Pedro Luiz: O premio Nobel

De wikITA

O PRÊMIO NOBEL


Labutei muitos anos em projetos de ensino a distancia na contramão da tendência majoritária. Esta vale-se da internet e suas facilidades para oferecer o ensino on-line, com as inegáveis vantagens do horário livre a da capilaridade, atingindo o educando em sua mesa de trabalho. Há, entretanto, um grande público a ser atendido que não é adequado a esse tipo de ensino, para o qual a recepção de aulas ou palestras em uma sala ou auditório através da técnica de teleconferência se mostra mais conveniente. Para esse público chegamos a desenvolver e utilizar terminais individuais de interatividade, constituindo o que chamamos de Educação Teleinterativa. Na nossa opinião, o governo brasileiro, se fosse sério, tivesse vontade política e desejasse realmente implementar no país um ensino básico para valer, poderia se valer de algo semelhante.

Não é minha intenção, entretanto, dar aqui uma aula sobre a problemática do ensino a distância, mas relatar uma experiência que realizamos na Fundação Vanzolini, onde toquei vários projetos nesse campo. Esteve no Brasil em 1996 o Prêmio Nobel de Economia húngaro John Charles Harsanyi, que havia conquistado esse galardão juntamente com o mais conhecido John Nash, americano retratado no filme “Uma mente brilhante”, por seus trabalhos no campo da Teoria dos Jogos. Fizemos gestões, um grande banco privado patrocinou e programamos uma teleconferência, com sinal aberto para todo o Brasil, na qual o ilustre convidado falaria em inglês, com tradução simultânea, sobre o seu assunto durante 1:20h, seguido de 40 minutos para debate com o público remoto. Sintam a situação: uma teleconferência organizada às pressas, com pouca divulgação, para um conjunto de pontos de recepção pouco caracterizado, em inglês, sobre Teoria dos Jogos. Como iríamos garantir um debate de 40 minutos com o público desconhecido sobre um assunto altamente acadêmico? Mas o debate tinha de acontecer, sob pena de fracasso do evento.

A transmissão seria a partir de um estúdio no Rio de Janeiro, tendo como moderador o Eng. Allen Habert, meu braço direito nos projeto da Fundação Vanzolini. Eu e mais alguns interessados assistiríamos na sala de recepção da Fundação em São Paulo. As perguntas do público remoto seriam enviadas por fax.

Eu tinha uma razoável noção sobre a Teoria dos Jogos, pois fizera o meu mestrado nesse campo. Com essa base, elaborei 15 perguntas a serem feitas aos palestrantes, uma com o meu nome e as demais com nomes fictícios, “enviadas” de diversos pontos do país. Havia perguntas altamente técnicas, como uma sobre os conjuntos de cooperação de Nash, e outras como a de uma japonesa de Vitória que perguntou “Se os americanos usassem a Teoria dos Jogos, teriam lançado a bomba em Hiroshima?

No dia acertado, a teleconferência foi ao ar e transcorreu muito bem, sem problemas, com o palestrante respondendo 14 perguntas das quais 12 eram das minhas. Ou seja, do verdadeiro público externo só chegaram duas perguntas!

O fato é que, ao final, o Prêmio Nobel agradeceu o convite (que lhe rendeu 20.000 dólares) e disse que gostou muito do debate, foi muito interessante e inteligente. E emendou “Gostei mais desse debate do que de outro que tive há 15 dias em Estocolmo com vários colegas Prêmios Nobel!”

Ao saber que esse eminente cientista gostara mais de debater comigo do que com outros Prêmios Nobel, não posso negar que senti uma certamente perdoável sensação de orgulho!

11/7/2016

Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto

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