Tércio Pacitti

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Nasceu em Piracicaba, SP, onde realizou seus estudos básicos no Colégio Piracicabano. Graduou-se engenheiro aeronáutico pelo ITA, em primeiro lugar da turma de 1952, tendo feito o mestrado (1961) e o doutorado (1971) pela Universidade da Califórnia em Berkeley.

Um dos maiores nomes da informática brasileira, escreveu vários livros na área, com destaque para o Fortran Monitor, que de 1967 a 1987 vendeu 250 mil exemplares no país, e Do Fortran à Internet, retrospecto de sua vida e da informática no mundo, já em sua terceira edição. Lançou em 2006 Paradigmas do software aberto, seu mais recente trabalho.

Liderou a introdução da informática no ITA, na Aeronáutica, na COPPE-UFRJ e na UNIRIO. Foi Reitor do ITA de 1982 a 1984, e criou o curso de Engenharia da Computação.

Seu último posto no Comando da Aeronáutica, como Major-Brigadeiro Engenheiro foi a chefia da Diretoria de Engenharia, em 1986 e 1987, época em que também presidiu a ADESG. Foi presidente do Conselho de Informática do Estado do Rio de Janeiro de 1987 a 1990. Pertenceu à Academia Nacional de Engenharia e foi consultor científico da presidência da Consist.

Recebeu em 1996 o Prêmio Excelência em Software concedido pelo Centro Internacional de Tecnologia em Software (CITS) e, em 1998, a Grande Cruz do Mérito Científico, concedido pelo Presidente da República.

Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico - Presidente da República do Brasil - Mar/1998

Seus dois filhos também são iteanos: Tércio de Castro Pacitti, engenheiro de infra-estrutura aeronáutica da Turma de 1986 e Marcos de Castro Pacitti, engenheiro eletrônico da Turma de 1990.

O Brig. Pacitti faleceu no dia 18/6/14, no Rio de Janeiro.

Depoimentos de seus alunos

Valdemar W. Setzer (ELE-63), em 19/6/14:

Em 1962, no meu 4º ano, fui aluno do então “Cap. Pacitti”, como estava no crachá que ele usava, na disciplina CEA-46 Técnicas Digitais. Foi a matéria que mais gostei em todo o curso. O prof. Pacitti, sempre sorridente, irradiava bondade e interesse pela matéria e pelos alunos. Até hoje guardo o caderno de anotações das suas aulas. Folheando-o, vejo como ele apresentava os assuntos de maneira interessante e profunda. Sua influência foi absolutamente decisiva para a minha vida profissional acadêmica na ciência da computação. Tenho até mesmo a impressão de que meu destino me levou ao ITA somente para ter contato com ele. Ele me ligou algumas vezes, para que eu lhe contasse a história do Zezinho, o primeiro computador construído no Brasil, objeto de trabalhos de formatura (os então TIs), que pretendia inserir em um de seus livros. Deixou muitas saudades.

Luiz Pinto (ELE-63), em 19/6/14:

Conheci Tércio Pacitti em 1962, quando eu era aluno do quarto ano do curso de Engenharia de Eletrônica do ITA e ele era professor. Na época, ele era capitão da Aeronáutica. Se minha memória não me falha, foi o único professor militar que tive em todos os cinco anos de ITA. Pacitti foi também o primeiro militar a ser Reitor, de 1982 a 1984, após um total de dez reitores civis. Quando decidiram nomeá-lo reitor do ITA, houve quem lhe recomendasse militarizar totalmente a escola. Pacitti, evidentemente, não fez nada disso. Até, para legitimar sua indicação como reitor, fez questão de submeter seu nome à Congregação do ITA para aprovação, o que realmente ocorreu.

No meu tempo de aluno, ele dava o curso (atualmente chamado “disciplina”) de “Técnicas Digitais”, que valia como uma espécie de introdução à eletrônica digital e, consequentemente, aos computadores. As aulas do Pacitti eram boas e agradáveis. O que é uma “aula boa”? Como eu separei “agradável”, boa deve ser algo além do que é, de alguma forma, prazeroso para o aluno. Entendo por boa a aula que ensina, e não a que meramente cumpre a função burocrática de “dar a matéria”. A aula do Pacitti era agradável e boa porque ele era simples em sua forma de dirigir-se aos alunos, direto na exposição da matéria, claro nas explicações, coloquial no falar e lógico no que explicava. E porque eu aprendi.

No curso (disciplina!) de Técnicas Digitais, ele nos proporcionou, além da teoria, um laboratório baseado diretamente no computador IBM 1620, na época recém-adquirido da IBM e trazido por ele dos Estados Unidos por meio de uma complicada operação em que o equipamento teve que ser classificado como de segurança nacional para evitar excessos de burocracia... No laboratório, tivemos algumas noções de programação em linguagem de máquina e aprendemos a programar em FORTRAN.

Falando em FORTRAN, lembramos que foi o Pacitti quem escreveu o primeiro livro brasileiro sério sobre programação de computadores, “Fortran Monitor”, publicado a primeira vez em 1967 e usado por muita gente para aprender programação. Pois apesar de já um tanto antigo, o primeiro livro do Pacitti ainda é conhecido. Quando eu era professor da UFF, dividia minha sala com a Profa. Maria Luiza D’Almeida Sanchez. Uma vez, aí por 2006 ou 2007, ela estava atendendo a um de seus alunos orientados de tese de mestrado (não lembro o nome do aluno). O aluno era, naturalmente, bem mais jovem que eu e que a Maria Luiza. Por algum motivo que também não lembro, achei de perguntar se ela lembrava do Pacitti. Antes que ela respondesse, o aluno disse: “Ah, o grande Pacitti!” e depois saiu a comentar sobre o livro Fortran Monitor que, segundo ele, todo mundo tinha usado para aprender a linguagem Fortran...

Tenho a relatar um episódio ocorrido entre mim e o Pacitti na ocasião do curso. Quando, já no quarto ano do ITA, comecei a frequentar as aulas do Pacitti, fiquei felicíssimo porque ia abrir meus horizontes numa direção ainda não explorada por mim, que era o reino digital, que levava, inclusive, aos computadores. Mas quando ele explicou o mapa de Karnaugh, achei, de início, uma complicação desnecessária. Eu gostava de “craniar” circuitos; para quê, então, aquela aparente artificialidade de ter que fazer um “mapa” para sintetizar um circuito digital? Num exercício passado pelo Pacitti, improvisei, sem o mapa, uma solução que, obviamente, ficou não otimizada (a finalidade do mapa de Karnaugh é obter o circuito que faz exatamente o que se deseja com máxima economia, ou seja, usando o mínimo de recursos). Obviamente, tirei uma nota baixa. Antes de registrar a nota baixa, porém, o Pacitti me chamou e, em tom amigo e paciente, comentou sobre o fato de eu não ter usado o mapa. Tentei justificar-me meio desajeitadamente, e ele então me explicou a real utilidade do mapa de Karnaugh. Refiz o exercício e pude tirar uma nota boa.

Links externos

  1. CV no Sistema de Currículos Lattes
  2. Galeria de Reitores do ITA. Portal do ITA.
  3. Reitores e Vice-reitores do ITA. Portal do ITA.
  4. Especial da Unirio sobre Tércio Pacitti

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