Neriglissor Cavalcanti

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Neriglissor era um poeta estudante de engenharia.

De sua farta produção poética chegaram até nós estes dois sonetos, publicados no jornal O Iteano

Soneto I (publicado na edição #9 e 10, de agosto e setembro de 1954)

  • Sabes acaso com que dor medonha,
  • vejo passar um dia após um dia,
  • tendo em minh'alma, essa carcaça fria
  • das ilusões, uma ilusão tristonha?


  • Essa ilusão de ver com quem se sonha,
  • que a todo instante engana e me extasia,
  • de amor enchendo a vida tão vazia,
  • sempre fugace e às vezes tão risonha?


  • Eu sei que tu não sabes, mas te digo
  • que vivo apenas a sonhar contigo,
  • temendo sempre não sonhar depois!


  • Pudesse o sonho, minha amiga, agora,
  • partir de mim, pelo caminho afora,
  • buscar-te ao longe para unir nós dois.




Soneto II (publicado na edição #11, de outubro de 1954)

  • Eu te avistei e tu bem mal me viste
  • Já fingias não ver que eu te mirava!
  • Tu me avistaste, e cada vez mais triste,
  • Notei o teu olhar que me evitava.


  • Segui-te, e o teu caminho tu seguiste,
  • sem te importar saber que eu te buscava...
  • no entanto estou bem certo que inda existe
  • o amor de que tua boca me falava!


  • Parei, continuaste o teu caminho,
  • e eu fui ficando mais e mais sòzinho
  • foste ficando mais e mais distante!


  • E eu pensava, entrementes, com saudade:
  • eu te daria em trôco a eternidade
  • para ficar contigo um só instante.

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