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EDUARDO MONTEBELLO


Por Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto, em 28/7/16


Um de meus mais queridos amigos, foi meu colega de científico no Colégio Estadual Presidente Roosevelt da Rua Gabriel dos Santos e depois no ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, onde nos formamos em 1962. Lá tinha o nome de bicho (apelido conferido no trote) Piu-piu, por ser baixinho, mas o chamávamos mesmo de Edu. São-paulino de nascença, jogava muito bem futebol. Note-se que, memorável exceção, torceu para o Corinthians no mundial contra o Chelsea, no que acredito, eu que fi-lo pelo São Paulo em jogos semelhantes. Formou com outros três baixinhos, Credidio, Calino e Eden (Dodói, Ziki-zira e Anjinho) o melhor time de futebol de salão de nossa turma do ITA, que se completava com um goleiro alto, o colega Celso Bottura.

Assistimos juntos vários jogos de futebol, inclusive um memorável em Campinas, válido pelo acesso à primeira divisão do futebol paulista. A Ponte Preta jogando em casa com o estádio lotado por fanáticos torcedores, precisava só de um empate com a Portuguesa Santista para ser campeã. Pois tomou um gol aos seis minutos do primeiro tempo, bombardeou o adversário por todo o jogo, mas perdeu.

O clima era de guerra, ouviam-se tiros. Nós, que torcemos contra na mais absoluta clandestinidade, saímos cautelosamente do estádio, passamos com o carro no meio da multidão enfurecida e fomos para o centro da cidade. Lá encontramos um oásis de felicidade, uma região em que se festejava e cantava com alegria, onde encontramos um bar para beber em paz. Era a torcida do Guarani.

Dotado de privilegiada inteligência, uma de suas facetas características era apreciar profundamente alguns gêneros da música latino-americana, em especial tangos, boleros e música popular brasileira, mormente aquelas que se celebrizaram nas vozes de Orlando Silva e Nelson Gonçalves.

Uma vez, nos tempos de solteiros e boêmios, estávamos à meia noite na Praça Marechal Deodoro, onde o Edu residia, e entramos num bar que não fechava para tomar uma última cerveja.

Ao sentarmos, pedi-lhe:

– Canta um bolero.
– Qual?
– Por que, vai me dizer que você sabe todos?
– Todos não, mas uns 120 eu garanto.

Então apostamos. Se ele cantasse 120 boleros, eu pagava, se não, ele. Pois ficamos até o amanhecer bebendo cerveja, ele cantando e eu marcando. Resultado: paguei a conta.

Numa outra ocasião, eu lhe pedi:

– Edu, canta Volver.
– O que é isso?

Fiquei estupefato! Trata-se de um dos mais lindos tangos de Gardel (Yo adivino el parpadeo / de las luces que a lo lejos / van marcando mi retorno...) e ele não conhecia! Expliquei-lhe isso, o que o deixou meio acabrunhado.

Alguns dias depois, nos encontramos:

– Tudo bem, Edu?
– Yo adivino el parpadeo / de las luces que a lo lejos / van marcando mi retorno...

E cantou o tango inteiro. Estava perdoado.

Trabalhou muitos anos na Prodesp, Cia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo. Quando fui Diretor do Processamento de Dados da Fundação SEADE – Sistema Estadual de Analise de Dados, tive um lance memorável com o Edu.

Logo quando assumi o cargo, o primeiro problema que me trouxeram foi o de uma pendenga antiga com a Prodesp, fornecedora de serviços para o SEADE, que o diretor anterior não conseguira resolver. Então perguntei qual era o contato que se deveria procurar naquela empresa.

– É o Engenheiro Eduardo Montebello

Certamente surpreso com a resposta, liguei para o Edu, nos reunimos no dia seguinte, o problema foi resolvido imediatamente e o meu prestígio no SEADE subiu ato contínuo.

Ao caro Edu, sua esposa Lurdes, suas filhas Alessandra e Luciana e sua neta Raffaela deixo aqui o meu afetuoso abraço.


Eduardo Montebello

Turma de 1962

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