Richard Robert Wallauschek

De wikITA

Nasceu em 24/5/1912 em Ceská Trebová, hoje na República Checa. Foi chefe da Divisão de Eletrônica do ITA. Faleceu em 9/10/1962 de um acidente de trânsito na via Dutra, quando se dirigia para o Rio de Janeiro. Foi casado com Da. Wanda (falecida em 2000), e teve os seguintes filhos: Janina (nascida em 1938), Michael (1939, falecido no acidente com seu pai), Bárbara (1942, que foi casada com o colega Penedo, ELE-62), e Boris (1950, falecido em 1994).

(Acionar as fotos para vê-las ampliadas.)

Paraninfo da T60
Foto do acervo de Sérgio Gomes de Oliveira
Uma de suas últimas fotos,
enviada por sua filha Janina

Ver uma foto de professores de eletrônica da Turma de 1959, onde aparece o prof. Wallauschek ao lado do Prof. Nepomuceno à direita do primeiro na foto.

Tabela de conteúdo

Currículo publicado no O Iteano

Do jornal O Iteano, São José dos Campos, No. 65, abril de 1963, p. 8: currículo.

Ver o jornal completo.

Relato de sua filha Janina, recebido em agosto de 2015

Richard nasceu dia 24 de maio de 1912 em Ceská Trebová (República Tcheca) de pai tcheco (Richard Wallauschek) e mãe (Klara Titze) austríaca de Viena.

Teve um irmão (Heinz) que era 7 anos mais novo. O seu pai faleceu quando papai tinha uns 8-10 anos. O dinheiro foi pouco e papai foi obrigado a dar aulas particulares para sustentar a mãe e o irmão, como também pagar para os seus estudos na Universidade de Praga.

Ele deu essas aulas particulares por muito tempo. Seus alunos, dos quais ele gostava muito, eram filhos de judeus ricos, e ele os preparava para entrarem na universidade. Era costume na antiga Tchecosolováquia comer-se peixe na noite de Natal. Pois uma vez alguns alunos resolveram dar alguns dias antes de uma dessas datas um presente especial para meu pai: um peixe vivo, provavelmente uma carpa, conforme o costume judaico (especialmente na páscoa). Como eles não tinham geladeira, a solução foi ele colocar o peixe na banheira com água. Como resultado, ninguém pôde tomar banho por alguns dias – o que não era grande problema, pois estava-se no inverno e um “banho de gato” na pia já quebrava o galho. Além disso, o costume europeu era de se tomar banho uma vez por semana...

Ao terminar os estudos em 1937, encontrou e casou-se com Wanda, que era polonesa mas estudava em Praga.

Sobre o serviço militar compulsório dele, mencionado no currículo acima publicado em O Iteano, lembro-me de uma história que minha mãe contava. Na então Tchecoslováquia, se alguém estudava em uma universidade podia adiar aquele serviço até terminar os estudos. Assim, ele o fez em 1938, quando já era casado e minha mãe estava grávida de mim. Ela contava que, passeando pela cidade, cada vez que encontravam um soldadinho qualquer, em princípio um “ninguém”, meu pai tinha que tirar o braço que segurava minha mãe e fazer uma continência. Minha mãe contou que ficava zangada cada vez que isso acontecia.

Eu, a primeira filha, nasci em julho de 1938 em Praga. Com a situação política e a proximidade da 2a. guerra mundial, Richard achou melhor sair da Tchecoslováquia. Isto foi em setembro de 1938.

A família foi para Berlim, onde Richard trabalhava na Telefunken. O filho Michael nasceu em Berlim em 23 de agosto de 1939. Os bombardeiros foram frequentes durante aqueles anos. A filha Barbara nasceu em Potzdam em julho de 1942. Lembro-me distintamente de descer para o porão, durante a noite, com prédios caindo em volta e janelas quebrando.

Logo depois papai e com mais alguns cientistas desapareceram, tendo siso levados para a Rússia. Não ouvimos nada dele durante alguns anos.

Wanda, sem casa, dinheiro, trabalho etc. levou as crianças para Mistelbach, perto de Viena, onde Richard tinha família e onde achamos alojamento. Os russos entraram em Viena e Wanda levou as crianças através da Áustria de trem, que levou muitos dias porque os bombardeiros forçaram o trem a se esconder nas florestas, antes de continuar. Não havia nada para comer nem beber. Bebemos a água suja das locomotivas. Nas paradas forçadas Wanda ia a pé para as pequenas fazendas, para achar algo para comer em troca de jóias da família. Numa dessas paradas, o trem partiu antes do tempo marcado e ela ficou para trás. Ainda lembro a agonia de nós três crianças. Sendo a mais velha (6 anos), eu tinha que cuidar deles. Ficamos histéricos.

