Reginaldo Nepomuceno Teixeira

De wikITA

Cadete da EPCAr em Barbacena
Foi o orador da Turma na cerimônia de colação de grau

Filho de João Teixeira (Joca) e de Rita Stela Nepomuceno Teixeira.

Trabalhava na Panair do Brasil.

Faleceu em 31 de maio de 1964 em virtude de um acidente com planador descrito a seguir.

Transcrição de e-mail enviado por Galvão, AERON-59 em 04/Abr/2013:

"O Reginaldo Nepomuceno foi o orador de sua turma no ITA e me lembro que iniciou seu discurso com algo assim:. Pai, quando crescer eu quero fabricar um Zeppelin... (clique aqui para ver o texto do discurso). Já no ITA sempre pensando em um dia projetar um Zeppelin entrou para o CVV-CTA e se tornou piloto de planador.

Reginaldo (ao centro), sua mãe Rita Stela e seus irmãos Luciano e Stênio (de óculos escuros) na cerimônia de formatura

Num fim de semana, depois de ficar até de madrugada num baile no ITA, foi rebocado até o Rio de Janeiro pilotando o planador BN-1 do Aeroclube do RJ e levando no colo um rádio VHF. Lá chegando, ainda alto, iniciou uma série de acrobacias que terminaram num parafuso até o chão. Não sei se pela noite mal dormida ou talvez devido ao rádio solto na cabine, êle não conseguiu sair do parafuso.

Eu trabalhava na S. C. Neiva Ltda e a pedido do Neiva que era o projetista e fabricante dos planadores BN-1, executei uma série de uns 10 parafusos de mais de seis voltas cada um, com o BN-1 PP-PBU do CVV-CTA não tendo tido em todos eles o menor problema de recuperação.

Devido a seu perfil de ponta de asa muito fino, o BN-1 realmente entrava facilmente em parafuso como exemplificado pelo acidente posterior que o Aloysio Figueiredo sofreu com o mesmo PT-PBU numa decolagem no CTA, mas seu parafuso era numa atitude bem vertical e obedecia rapidamente aos comandos (profundor picado e leme contrário) de saída do parafuso.

O Nepomuceno também foi um dos idealizadores do disco voador que sua turma empinou preso em balões de hidrogênio numa noite sobre a praça Affonso Pena a partir do quintal da casa que eu morava na Dolzani Ricardo (ver "OVNI ?, UFO ?, UFA !" publicado num dos Histórias para Contar da AEITA e em meu livro Vivências Aeronáuticas)

Sempre muito bem humorado com seu sorriso de dentes graúdos o Reginaldo, ou melhor o nosso "Arataca", foi sem dúvida uma grande perda para seus familiares, para nós seus colegas, e para a engenharia aeronáutica brasileira!"

Depoimento em e-mail enviado por Marangoni, T63, em 30/9/14:

Voei muito com o Arataca. Cearense da Serra do Baturité. Tive oportunidade de conviver com ele durante os nossos tempos de voo a vela. Pessoa tranquila, bem humorada, grande companheiro do voo a vela de SJC. Faleceu, segundo me consta, em um translado de planador de SJC para o Rio. Na época do acidente eu estava nos EEUU em um programa de mestrado e não sei muito dos detalhes do acidente.

Depoimento em e-mail enviado por Edmur, T63, em 30/9/14:

Lembro que ele nos recebia no trote com uma varinha e perguntava: "O que é isto, bicho?". Era um "profundômetro".

O Arataca fez o mais lindo discurso de formatura de todos que vi. É um texto de rara felicidade, brilhante, ingênuo e conciso, sendo ao mesmo tempo intenso, cheio de orgulho e amor pelo Brasil, de percepção e aceitação dos desafios, combinando sonhos juvenis e estudantis. É emocionante.

Todavia, muito mais do que tudo isso o discurso contém aquela chama própria dos alunos do ITA. É a tradução do espírito desta escola vencedora.

Infelizmente ele teve pouco tempo para trabalhar nesse desafio, pois faleceu em 1964. Não viveu para ver tantas realizações desses sonhadores, em especial a Embraer. Mas deixou esse discurso.

Depoimento em e-mail enviado por Isak, T63, em 30/9/14:

O Arataca era um figuraça. Muito inteligente e com muito senso de humor, um perfil que muito admiro. Marcou minha lembrança um papo com ele, enquanto tomávamos um suco ou algo parecido no bar do H8A. Ele me sai com a seguinte sacada: "Hoje estou meio chateado, fui pouco eficiente. Tirei nota 70, portanto 5 pontos acima da nota mínima para aprovação, que é 65. Estudei mais do que o necessário para ser aprovado, foi um desperdício. O aluno eficiente deve perseguir a nota 65."


Fac-símile do original do discurso de formatura do Reginaldo, citado pelo Galvão no início:

Clique para ver o texto do discurso

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