás, prefaciou meu livro) e tradutor do livro Ligações Telefônicas Através da Internet, de Cheryl Kirk.



Turma de 1963

Professores do ITA

Academia Iteana de Letras

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