Chegamos perto da fronteira suíça. A ideia era ir para Zurich para ficar com uma tia. Mas os suíços não nos deram o visto para entrar. Então ficamos em Rankweil, Áustria, até depois do fim da guerra, num alojamento para refugiados. E o tempo todo não sabíamos se papai estava vivo ou morto. Nesse acampamento só havia mulheres e crianças, que, como nós, tinham perdido o pai ou não sabiam como achá-lo.

Antes do final da guerra, em um dia bonito e quente de verão, algumas mulheres e crianças passeavam pela estrada. De repente, vimos alguns homens de bicicleta, queimados pelo sol e o cabelo branco de poeira. Tinham escapado da Rússia de bicicleta e procuraram as suas famílias. Paravam e trabalhavam nas fazendas onde em troca recebiam comida e um lugar para dormir na palha entre os animais. Um deles era papai!

O armário em Lofer

A alegria de nos encontrarmos foi enorme. Logo papai viu que tinha que achar trabalho. Achou em Lofer, perto de Salzburg e nós achamos um quarto para alugar. Foi em Lofer que ele foi envolvido na construção do Canhão de Som. Ele saía para o trabalho e voltava mas, apesar de ter sido um vilarejo pequeno, nunca vi para onde ele ia. Seu salário devia ser bem baixo, porque quando fomos embora de lá para a França, não podíamos pagar o aluguel do quarto e meu pai deixou um armário antigo para livros como parte do pagamento.

Em 1993 voltei a Lofer para rever a cidade, achei a tal casa onde alugamos o quarto, dirigindo-me pelos picos das montanhas e dando passos para trás. Uma senhora de idade estava na porta e perguntou o meu nome. Eu só disse “Wallauschek” e ela se assustou tanto que quase desmaiou. Mostrou-me o quarto em que morávamos (na Áustria não muda muita coisa) inclusive o tal de armário. Disse-me que nunca soube o que fazer com ele...

Moramos na Áustria até 1948. Daí fomos para Paris. Papai trabalhava no CNET (uma empresa científica) em Neuilly. Alugamos casa perto de Marly-le-Roi e nós crianças depressa aprendemos a falar Francês (meus pais disseram que foi em 3 semanas, no jardim de infância), porque nos proibiram de falar alemão. Foram os primeiros anos depois da guerra e fomos bastante felizes fazendo o que todos faziam, passando as férias na praia de St. Malot etc. O filho Boris nasceu em Paris em maio de 1950.

Janina e a senhora de Lofer

Papai achou que o comunismo estava chegando à França e achou melhor ir embora. Em janeiro de 1951 foi contratado pelo MIT (Madras Institute of Technology) na Índia, por 5 anos. Para nós crianças foi uma aventura passar 6 semanas no navio. Chegando ao MIT havia uma recepção para nos receber. Havia até mesas e cadeiras, de modo que não precisamos sentar no chão, como os outros hindus. Os pratos eram de folhas de bananeira, comia-se com a mão e se bebia água com pétalas de rosas de uma caneca prateada, que a gente não podia tocar com a boca. A água e a comida esparramavam para todo lugar, para grande divertimento de nós, crianças. O diretor do MIT perguntava toda a hora ao papai por que as crianças riam tanto.

Papai e mamãe moravam com o Boris numa casa em Madras e as crianças mais velhas foram para um internato nas montanhas. Foi lá que aprendemos inglês, com freiras irlandesas.

Papai não era feliz lá, pois as condições de saúde, higiene etc. eram difíceis. Como o Prof. Jacques Lignon, que trabalhou com ele em Paris, tinha ido para o CTA, achou que devia tentar encurtar o contrato de 5 para 3 anos e vir ao Brasil.

Com Michael, Bárbara, Janina, Wanda e Boris (1956-57)

Foi assim que chegamos em dezembro de 1953, e aqui ficamos!

Com Janina, no H17 (1958-59)

Papai acompanhou várias turmas à Europa, pois tinha vários contatos por lá, com cientistas e empresas na Alemanha, Holanda, Inglaterra e na França. Sua presença nessas viagens era também importante pois ele falava tcheco, russo, alemão, francês, inglês, português, italiano e grego. E menos bem polonês, latim e espanhol. Ver uma foto dele na cervejaria Hofbräuhaus em München, acompanhando a Turma de 1958; ele está em pé, à direita, de terno claro, segurando uma enorme máquina fotográfica.

