Paulo Ignácio Fonseca de Almeida

De wikITA

Foi Presidente do CASD no biênio 1971/1972.

Apelido de Bicho OVO

Engenheiro Eletrônico pelo ITA e Doutor em Engenharia Mecânica pela Unicamp em 1992. Foi professor do Depto de Energia , Divisão de Mecânica do ITA de 1974 a 1975, professor do Depto de Tecnologia Mecânica e pesquisador do LES UFPb (o Laboratório de Energia Solar da Universidade Federal da Paraíba) em João Pessoa, de 1975 a 1989.

Atualmente é professor aposentado do DEQ UFSCar ( o Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de São Carlos) onde foi admitido em 1989. Foi membro do Comitê Educacional do Fórum Mundial de Batelada (WBF) e membro Sênior da ISA (Associação Internacional de Automação).

Possui diversos trabalhos publicados, entre eles “Controle de Processos em Batelada no Ensino de Engenharia Química”; “GMC-Fuzzy Control of pH During Enzymatic Hydrolysis of Cheese Whey”; “Um Olhar Sobre a Norma ISA S88”; “Design of a Fuzzy System to the Control of a Biochemical Reactor in Fed-batch Culture”.

Foi idealizador e tutor do grupo PET-Capes " A Fábrica do Futuro" do DEQ UFSCar , destinado a formar lideranças em áreas especiais e coordenou o projeto PIPE (Programa FAPESP idealizado pelo Alcir José Monticelli, o Pardal da T70) de Apoio a Pequenas Empresas, primeiro da UFSCar, em parceria com o DEP, Departamento de Engenharia de Produção da UFSCar, o ITAL Chocotec de Campinas e a Fábrica de Chocolates Finos Serrazul de São Carlos.

Foi o primeiro Diretor Institucional da FAI UFSCar (Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico da UFSCar) e seu Diretor Executivo de 2000 a 2001 quando implantou o Sistema de Gerenciamento de Projetos e Processos (GPF) da Fundação, permitindo aos docentes e pesquisadores da UFSCar o acompanhamento "on line", através da Internet, de seus projetos de pesquisa/extensão gerenciados pela FAI.

A partir de junho de 2009 é novamente Diretor Executivo da FAI UFSCar.


Depoimento em e-mail do Paulo Ignácio ao grupo da Turma 73 em 27 de julho de 2009:


Entrei no ITA por causa de Matemática. Tirei nota 83 no vestibular, Se fosse por química e desenho tava ferrado: 53 e 54 pontos no exame de admissão.

Química tudo bem. Nunca entendi direito mesmo nem a diferença entre molal e molar. E olha que eu tinha estudado pra cacete no cursinho.

Os exercícios de desenho geométrico do Nicolau Marmo (do Anglo Latino) foram os que mais tinha prazer em responder. Na preparação não deixei pra tras nenhuma lista de exercícios passadas para casa pelo Marmo. Tirei dez na prova do vestibular da Poli. Não errei nada. Mas no ITA o Blutaumüller com aqueles pontos futuros onde a vara de atletismo se apoiava e a trajetória que a dita cuja no salto desenhava.............

Eu só entendia bem das belas parábolas descritas pela bola de basquete durante o arremesso, quando se quebrava a munheca corretamente, durante um belo jump certeiro. Era a glória ouvir o chuá..... da bola entrando na cesta certeira. Que prazer. Aqui está nosso super time de basquete campeão da O.I. 69.

Em 70 por causa do sucesso do nosso time entrei pro time de basquete do ITA com o Marson como técnico. Fui tambem diretor da AAAITA, a atlética do ITA. E ajudei a promover a O.I. 71 na qual nosso time de beisebol faturou mais uma e acho que nosso time de basquete continuou fazendo bonito.

Com o time do ITA disputamos com a Paulista de Medicina, ITA-MED, e fomos pra escola Naval jogar contra o time deles naquela ilha que acho era a ilha do baile fiscal do Império. Ganhamos as duas.

Bom mesmo era frequentar a piscina do CTA. Tinha que ter carteirinha e tudo e manter o exame médico em dia pra ver se não tinha micose nas virilhas.

Foram meus melhores anos academicos no ITA. Minhas melhores notas no geral. Passar raspando só em MAT-43 (6.6, quem era mesmo o mestre?) e em TER-14 (6 bola 5) com o Pio Lobo que me contrataria pra ser seu auxiliar de ensino nessa mesma disciplina no ITA em 74. Está aqui meu histórico escolar do fundamental.

Aquela coisa do processo casi static, dos pesinhos que saem e entram sem trabalho e o movimento infinitamente lento do process reversível, o mais perfeito dos processos entre dois stados termodinamicos. Só fui mesmo aprender o que o Pio queria dizer lendo aquela sua apostila, quando fui dar aulas de TER pros bichos de 74 e 75.

