T62 Pedro Luiz: Eu palindromo

De wikITA

Eu palíndromo


Pensei em chamar esta crônica de “Palíndromia”, mas fui aos dicionários e descobri que essa palavra só designa, no campo médico, a recaída de uma doença, quando eu imaginava que se referisse à ação de descobrir ou criar palavras, frases ou textos que são iguais quando lidos nos dois sentidos. A palavra “anilina” e a frase “Roma me tem amor” são os mais batidos exemplos disso.

Claro que há outros numerosos, como “A cara rajada da jararaca” ou o rebuscado “Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos”, como que a exigir uma historieta explicativa. Em inglês, o colega Mario Rosenthal me enviou o “A man, a plan, a canal: Panama” e, em latim, veio do Eduardo Montebello o “In girum imus noctu non ut consumimur igni”, que quer dizer “À noite andamos em círculos para não sermos consumidos pelo fogo”.

Essa brincadeira rondou-me a imaginação por alguns tempos, resultando as minhas criações a seguir, que lego à posteridade:

A Rita a ripa na pira atira

Aranega é réu que reage, Nara (*)

A Diana leva a vela na ida

Ódio dê o medo se vês o demo, é doido

Ir a Adana seria ires a nada, Ari (**)

A redoma o amo dera

Anotaram a data da maratona

Raul, Omar, Ivan, Aida, Diana viram o luar

A Ravel a suma aura na rua a musa levara

Ávaro, ante o Etna orava

Ânimo, dezoito salas o Tio Zé domina

Leon, amo Zidane, Romário, loira, morena, diz o Manoel

Ama bala o dono do Alabama

Maria, Saul, Messi, Arrais sem lua saíram

Rias assim a da missa sair.


É isso aí.

9/10/16

Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto

(*) Joguei xadrez por correspondência contra um adversário chamado Francisco Aranega de Jesus

(**) Adana é uma cidade importante da Turquia.

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