Quando ele com o Michael e o Prof. Nepomuceno se dirigiram para o Rio no fatídico dia 9 de Outubro 1962, era para ir a uma conferencia mundial de eletrônica. Michael era estudante da PUC-Rio. Como era um fim de semana estendido (3 dias) porque havia um feriado, o Michael, que tinha vindo do Rio de trem, ia voltar de trem também. O papai convenceu o Mike de cancelar o trem e viajar com o Prof. Nepomuceno de carro, porque eles iam conversar sobre eletrônica e o Mike podia aprender algo. Lembro-me bem da expressão no rosto do Mike como se fosse ontem: ele preferia ir com os amigos de trem, mas para agradar o pai, foi com eles.

Os três foram no carro do Prof. Nepomuceno para o Rio. Era noite chuvosa, a via Dutra cheia de caminhões. Havia uma fila de uns 6, quando o Prof. Nepumoceno, que dirigia, tentou passar um caminhão. Chegou outro pelo outro lado (naquele tempo acho que era via única) e teve que se espremer entre 2 caminhões, o que não deu certo e o carro dele, que era um Rural Willys, teve a parte de cima cortada. O papai e o Mike foram decapitados. O Prof. Nepomuceno foi jogado fora do carro com o impacto e sobreviveu sem um arranhão.

A uma hora da manhã uma camionete chegou em casa com um motorista do ITA. Naquele tempo as casas do CTA não tinham telefones. Sem saber nada, desci a escada, gritando, “o papai morreu”. Minha mãe, que estava me seguindo, disse para eu parar de dizer bobagens. Quando abrimos a porta o motorista disse que os dois tinham morrido na hora porque quando chegaram no hospital de Aparecida, perto de onde tinha sido o acidente, já estavam mortos.

A Bárbara, seus 2 filhos, sendo um casado com esposa e 2 filhos, moram todos em Vitória. O Boris tem 4 filhos e moram todos no Rio. Eu, com as minhas 2 filhas e uma neta, moramos na Austrália.

A única vez que voltei ao Brasil foi em 93/94, para o Rio, para rever a minha mãe e ver o Boris, que estava muito doente, com câncer de pulmão e hospitalizado. Simplesmente tive que ir a São José dos Campos. Queria rever o CTA, o busto que ainda não tinha visto e o túmulo. Contactei o prof. Lignon, que conhecia desde criança, da época em Paris, e que morava em São Paulo mas tinha chácara em São José.

Fui de ônibus do Rio para São José, passando pelo lugar do desastre, perto de Aparecida. Em São José o prof. Lignon esperou-me e fomos diretamente para a chácara dele. Lá fiquei uns dias, junto com a sua nova esposa. Ele me perguntou o queria fazer e eu contei os objetivos de minha viagem.

Em um certo dia fomos ao cemitério de São José. Tinha crescido demais e eu não me lembrava do local do túmulo. Entramos no escritório para investigar os livros. O encarregado, depois da nossa explicação, disse que sabia onde ele ficava, pois sempre chamou a sua atenção, com uma cruz grande para o pai e uma menor para o filho. Andamos em direção do túmulo. Era um dia quente, com sol e nenhuma nuvem no céu. Ficamos uns tempos lá, em pensamento e arrumando o túmulo um pouco quando, de repente, o céu “abriu” e caiu uma chuva tão forte, que eu e o professor ficamos ensopados. Molhados assim, fomos ao ITA. Alguém lá nos recebeu (não me lembro do nome, era ex-aluno, agora professor). A primeira coisa que nos disse era: “Mas de onde vêm vocês, caíram numa piscina?". No ITA, o dia tinha permanecido com céu azul.

Mais tarde amigos disseram-me que eram os anjos que tinham chorado, porque durante tantos anos ninguém tinha ido visitar o túmulo. Interprete-se isto como se quiser.

Depois do cemitério o prof. Lignon só levou-me para a entrada da Reitoria depressa, sem entrar, e passamos no H17 (conjunto de casas geminadas, onde moravam os professores), que não reconheci. Não vi outra coisa e não falei com ninguém. Eu não conhecia ninguém do meu tempo do CTA que ainda estivesse no ITA, de modo que não contactei ninguém. Foi uma grande pena – ainda não havia a possibilidade de usar as informações disponíveis hoje na Internet.

Mais tarde tive uma notícia de uma amiga de S. José de que o cemitério ia acabar com o túmulo, por falta de alguém que se interessasse por ele. Então ela contactou o ITA, que providenciou a retirada dos ossos e de colocá-los, parece-me, em uma parede. Senão eles teriam sido jogados num ossuário.

