Michel Cury

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Nasceu em Guaianas, distrito de Pederneiras (Estado de São Paulo) no dia 24 de janeiro de 1938. Foi apaixonado por competições esportivas, se interessando por ensaios em vôo quando estava concluindo seu curso de engenharia aeronáutica, opção aeronaves, no ITA.

Nesse ultimo ano da escola, seu trabalho individual para graduação foi sobre o Programa de Ensaios em Voo do Panelinha, avião projetado e construído pelos alunos do ITA, destinado ao reboque de planadores. Junto com este trabalho, construiu alguns equipamentos de medidas para os ensaios programados. Embora o trabalho fora suficiente para obter seu diploma, não o agradou, pois o avião não ficou pronto.

Em 1962 resolveu trabalhar no Centro Técnico Aeroespacial (CTA), no Departamento de Aeronaves (PAR) do IPD (Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento), para um dia poder realizar os ensaios em voo daquele avião que ele esperava ficar pronto algum dia. Isto ocorreu em 1964, com o enorme esforço do Engenheiro Guido Fontegalant Pessotti (piloto do primeiro voo) e de alguns outros colegas.

Naquela época, teve que fazer um pouco de tudo, desde projetar equipamentos, ajudar na instalação, voar e fazer os cálculos depois. Como piloto brevetado, pode executar uma boa parte dos ensaios, inclusive protótipos.

Entre outras publicações, foi co-autor do primeiro Manual de Ensaios em Voo, o MANENV (1963).

Escreveu os manuais de voo dos aviões Regente e Regente Elo, da empresa Neiva em parceria com o Engenheiro Walter Bartels, que veio juntar-se à sua equipe em 1964.

O programa Bandeirante motivou o CTA e o Ministério da Aeronáutica a enviarem a primeira equipe, composta de um piloto e de um engenheiro de ensaios em voo, para a França, único país a aceitar a inscrição de dois brasileiros. Assim, deixou o Departamento de Aeronaves do CTA e juntamente com o José Mariotto Ferreira foi estudar no Centro de Ensaios em voo, na escola EPNER (dependente da DGA -direção do Ministério do Exército Francês) situada na cidade de Istres (1967-1968), com o objetivo final de efetuar os voos de ensaio do protótipo do Bandeirante. A aula inaugural na EPNER foi ministrada por André Turcat, que veio à ser o piloto de teste do Concorde. Brilhantemente, graduou-se como “Ingénieur Navigant d’Essai”.

Voltando ao Brasil, participou do voo inaugural do primeiro protótipo do Bandeirante, que ocorreu na manha do dia 22 de outubro de 1968, ao lado do Major José Mariotto Ferreira, e de seus vôos de teste, reassumindo a Presidência da Comissão de Homologação de Aeronaves, cargo ocupado desde 1967.

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Da esquerda para a direita: Major José Mariotto Ferreira, Michel Cury.

Integrou a equipe do Capitão Ozires Silva, trabalhando na Embraer S.A. de 1973 à 1985, quando então mudou-se para a França em 1986, para coordenar as vendas e suporte de produtos na Europa, Ásia e Meio-Oriente, trabalhando como presidente da EAI (Embraer Aviation International) até 1991.

Deixou a Embraer em 1993, transmitindo aos seus colegas de trabalho uma pequena mensagem de confiança e de fé: “Devemos colocar em cada pequena atividade, o máximo de nosso empenho e capacidade, pois, do conjunto das pequenas coisas é que nascem e crescem os grandes projetos...”.

Michel foi colaborar com a Aircar, Imp & Exp Ltda até 1994 como diretor geral da empresa, vendendo o primeiro Beechjet no Brasil e introduzindo novos métodos de vendas.

Seguiu sua carreira trabalhando na Aircobraz CCR Ltda, tendo como clientes a Embraer, Varig, TAM, Sata, etc .

Faleceu no dia 10 de maio de 2001.

Por decreto n°4.412, de 28 de março de 2017, o Prefeito Municipal de Pederneiras, Vicente Juliano Minguili Canelada, decreta que o Aeroporto Municipal passa a denominar-se “AEROPORTO MUNICIPAL ENGENHEIRO MICHEL CURY”.


Detentor da Insígnia C de prata em vôo a vela.

Condecorações e medalhas concedidas pelo Ministério da Defesa- Força Aérea Brasileira


  • Em 1985, recebeu a medalha Mérito Santos-Dumont, por ter prestado destacados serviços à Aeronáutica brasileira.
  • Em 1988, foi homenageado com a condecoração da Ordem do Mérito Aeronáutico, grau Cavaleiro, o reconhecimento por serviços prestados à Aeronáutica.


Homenagem


Sob o título “A falta que Michel nos faz”, o editor-chefe da Aero Magazine, Roberto Manera, escreveu na edição nº 86 da revista, o seguinte texto: “Nos sete anos, da primeira edição até esta própria, Michel Cury foi a “alma técnica” da redação. Comia e respirava aviação: jamais se jactou de seus conhecimentos, mas, cada vez que precisávamos recuperar algum dado importante sobre a nossa aviação moderna, ele abria uma gavetinha da memória e nos esclarecia. Quando pedíamos uma fonte à qual atribuir a informação, ele abria aquele sorriso meio envergonhado e dizia: “Eu estava lá”; ou “participei do projeto”. Michel foi o desenhista fundamental do primeiro “manual de ensaio em voo” de Aero Magazine, escrito por Daniel Torelli. Era um inspirador de jovens aviadores, de apaixonados pela aviação e de jornalistas dedicados à ela”.

Na mesma edição da Aero Magazine saiu também, na coluna do Engº Ozires Silva, o texto “A partida de um amigo”, como segue: “Meu caro Michel,....O amor à Aviação, este setor difícil e complexo das atividades humanas, sempre nos uniu....Seguindo um dos caminhos, acabou por se tornar Engenheiro de Ensaios em Voo, um tipo de especialidade pouco conhecida fora do nosso meio e, sobretudo, na época em que nossa indústria aeronáutica ainda não fabricava os aviões que hoje já conquistam uma liderança em todo o mundo. Não me esqueço com que entusiasmo e aplicação venceu no curso proporcionado pelo Centro de Ensaios em Voo, na França, ganhando a qualificação e o credenciamento para colocar no ar, pela primeira vez, sob o comando do nosso querido e inesquecível piloto – o então Major José Mariotto Ferreira –, o protótipo do velho avião IPD/6504, futuro Bandeirante, marco inicial para o sucesso de hoje da Embraer....Sim, meu caro Michel, vivemos juntos tristezas, frustrações, mas também alegrias e êxitos marcantes. Foi uma jornada e tanto da qual todos podemos nos orgulhar, em particular você que muito contribuiu para chegarmos onde estamos.... Você foi grande, como grandes são aqueles que têm a coragem para criar”.


Links externos

Resumo do TG

http://www.fab.mil.br/medalhas
Aero Magazine, edição 86, ano 8
Aula inaugural do VI curso de ensaios em vôo (CEV) do dia 20 de fevereiro de 1995
Jornal “bandeirante” de 03 à 09 de setembro de 1993


Turma de 1961

Aviadores Iteanos

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