Pierre Jacques Ehrlich

De wikITA

EU NÃO TENHO CULPA! A confusão começou antes de eu nascer. Nasci em Março de 1937, de pai judeu-ateu alemão (fugido do nazismo) e de mãe judia argelina (falava árabe), em Marselha - França. Após a guerra, em Outubro 1946, chegamos ao Brasil - inicialmente no Rio de Janeiro e depois para São Paulo.

Jovem, desejoso de sair de casa, prestei vestibular para o ITA em Janeiro 1956, sem ter a mínima vocação para engenheiro. Como era esperado, me formei em Dezembro 1960.

Meu primeiro emprego foi na Real Transportes Aéreos. Durou apenas alguns meses. Mudei para a Ibrape (Philips). Em 1962 fui para a França (pela ASTEF), na Philips, por um semestre. Em seguida passei um ano no Philips International Institute em Eindhoven, Holanda.

De volta ao Brasil, fui aos poucos me desinteressando pela Ibrape. Com uma breve passagem pela Telespark, fui iniciando uma carreira acadêmica na Engenharia Elétrica da Poli-USP. Virei "professor de corrida" entre as escolas de engenharia Poli, FEI e Mauá. Publiquei um primeiro livro: Dispositivos e Circuitos Eletrônicos (era o inicio dos transistores, mas ainda se usavam válvulas).

De Setembro 1970 a Junho 71 cursei um mestrado em Engenharia Elétrica na Universidade de Stanford, Califórnia. Meu interesse principal se concentrou em Controle. Na realidade, em processos dinâmicos. Passei para o departamento de Engenharia Industrial, cursei um segundo mestrado em Economia e em Dezembro 1973 apresentei a tese de PhD sobre um processo dinâmico de tomada de decisão. Voltei ao Brasil com um montão de diplomas: MSc em EE, MA em Economics e PhD em Engenharia Industrial, com "minor" em Engineering Economic Systems. Eu havia desenvolvido interesses por Economia, Pesquisa Operacional, Estatística e Dinâmica de Sistemas (que na época me parecia uma modelagem de sistemas de controle com não linearidades e muitas malhas de realimentação). Engenharia de Eletrônica se tornou "uma vaga lembrança".

Em inicio de 1974 minha vida mudou de rumo. Entrei no Departamento de Economia da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas onde fiquei três anos (e me interessei mais pela dimensão social da economia). Em seguida, mudei para o Departamento de Informática e de Métodos Quantitativos (IMQ da EAESP-FGV), me tornei Professor Titular e fui chefe de departamento. Eu me aposentei na FGV aos 70 anos de idade (mas lecionei durante mais um ano).

Ainda no inicio de 1974, abri minha empresa: EMC- Ehrlich & Meirelles Consultoria, dirigi um centro de projetos da Escola de Engenharia Mauá (onde continuei lecionando durante mais três anos) e redigi dois livros, um de Pesquisa Operacional (esgotado após cinco edições) e Engenharia Econômica (ainda a venda, na sua sexta edição). Publiquei no site da FGV material sobre "Apoio às Decisões", "Analise de Envoltória", Estatística e Dinâmica de Sistemas, tendo sido o primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Dinâmica de Sistemas. De fato, eu me havia interessado por Complexidade, Sistemas Complexos e suas modelagens. No decorrer da carreira segui o tradicional para um acadêmico: participei de diversos congressos, passei um ano (1977) como Visiting Scholar no MIT; na Bocconi (Milão) participei e depois lecionei no International Teachers Program, lecionei na Alemanha, um verão na Universidade de Minnesota e um semestre na Universidade do Texas em Austin, além de diversas escolas de administração na França. Em particular, na França acabei me aposentando após lecionar na Sorbonne-Paris III e alguns anos (alguns meses por ano) de trabalho na HEC.

Velejei muito, em diversas partes do globo (também mergulhei). Em particular curti muito o litoral norte paulista. Atravessei o Atlântico num 38 pés (para comemorar meus 65 anos de idade; éramos 4 a bordo). Participei do campeonato paulista de vela e fomos duas vezes campeões na classe do Ranger 22. Viajei bastante e continuo viajando para lugares batidos e outros insólitos - deu para colecionar aventuras.

Para me redimir de um tombo de moto com um neto, escrevi e publiquei um livro infantil.

O ultimo esforço intelectual foi estudar hebraico aos quase 70 anos de idade, para tentar me comunicar com netos. Chegando aos 80 anos de idade, "confesso que vivi" como desejava e atualmente circulo entre filhos e netos em Israel, França e Curitiba, além de turismo e visitas a amigos em mais alguns lugares. Diversas vezes a sorte me sorriu e eu acho que a agarrei a maioria das vezes; é a filosofia do goleiro: "não basta ser um bom atleta, é preciso ter sorte".



Turma de 1960

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