Nivaldo Laguna Ciocchi

De wikITA

1963
2014

Tabela de conteúdo

Minicurrículo

Nasceu em 12/12/40, em Ribeirão Preto, SP. Formou-se em eletrônica no ITA (T63). Foi o único e, portanto, o mais prezado título da sua carreira.

Sobreviveu profissionalmente trabalhando em várias empresas de São José dos Campos: CTA/IPD/PEA (duas vezes), Pontes & Moraes (depois TECNASA), Embraer e Neiva.

Foi aprendiz de empresário na PEK (Produtos Eletrônicos K), piloto privado e é músico amador.

Relato do Nivaldo contando da viagem que alguns colegas da T63 fizeram para o Nordeste

(Enviado em junho de 2013 para o grupo de e-mails ITATURMA63.)

Estive num memorável vôo de B-25. Na volta, o C47/DC3 que nos trazia teve de parar no Rio porque as horas de revisão tinham vencido. Por acaso, havia um B-25 que ia para São José.

Sendo avião militar, só o pessoal do CPOR podia pegar carona. E fomos. Rapaz, não dá para esquecer! A entrada, para os que iam na frente (porque outros iam atrás; até o compartimento de bombas acho que foi ocupado), a entrada era por um alçapão na barriga do avião. O último a entrar era o mecânico, figura necessária em caso de pane. Quando os motores foram ligados, parecia que tudo ia desmanchar. O ruido era tal que ficava impossível conversar. A comunicação era feita por mímica. A mim coube, após a decolagem, ocupar o lugar (só cabia um) no nariz de vidro do avião. O acesso era feito agachado através de um túnel. Sentei com as pernas cruzadas bem na beira do abismo, pois lá não havia banco. Chovia um pouco e a água vazava para dentro. Tudo vibrava. A vista era maravilhosa! Num pequeno painel lateral havia um altímetro e um velocímetro. Lá pelas tantas, já no vale, o altímetro pegou a baixar e o velocímetro a subir. Que se passa? Os caras estavam tirando uma razante da pista de Guaratinguetá, costume dos aviadores militares de saudarem os companheiros de bases remotas. Chegando a São José, começou o trabalhoso procedimento de pouso. Eu tive de deixar o nariz e fui me meter atrás dos pilotos. Já na longa final, tudo arriado e a jaca pendurada nos motores esporrentos, deu para ver, lá longe, um Paulistinha feito pata choca taxiando em direção à cabeceira 33 (a nossa). Será que vai entrar? Não é possível, entrou! Tivemos de arremeter: dá motor, recolhe o trem, o flape, uma trabalheira. O 2P ficou furioso, queria denunciar o Paulistinha. O comandante pôs panos quentes. Quando deixamos o avião deu vontade de beijar o chão, como o papa.


Um B25
A parte da T63 que foi para o Nordeste

Desenhista

(Acionar as imagens para vê-las ampliadas.)

Colegas da T63

Affonso em 1980, enquanto este ainda vivia
Amadeu, feito em tablet digitalizador
Autodesenho
O Palhaço Croquete
Pafúncio

Outros desenhos

Amamentação, a caneta
tinteiro, obra de juventude
Velho Sorrindo,
obra de juventude
A revolta dos macacos, inspirada em [1]
Seu amigo Detoni
O Sexalescente, feito depois de um curso por correspondência


Veja as ilustrações em forma de história em quadrinhos As Caçadas de Pedrinho, que o Nivaldo fez em parceria com Monteiro Lobato, em ppt editado pelo Wolfgang Bandel.


Nivaldo tem também uma veia “artístico-humorística”, como mostra o “autoretrato” ao lado, que ele mesmo descreve assim: “O auto retrato foi tirado no espelho do banheiro do Hotel do CTA, logo após nossa formatura. Depois, virou quadro.”
1964

Cronista

A música propicia momentos inesquecíveis também para quem toca


Quando participava da Orquestra da Universidade de Taubaté (apelidada maliciosamente de ‘OSTA’ (Orquestra Sinfônica de Taubaté)), fomos tocar no Cine Urupês, cinema já desativado, grande prédio que mais parecia um navio emborcado. A apresentação era para crianças das escolas de Taubaté. Platéia repleta de olhinhos curiosos a nos mirar com expectativa, tudo pronto, o maestro ergueu a batuta e... as luzes se apagaram. Todas! O prédio, projetado para cinema, não permitia a entrada de nenhuma nesga de luz exterior (era dia). Negrume absoluto. A molecada aprontou uma algazarra semelhante à dos pássaros na Praça Afonso Pena nos pores de Sol joseenses. Berravam a plenos pulmões. Nós, que já não enxergávamos, passamos também a não entender o que se falava. Cegos, mudos e surdos!

Foi então que comecei a ouvir, vinda lá da percussão, uma batida quase imperceptível de valsa. O trombone próximo emendou uma melodia. Depois o trompete, os sopros, as cordas. Em instantes, toda orquestra estava em ação (menos eu, que sou músico marca traque). A zoeira, a partir da frente, foi diminuindo, minguando, até sumir. Apareceram então as palmas que, rapidamente, se transformaram em ovação. Momento consagrador! Ganhamos o dia!

