Nelson de Jesus Parada

De wikITA

1963

Nasceu em 5/8/39.

Notas biográficas de Amélia Império Hamburger, publicadas no livro Fapesp 40 anos: abrindo fronteiras, de 1997.

Nelson de Jesus Parada trabalhou em áreas da fronteira de desenvolvimentos científico-tecnológicos, fazendo carreira, aqui no Brasil, a partir dos anos de 1970, alternando posições na Unicamp, no INPE - Instituto Nacional de Pesquiisas Espaciais, São José dos Campos -, na Embraer, e em secretarias de governo e órgãos de fomento, em âmbito federal e estadual. Teve papel importante na criação e gerenciamento de fundações instituídas para contratos com em´resas, para suprir a "falta de agilidade administrativa das universidades, institutos e órgãos governamentais".

Parada nasceu em Campinas. Motivou-se para estudos em eletrônica ainda menino. Formou-se em Engenharia Eletrônica em 1963, no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, ITA. Aí fez mestrado e lecionou até 1965. Foi para os Estados Unidose, em 1968, no Massachussets Institute of Technology, MIT, completou o doutorado em Física do Estado Sólido. Durante essa estada realizou projetos para a General Motors e a General Electric. Manteve contatos com Rogério Cézar de Cerqueira Leite, Sérgio Porto, Sakanaka, Ripper, Busnardo e outros que estavam nos laboratórios Bell e universidades americanas, e que, mais tarde, ajudou a trazer para a Unicamp, em 1970.

Em agosto de 1968 voltou para o Brasil, convidado por Luís Guimarães Ferreira, que também estivera no MIT, para o grupo teórico junto ao Laboratório de Física do Estado Sólido do Insituto de Física da USP, criado pelo professor Mário Schenberg, iniciado em 1961 com apoio do reitor Ulhôa Cintra. Aí tornou-se livre-docente junto à cátedra de Mecânica Racional, em 1969. "Estávamos em 69, uma época conturbada no Brasil, com AI-5 e outras coisas terríveis acontecendo. O reitor era o professor Buzaid e meu contrato, que saiu em agosto de 69, foi cancelado pela reitoria, depois do primeiro mês, alegadas razões processuais [...] As informações de que o contrato não havia seguido pelas comissões adequadas foram internas ao próprio Instituto de Física, pois havia uma certa tentativa de que o grupo de Física do Estado Sólido lá não se implantasse".

Aceitou convite do reitor Zeferino Vaz e de Marcello Damy, então coordenador, para poarticipar do Instituto de Física da Unicamp. No início dos anos de 1970, com apoio desses e de outros professores, promoveu a vinda do exterior do grupo de pesquisadores brasileiros e deu início ao Departamento de Física do Estado Sólido, que logo conquistou destaque científico. Parada implantou a pós-graduação do Instituto de Física e, depois, de toda a Unicamp. Em 1975 foi professor visitante no Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia, onde também organizou a pós-graduação.

Parada, em 1975, assessorou o então presidente do CNPq, José Dion de Melo Teles, seu colega de turma do ITA, em programas de desenvolvimento científico-tecnológico.

Em 1976, assumiu a direção-geral do INPE. Foi implantado o programa de pós-graduação, incluindo a parte de tecnologia espacial e aplicações. Foi responsável pelo projeto e construção do Laboratório de Integração e Testes de Satélites, inaugurado no início de 1986. Em 1984 foi à China, numa comissão do governo Figueiredo, quando se estabeleceu a cooperação sino-brasileira, que culminou com a construção de um satélite conjunto de sensoriamento remoto, o CBERS. Parada orgulha-se em dizer que todo o projeto desse satélite, e de outros que se seguiram, foi gerenciado pela Funcate - Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais -, que ele instituiu e da qual foi presidente. Durante sua gestão o INPE participou ativamente das comissões internacionais na área de ciência, aplicações e tecnologias espaciais estabelecidas na época. Parada responsabiliza-se, junto com o Centro Técnico Aeroespacial, por idealizar a Missão Espacial Completa Brasileira, aprovada pela Comissão Brasileira de Atividades Espaciais. Depois de dez anos, em 1986, saiu do INPE.

Voltando para a Unicamp exerceu a pró-reitoria de pesquisa, na gestaão Pinotti. Assumiu ainda a diretoria administrativa da Embraer, em mandato de três anos. "Com minha passagem pela Embraer ganhei a experiência que me faltava: a industrial", comenta Parada.

No governo Sarney, Parada fez parte do Ministério da Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, inicialmente como secretário de Ciência e Tecnologia e, depois, como secretário de Tecnologia Industrial, quando Roberto Cardoso Alves era ministro. Em 1988 voltou para a Unicamp e, na reitoria Vogt, participou da implantação da Fundet - Fundação do Desenvolvimento Tecnológico -, em 1990, da qual foi diretor-presidente durante os três primeiros anos.

Na FAPESP foi membro do Conselho Superior de 1971 a 1977, novamente indicado de 1985 a 1991. No terceiro mandato, em 1993, foi nomeado diretor-presidente, posição que ocupou até 1996. Sempre ativo no comando de instituições e de programas, com opiniões fortes e determinadas, bateu-se algumas vezes, de frente, contra outras opiniões e correntes de atuação na FAPESP. Caracteriza as desavenças como diferenças de "visões filosóficas", não como problemas pessoais.

Parada é professor titular aposentado da Unicamp e presidente do Grupo Engetec, composto por empresas que atuam principalmente no mercado de telecomunicações.

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