Até que me saí bem com o Blutaumüller no desenho técnico (8,2). Escapei daquela chupada geral no desenho de não sei quem (acho que por emelhos anteriores, do Venício) durante as madrugadas nas vésperas de entregarmos nossas produções e que gerou uma convocação nas férias do final de 69 pra se explicar. A gente foi besta. Quem entendia mesmo de desenho geométrico era o Teruel. Se tivessemos pedido umas aulas pra ele, não teríamos passado pela desagradável conversa com o Brutal durante aquelas nossas primeiras férias da ITA, em janeiro de 1970.

Começavam aí os episódios sobre o fato de não mais o DOO do CASD cuidar dos casos de escorregadas em relação à DC por parte dos alhunos e sim os próprios professores. Tempos de AI5. O CASD estava cassado junto com a UNE e nós nem demos um trote decente na T74, nem ficamos conhecendo nossos bichos direitos. Ossos do ofício. Mais tarde criaram um tal de inferninho que acho não enfrentamos, mas aqui a Elza Heimer não me deixa lembrar com precisão.

Aquele episódio do Seminário de Engenharia em Porto Alegre foi surrealista. Era o ano de 1972 e eu presidente do CASD fui pedir auxílio ao Cel Paulo Victor da Silva, na época diretor do CTA, para participarmos do Seminário. Acho que junto com o Piu Piu da T72, fomos muito bem recebidos e até para nosso espanto, conseguimos um C-47 da FAB e o alojamento nas proximidades de Porto Alegre.

Nossa delegação, com o Pio Caetano Lobo e mais outro professor, do qual não me lembro do nome agora, como "preceptores", chegou ao Seminário de avião e fomos instalados na Base Aérea próximos a Porto Alegre, como nunca poderíamos imaginar, com todo o conforto espartano do cassino dos oficiais.

Massss, enquanto rolava o Seminário (veja foto do auditório onde se realizavam as sessões) nas dependências superiores do colégio onde estávamos, no andar de baixo rolava outra reunião muito mais intensa e misteriosa, esta para reorganizar a UNE (União Nacional dos Estudantes) naquele tempo na clandestinidade, com a sede do Flamengo tomada, etc... etc...

Que situação! Nós com todo aquele tratamento VIP, no meio de um acontecimento histórico e caídos, literalmente, de para quedas.

É bom lembrar que no episódio de Ibiúna em 68 o CASD prudentemente só tinha mandado o Murilo Aguiar de Campos, presidente da época, que deve ter caído fora percebendo a fria em que os estudantes estavam se metendo ao fazer um Congresso tão grande numa cidade tão pequena e nenhum iteano tinha sido preso naquela época.

Só recentemente ficamos sabendo que o Zé Arantes, jovem iteano expulso do ITA por suas posições políticas em 64 e vice-presidente da UNE em 68 seria preso e posteriormente fugiria pela porta da frente do DOI-CODI aproveitando-se da zona decorrente da prisão da maior parte dos participantes do Congresso de Ibiúna pela PM paulista. Também agora sabemos que Zé Arantes em 71, já aderido á luta armada contra a ditadura, seria morto pela repressão política do regime militar.

A paulada no CASD só veio em 69, quando já éramos bichos, com a perda da posse da casa de Caraguatatuba, por decreto direto do Costa e Silva e do quase desligamento do Pardal, presidente do CASD em 69 e uma das inteligências mais brilhantes que já conheci.

O Pardal só não foi preso pela posição firme do Prof. Lacaz, reitor do ITA, de sua Congregação e certamente do diretor do CTA, Cel Paulo Victor da Silva.

Bom, no Seminário os caras ("companheiros do movimento estudantil", que eu nunca tinha visto mais gordos) colavam em mim pra saber afinal qual era a nossa e faziam pressão para eu votar X enquanto eu achava que tinha que votar Y.

Lembro que o Llagostera (T74), naquele jeitinho caladão dele, fazia as expressões mais putas da vida quando eu cedia à pressão.

Massss, na realidade o que estava importando era o que tava rolando embaixo de nós. Embora com toda a desconfiança na nossa delegação, vieram nos convocar para participarmos da reunião que realmente importava. Nossos representantes, depois de uma rápida decisão em petit comitée, foram o Sebastião de Amorim e o José Cechin, que seria mais tarde Ministro da Previdência do governo FHC, ambos da T74.

Desta forma podemos nos orgulhar de ter participado da reorganização da UNE, mesmo sem entender bem onde estávamos metidos, seminário esse que foi um marco da redemocratização do país.

Eu fiquei tão aturdido com a situação insólita em que nos metemos que nem voltei para a base área no final do seminário e fui direto pra Campinas de ônibus, com alguém que não me lembro exatamente quem era, acho que o Taiti Inenami.

Ali, naquele ônibus, começava outra saga pessoal que só eu sei, agora, o que me esperava como consequência daqueles tempos em que, batizados, nos tornamos filhos do medo.

Em seu escritório na FAI UFSCar, foto de 15 de maio de 2009

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