Outros relatos e depoimentos

Do Edmur (ELE-63): "Que história emocionante a contada pela Janina! Ele era uma pessoa excepcional, sabemos todos, e essa história mostra ainda mais a incrível capacidade dele de contornar obstáculos e buscar soluções. E mais ainda, com todas estas agruras ele se manteve uma pessoa afável. Merece um livro e um lindo filme."

Do Waldecy (AERON-60): "As fotos nesta página emocionaram-me muito, pois apesar de jamais ter sido seu aluno (era “aeronáutico”) devo a ele, entre muitas outras coisas, a orientação para que eu buscasse meu primeiro emprego na IBM do Brasil, onde trabalhei durante toda minha vida profissional. Por meio do prof. Fadigas, que foi o orientador do meu trabalho de formatura, ficou sabendo do meu interesse e do Gil (AEROV-60) em trabalharmos na IBM. Wallauschek conhecia um dos gerentes da IBM que administrava os primeiros passos da empresa na área de uso de computadores em aplicações de natureza científica e, gentilmente, ofereceu-se para promover uma entrevista naquela empresa. Nós dois fomos juntos para a entrevista na IBM em setembro de 1960, quando fomos admitidos informalmente, tendo começado a trabalhar oficialmente em 2 de janeiro de 1961. Isso acabou resultando na nossa longa carreira na IBM, de onde saímos na mesma data, devido a um programa de demissão voluntária.

Na primeira das fotos, tirada na formatura da nossa turma, dá para reconhecer nitidamente, à esquerda, o Guido Pessotti (AERON-60), recentemente falecido."

Do Francelino (ELE-59): "O prof. Wallauschek foi meu professor de microondas e outras disciplinas em 1958 e 1959, tendo sido um dos melhores professores que eu tive. Também foi meu orientador de trabalho individual em 1959, que versava sobre radar de pequeno alcance na faixa X de frequências de 8 GHz. Muito inteligente, suas aulas eram muito eficientes e suas provas traziam muita originalidade. Ele era muito firme nas suas orientações acadêmicas, muito cordial e pronto a ajudar. Nunca contava coisas tristes, nem dele e nem de outros."

Do Luiz Pinto (ELE-63): "O prof. Wallauschek contava aos seus alunos que, quando chegou à Índia para lecionar numa universidade (pelo relato da Janina, sabemos que foi no Madras Institute of Technology, em 1951), ao entrar na sala de aula pela primeira vez, foi surpreendido por um balde de água jogado sobre ele. Aborrecido, foi trocar de roupa. Ao entrar novamente na sala, levou outro balde de água... não era trote, era hábito local, para aliviar o calor..."

Do Décio Fischetti (AEROV-60): "O professor Wallauschek foi um dos craques que o Brig. Montenegro contratou na Europa, depois da guerra, para formar o ITA. Foi um dos pioneiros. Importante na Divisão de Eletrônica. Ele tinha um grande prestígio, era um conceituado expert em microondas. Lamentavelmente o ITA perdeu-o cedo demais."

Do Peter Bork (AEROV-60): "além de ser um ícone na história do ITA, tanto como professor e como pesquisador, ele era um ser humano fantástico, que encantava a todos."

Do Dion (ELE-63): "Em 1962 o Prof. Wallauschek aconselhou-me a retornar para o Nordeste e criar em Pernambuco uma empresa para fabricar rádios receptores a transistor, tecnologia recente à época. Argumentou que com a nova tecnologia de rádios alimentados a pilhas, haveria um enorme acesso à informações a pessoas espalhadas nos sertões e à margem dos fatos que poderiam ser do interesse delas. E que depois eu poderia produzir transmissores em AM para internalizar mais ainda este recurso para as populações.

Gostei da idéia, e creio que ele me ajudaria na empreitada. Não aprofundei a busca dessa alternativa de vida porque já havia me comprometido com o Ernesto Vita Jr de ir para a USP e convidado o Setzer e o Isu para a implantação do Centro de Cálculo Numérico da Escola Politécnica da USP. Tocou-me na ocasião o interesse e a visão dele em atender populações pobres e marginais naqueles sertões do Nordeste e a iniciativa de me devolver para lá para servir a região por essa via…"

Do Fernando Coelho (ELE-59): ver seu depoimento de 10/4/07, em seu blog, "Professor Wallauschek, um gentleman". Ver uma cópia local. Nesse relato, Fernando cita a viagem de sua turma à Argentina, na qual participou o prof. Wallauschek (ver foto ao lado; acione-a para vê-la ampliada e poder ler a legenda).