Músico

Fez parte do Conjunto de Câmara do ITA, onde tocava violino.

Em 2/2/14 ele escreveu o seguinte relato:

O Conjunto de Câmara do ITA era apelidado, no início, de "Bill Wallau e seus Elétrons", inspirado no "Bill Halley e seus Cometas"; "Wallau" referia-se ao prof. Wallauschek, na casa de quem ensaiávamos.

A Wikita apresenta uma boa referência histórica ao CCITA em Conjunto de Câmara do ITA. O texto do Yaro no programa mostra bem o espírito da coisa.

Da nossa turma, três participavam: eu, o Setzer e, mais tarde, o Ciampi. Eu entrei em 1959/60, tocando violino; mais tarde, depois do falecimento do prof. Wallauschek, que tocava violino mas principalmente viola, o Yaro passou a tocar viola e depois que ele saiu quem tomou a viola fui eu. Saí do conjunto 30 anos depois de ter entrado, quando voltei a Ribeirão, já no ocaso do grupo. Tenho a declarar que ele foi parte importante na minha formação e na minha vida.

O conjunto tinhas algumas características interessantes (talvez daí sua longevidade). Cada um conhecia as deficiências dos outros, mas jamais alguém comentou alguma coisa. Pelo contrário, quando chegava algum trecho rápido da música, todos diminuíam o ritmo para acochambrar o colega que tinha dificuldade em tocar rápido. Passada a turbulência, voltava-se ao andamento normal.

Afinação também não era nosso forte. Quando um acorde calhava de sair perfeito, segurávamos mais um pouquinho só para curtir aquele momento raro.

Como não tínhamos compromisso com público (após uma fase inicial, os concertos foram excluidos) nem com a perfeição da execução, enfrentávamos os grandes compositores sem nenhum constrangimento. Beethoven, Dvorak, Mendelssohn, Schubert e até Brahms foram respeitosamente maltratados.

Alguns colegas, mais exigentes, acabaram deixando o conjunto. Mas outros vieram. Numa fase mais avançada, já fora do CTA (os únicos iteanos remanescentes erámos eu e o professor Köhler, vinha gente da cidade, de Taubaté e de Moji das Cruzes. No fim dos ensaios na casa do prof. Köhler, vinham os doces e a gentileza da dona Vitória (esposa do prof. Köhler), que coroavam a festa. Voltávamos todos felizes para casa. Era um pedacinho do Céu na Terra. Sinto falta...


Mais um relato do Nivaldo, em 28/5/16 em e-mail para a T63:

A Música propicia momentos inesquecíveis também para quem toca.

Lembro que, uma vez, em São José, fomos tocar no casamento de algum colega. Almoçamos lautamente no Gigi e seguimos para a igreja de São Dimas. Chegamos antes do horário. Um casamento anterior ao nosso (quer dizer, ao do nosso colega) estava em andamento. Entramos e subimos direto para o mezanino (aquele balcão elevado, acima da porta de entrada, que comumente alojava o coral, os músicos, o órgão etc.), para aprontar as coisas (estantes, partituras, afinação...). Tudo preparado, olhamos para baixo e vimos, cerimônia já consumada, os noivos se preparando para sair. Era um casamento muito humilde (os que costumam durar), meia dúzia de gatos pingados, nem música tinha. Não tinha música? Mas nós éramos músicos e estávamos armados! Nenhuma palavra foi necessária. Uma rápida troca de olhares e irrompemos com uma monumental Marcha Nupcial, coisa de causar inveja à Filarmônica de Berlim. O som invadiu a igreja vazia, o pessoal lá em baixo olhou com sorriso de agradecimento e alegria e os noivos desfilaram com toda a pompa e circunstância. Nunca toquei com tanta vibração!

Sobre o Op. 16, de Beethoven, em 11/7/17

Violista no quarteto Op. 16 de Beethoven

'Opus 16' era como nós do CCITA nos referíamos ao quarteto com piano do Beethoven. Isto, bem depois da participação do Setzer, quando, do CTA, só sobramos o prof. Köhler e eu. Eu gostava muito desta música porque tinha um solo muito bonito de viola (meu instrumento na época), no segundo movimento. Eu sabia que este quarteto era uma versão (feita pelo próprio Beethoven) de um original quinteto de piano e sopros, que eu nunca tinha ouvido. Encontrei-o no youtube, a parte da viola é feita (um pouco diferente) pela trompa:

Observe-se a elegância e a delicadeza da pianista Klára Würtz, uma cinquentona até então desconhecida por mim com seus dedos mínimos na metade do tamanho normal.

Para comparação, aqui vai o segundo movimento do quarteto com o "meu" solo:

E, como curiosidade, aí ao lado está uma foto desbotada dum concerto no teatro negro de Moji das Cruzes, onde eu apareço, ainda de cabelos escuros, violando o famoso Opus 16.

Artesão

Violino construído pelo Nivaldo

Outras atividades

Nivaldo vem trabalhando há muito tempo numa ideia que está prestes a seu tornar um produto. É uma espécie de ILS portátil, capaz de ser instalado em campinhos, plataformas de petróleo, porta aviões etc. (2/5/14) </div>

Ver também

Ferramentas pessoais