T62 Pedro Luiz: Antero e eu

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           Antero e eu


Leio versos de Antero que um amigo
pela web mandou e o português
deixou as suas emoções comigo
nesses belos sonetos que ele fez...

São versos que jamais do meu abrigo
sairiam, pois outra é a hora e a vez,
não me inspiram heróis, mas o perigo
de triunfar neste mundo a insensatez...

Fala ele, certo, a gente do seu porte,
meu estilo é mais chão, porém de sorte
a ambos pormos na escrita convicções...

Do insólito cotejo o fecho vem:
é ele um poeta, mas eu sou também,
guardadas as devidas condições...

14/1/2017

A Rubens Sewaybricker


Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto


Poesias de Antero de Quental que inspiraram a acima

                Mais luz!


Amem a noite os magros crapulosos,
E os que sonham com virgens impossíveis,
E os que se inclinam, mudos e impassíveis,
À borda dos abismos silenciosos…

Tu, Lua, com teus raios vaporosos,
Cobre-os, tapa-os e torna-os insensíveis,
Tanto aos vícios cruéis e inextinguíveis,
Como aos longos cuidados dolorosos!

Eu amarei a santa madrugada,
E o meio-dia, em vida refervendo,
E a tarde rumorosa e repousada.

Viva e trabalhe em plena luz: depois,
Seja-me dado ainda ver, morrendo,
O claro Sol, amigo dos heróis!

(Do livro De Camões a Pessoa, de Douglas Tufano - página 63)


           Hino à razão


Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece.
É a voz de um coração que te apetece,
Duma alma livre, só a ti submissa…

Por ti é que a poeira movediça
De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.

Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade, entre clarões;
E os que olham o futuro e cismam, mudos,


Por ti, podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos, que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!

(Do livro De Camões a Pessoa, Douglas Tufano - página 63)

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