Do Laudo (ELE-63): "Talvez valha a pena informar que a nossa turma, no ano de nossa formatura, cotizou-se e providenciou a produção e implantação do busto do prof. Wallauschek no corredor próximo à sala do Reitor. Fui o encarregado da coleta das contribuições e da encomenda do busto, feito com base numa foto dele pelo Liceu de Artes e Oficios de São Paulo. Encomendei, paguei com a verba arrecadada e fui buscá-lo no Liceu, para colocação no local mencionado."

O busto encontra-se atualmente no hall de entrada do novo prédio das Divisões de Eletrônica e de Computação. As fotos abaixo foram uma colaboração de Flávio Mendes (INFRA-86).

Como homenagem póstuma ao querido professor, a Turma de 1963 escolheu-o postumamente como Patrono da Turma, conforme consta no convite da formatura.

O prof. Wallauschek e o Conjunto de Câmara do ITA

Ele era a alma do Conjunto de Câmara do ITA, que ensaiava em sua casa nas 4as. feiras à noite, até que ele parou de tocar, antes de seu falecimento. Tocava violino e viola.

O quarteto do CCITA: Yaro, Nivaldo, Kohler e Wallauschek,
provavelmente ao redor de 1960

Setzer (ELE-63), que tocava flauta no Conjunto de Câmara do ITA relata que o Prof. Wallauschek contava a seguinte história. Depois da 2a. guerra ele tinha um quarteto de cordas, provavelmente na Áustria, e certa vez em um ensaio estavam tocando o quarteto de Joseph Haydn op. 76 No. 3, em que no 2o. movimento ele usou a melodia que tinha composto para um poema enaltecendo o imperador Austríaco Franciso II. De repente apareceu a polícia e prendeu todos do quarteto. Acontece que essa melodia tinha sido usada em 1922 para o hino nacional alemão, com letra do poeta August Heinrich Hoffman, adotada depois entusiasticamente pelos nazistas pois começava com "Deutschland über alles", "Alemanha acima de tudo" que, na verdade, tinha sido um apelo de Hoffman para a unificação da Alemanha. Wallauschek e os outros músicos foram parar na polícia para explicar que história era aquela de tocar o hino alemão...


Medalha do prêmio

Do Yaro (ELE-62): "Comecei o curso do ITA em 1958. Tinha, durante o ano anterior, começado os estudos de violino em Belo Horizonte. E no ITA encontrei um grupo, liderado pelo professor Wallauschek, dedicado à música de câmara: em todas as quartas feiras à noite havia uma sarau, uma reunião de músicos amadores, na sua casa. Participavam alguns alunos e, entre outros, os professores Köhler (violoncelista) e Tissi (pianista). O professor Wallauschek era violinista e violista. Como os outros alunos que participavam, fomos aceitos no grupo, mesmo não sendo grandes músicos.

Verso da medalha do Yaro

A esposa do professor, d. Wanda, organizava um chá com bolos durante o intervalo das músicas.

Numa ocasião o famoso Quarteto Koeckert, em excursão pelo Brasil, fez uma apresentação em São José dos Campos, no auditório do ITA. E depois da apresentação foram todos à casa do professor Wallauschek. Acho que pelo menos algum dos membros do quarteto, que tinha iniciado suas atividades em Praga, devia ser amigo do professor. E lá tocaram quintetos (acho que tocaram um quinteto de Mozart, o quinteto em sol menor) com o professor tocando uma das partes de viola. Não sei se foi nesta ocasião, mas recebi do professor Wallauschek o conselho: se eu gostava de música, seria interessante também tocar viola. Assim teria maiores oportunidades de tocar junto com outros músicos. Eu segui o conselho: comprei uma viola e dediquei tempo ao estudo de viola. O conselho foi muito útil. Já toquei a parte de viola em muitas apresentações.

Minha ligação com o professor foi, então, musical. Não cursei as disciplinas que ele ministrava pois meu interesse se dirigia mais aos transistores, que eram a novidade da eletrônica naquela ocasião e não às microondas, que eram sua especialidade.

Infelizmente o professor Wallauschek faleceu alguns meses antes de minha formatura no ITA. Para homenageá-lo, o ITA criou um prêmio, o prêmio professor Wallauschek, para o melhor aluno do curso profissional de eletrônica do ITA. Este prêmio, que inclui uma medalha de ouro, existe até hoje, acho que agora patrocinado pela Embraer. Tenho então a honra de ter, em minha biografia, mais esta ligação com o professor Wallauschek: ganhei o prêmio em sua primeira atribuição, em 1962."

Prêmio Prof. Richard Robert Wallauschek

Ver detalhes e ganhadores desse prêmio.


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