O menino dentro do tubo de ensaio

De wikITA

O texto a seguir foi enviado pelo Luis Jesus Kantek y Garcia Navarro da T68

O menino dentro do tubo de ensaio

O Professor Carl Herrmann Weis era uma figura ímpar. Poucas vezes na história se tem oportunidade de conviver com um cientista e sábio deste quilate.

Lembro-me uma vez, eu estava passando no corredor, frente ao Laboratório de Química e o professor Weis, me vendo, chamou: “Kantek, entre aqui”.

Na época (eu soube depois) estava o mestre em uma pesquisa para identificar o comportamento das correntes elétricas superficiais nas faces de um cristal no momento de sua ruptura. Não me formei químico e até hoje não consigo captar o alcance de tal conhecimento.

O professor fazia crescer um cristal através de uma solução super-saturada de extrema pureza e quando o cristal atingia um tamanho que propiciasse o prosseguimento da experiência, retirava-o, lavava-o, colava em suas superfícies abundantes e minúsculos sensores elétricos conectados a uma parafernália eletrônica e ...


Atendendo ao chamado, entrei no laboratório e vi uma mesa com um mísero e pequeno cristal ligado aos medidores elétricos. O Prof.Weis com aquele ar de triunfo e sorriso de satisfação, próprio dos vencedores, pegou um martelo e desferiu golpe sobre o incauto cristal. Virou-se para mim e perguntou com orgulho: “Você viu?”


O que eu tinha visto era a destreza com a qual manejou o martelo e um monte de farelo de cristal sobre a mesa. Mas com presença de espírito e quase terror de dar um ‘bola-fora’, disse: “Fantástico, Professor, a comunidade científica vai ter o que discutir sobre o assunto!”. E pedi licença, e me retirei antes de ter que explicar o que era tão fantástico.


Este era o professor Weis que durante a aula escrevia com ambas as mãos ao mesmo tempo, textos diferentes. Ambidestro, com um giz na direita e outro na esquerda desenhava o eixo Y com a esquerda e ao mesmo tempo o X com a direita, escrevia simultaneamente o nome das grandezas plotadas (no eixo Y de cima par abaixo). Colocava os indicadores das grandezas tudo ao mesmo tempo e com ambas as mãos, e saboreando, desenhava a curva que, no seu intelecto, representava uma equação que nós absolutamente desconhecíamos.


Contava a ‘rádio-corredor’ que um dia o professor, talvez um pouco atrasado, estava saindo intempestivamente de sua casa para ir ao E2 quando sua esposa disse: “Carl, nosso filho está com um pouco de febre”. O professor imediatamente respondeu: “Tudo bem! Coloque-o em um tubo de ensaio e deixe na estante por 30 minutos”. E foi-se esbaforido para a escola.

Eu estava assistindo sua aula, quando no meio da terceira frase, cortando uma palavra inacabada, virou-se para o professor assistente e pediu-lhe para assumir a lição. Saiu correndo, pegou o carro e foi para casa. Lá chegando, aterrorizado, falou para a esposa: “Você disse que nosso filho estava doente!”. A mulher, que conhecia o marido que tinha, respondeu: “Não se preocupe! Já o levei ao posto médico, parece que era uma indisposição passageira. Foi medicado e está brincando no quarto”.


Por essas e outras é que foi identificado que o Professor Weis era um poderoso radical livre que foi utilizado na síntese do nome-de-bixo do colega Furio Damiani (FUND-68), “Weiselina”.


Luis Kantek (Vapapoli)


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