Quarto centediário da T55

De wikITA

Transcrição de crônica de Murad Abu Murad publicada no livro HPCAPE de 2012

Quando faltavam 400 dias para a formatura da T55, fizemos uma festa que denominamos de Quarto Centediário, plagiando os 400 anos da cidade de São Paulo, isto é, no ano de 1954 - 4o centenário.

Cada aluno procurou se fantasiar a seu modo.

Lembro-me que tínhamos aula com o Professor Nedo Eston de Eston, de termodinâmica. Já tinha dado o sinal de início da aula e nós estávamos sentados nas carteiras. O Rogério Gomes estava fantasiado de freira, sentado na mesa do professor, com um manual de engenheiro disfarçado de Bíblia, aberto no assunto resistência dos materiais.

A porta da sala estava fechada. Nisto o professor Nedo abre a porta e se depara com aquela figura. Ele imediatamente diz "Desculpe, irmã", e volta fechando a sala. Nós, alunos, caímos na gargalhada. Aí a ficha dele caiu e ele voltou para a sala de aula.

Ele levou na esportiva!

A minha fantasia era de árabe. Inicialmente, eu não sabia como arrumar uma fantasia. Olhei para a cama, vi o lençol branco tirei-o e enrolei em meu corpo. Mas estava faltando alguma coisa para completar a fantasia. Vi a toalha de rosto no cabide do banheiro. Aproveitei e coloquei na cabeça. Mas ainda faltava mais uma coisa, aliás, duas.

Coloquei uma tampinha de cerveja na toalha fixando-a em minha testa. Para completar, com um carvão, fiz um bigode e um cavanhaque.

E assim fui para a aula.

Passamos o dia inteiro fantasiados. À noite nos dirigimos para a cidade de São José dos Campos com o "Quartel general" na Praça da Preguiça.

Eu, fantasiado de árabe, no coreto do jardim, fazia um grande discurso em árabe.

Todos se inclinavam com o corpo para a frente, num gesto de veneração e gritavam: "Alá!, Alá!". As palavras proferidas por mim eram pornográficas e a garrafa de pinga passando de boca em boca.

Durante o discurso o silêncio reinava, e os colegas - diante do coreto onde eu estava - gritavam "Alá!". Subitamente, gargalhadas femininas. Descendentes de árabes entenderam minhas palavras, que não ouso citar aqui.

Aqueles que cursaram uma universidade e que não têm um registro de "coisas de estudante" para contar histórias, e amigos para encontrar e rir todas as vezes que forem lembradas, passaram a vida estudantil em brancas nuvens e não viveram!

Quem pode com bêbado?

Coisas de estudante!


Turma de 1955

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