Pompílio Mercadante Neto

De wikITA

1963

O colega Pompílio, da Turma de 1963, faleceu em São Paulo no dia 16/07/2009.



Depoimento de colega da T63


Eu cheguei a morar com o Pompílio um semestre pelo menos. Ele dividia um dos quartos do nosso apartamento no H8-B com o Taube. Durante todo o tempo que estivemos juntos não me lembro de nunca ter tido qualquer atrito com o Pompílio. A lembrança que tenho dele é a de que era relativamente organizado, treinava basquete quase todos os dias no período da tarde e mantinha o quarto relativamente em ordem (pelo menos quando comparado comigo e com o Eli Nunes, com quem dividia o quarto adjacente).

Uma característica do nosso saudoso colega que ficou muito marcada na minha memória era a sua alegria. Ele sempre conversava com a gente com um sorriso na face, mesmo quando não concordava muito com o que estava sendo colocado, porém não era de deixar de emitir suas opiniões em alto e bom som.

Por fim, vim a reencontrá-lo há uns anos atrás no bairro onde hoje moro. Cruzei com êle algumas vezes nas ruas do bairro e lhe dei nessas ocasiões algumas broncas pelo fato de ele não participar das nossas reuniões de turma; ele então sistematicamente sorria e não se defendia. A última vez que o encontrei foi na barbearia do bairro (estávamos de costas em cadeiras opostas e reconheci sua voz), há uns dois meses atrás mais ou menos. Constatei então que ele já a freqüentava há muito tempo e era muito querido e conhecido por todos naquele estabelecimento. Foi quando ele me contou que estava começando um novo negócio, se não me engano na área farmacêutica, o que me impressionou bastante, pois as conversas que ouço dos nossos colegas atualmente é, em geral, exatamente no sentido oposto.

Seu sorriso nos fará falta.

Isak



Depoimento de colega de outra turma


O Pompílio foi pentacampeão de basquete, pela Turma de 1963, nas Olimpíadas Internas do ITA. Tinha uma canhota certeira, que nem os óculos embaçados de suor atrapalhavam.

Pompílio, um craque no basquete
E continuou craque na vida pessoal e profissional. Sempre liderou pelo exemplo.

Na Panair e na Varig, foi um dos pioneiros na Engenharia de Operações, onde os colegas das demais empresas aéreas iam buscar orientação.

Depois a Hidroservice, no final dos anos 60 e década de 70. Lá, com o comandante Rocha, do Senta a Pua e da Panair, e o Jayme Pires Ferreira Filho, iteano colega de turma, organizaram o conceito aeronáutico que marcou o começo do planejamento aeroportuário moderno no Brasil. Formou muitos profissionais, treinando-os no trabalho em equipes multidisciplinares, e ensinando a convivência entre diferentes. Galeão, Manaus, Florianópolis e o Aeroporto do Funchal, na Ilha da Madeira são fruto da sua competência.

Entre as empresas aéreas, no Rio, e a de engenharia, em São Paulo, o Pompílio encontrou a Beth. E aqui, eles criaram o Caio e a Adriana.

Anos 80. Diretas já. Montoro governador eleito em São Paulo, nomeia Antonio Angarita (FGV) presidente e Pompílio Mercadante Diretor Comercial da VASP. Administram a empresa profissionalmente, controlam receitas e custos, quebram o monopólio da Ponte Aérea, com seus jatos operando no Santos Dumont, e a empresa voa para os USA. Assistem ao cortejo fúnebre do Tancredo até Congonhas da sala da Diretoria, com todos o demais diretores e superintendentes. Enfrentam greves e interesses contrariados. E conquistam a confiança dos funcionários da casa, reerguendo a companhia.

Iniciativa privada e aulas de engenharia de transportes da USP em São Carlos ocuparam a sua vida profissional até a designação para a Superintendência da Fundação para o Remédio Popular - FURP, pelo governador Mário Covas, em 1997. Filho e irmão de médicos, pai de uma bióloga, dedicou-se de corpo e alma à produção dos medicamentos da Fundação em Guarulhos até 2003, revolucionando a administração do maior laboratório farmacêutico público do país. Idealizou a expansão da produção numa nova fábrica em Américo Brasiliense, no interior do estado, inaugurada no final de junho p.p. Foi presidente da ALFOB, a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil.

Eu o trouxe de volta para os transportes em 2005, na SPTrans, empresa que gerencia o transporte público coletivo de passageiros na capital paulista. Ele participou na implantação da integração operacional e tarifária com o Metrô e a CPTM, através do Bilhete Único, usada por um milhão de passageiros diariamente, e no resgate do projeto de monitoramento da frota dos 14.000 ônibus que percorrem diariamente 4.500 km de vias no município, transportando o dobro dos passageiros de Metrô e CPTM somados. E principalmente, continuou formando profissionais, gerentes de contratos e de pessoas.

Perdi um amigo e um mestre. Foram mais de 20 anos de convivência. Nunca vi o Pompílio levantar a voz, desrespeitar ou se alterar ao tratar com um subordinado. E desconheço quem não o tenha respeitado muito. Corintiano, comprou camiseta do "nunca vou te abandonar" na queda para a segundona. Neste ano viu o Corinthians voltar e ganhar o Paulista e a Copa do Brasil.

Maridão. Paizão. Recentemente ele soube que seria avô.

Lutou dez anos contra o câncer. Nunca desistiu.

O Brasil perdeu um baita cidadão, no dia 16 de julho de 2009.

José Carlos Nunes Martinelli (AERON-69)



Turma de 1963

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