T62 Pedro Luiz: Momento Musical I

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Momento glorioso musical I

Eu estudei piano dos 7 aos 23 anos de idade. Cheguei a tocar razoavelmente bem peças do repertório clássico de mediana dificuldade.

Durante os cinco anos em que estudei no ITA, de 1958 a 1962, mantive uma professora em São José dos Campos, em cuja residência me apresentava quinzenalmente para suas aulas do instrumento. Essa senhora, pela qual tive muito apreço e respeito, organizava todo ano, lá por novembro, um recital com todos os seus alunos, dos mais jovens aos mais graduados. Eu era o penúltimo nessa escala.

Como em todo evento desse tipo, o amadorismo prevalecia e era comum vários(as) alunos(as) errarem bastante na execução das peças, o que não os(as) impedia de serem generosamente aplaudidos(as). Eu era uma exceção, pois me preparava bem e, se cometia erros, eram pequenos, alguns talvez nem percebidos pelo público.

Na última vez em que me apresentei, lembro-me de haver tocado a Polonaise nº 1 de Chopin, opus 26, e uma bela e razoavelmente difícil peça chamada Bulerias, do pouco conhecido compositor espanhol Federico Longas. Fui muito bem e, ao final, cheguei a dar autógrafo a um solicitante.

Nessa mesma ocasião alguém me perguntou como eu conseguia, durante a execução, manter-me absolutamente calmo e seguro, quando a maioria dos outros que se apresentavam demonstravam evidente nervosismo. Hesitei em responder, mas acabei confessando que o meu segredo, que usei durante muitos anos com total sucesso, era 15 minutos antes da minha entrada no palco ir ao bar e tomar uma dose de conhaque.

Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto

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