T62 Pedro Luiz: Momentos Hilários VIII

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Momentos hilários VIII


Terminava o meu mandato de quatro anos como Diretor de Processamento de Dados da Fundação SEADE, como também o do Diretor Executivo, meu amigo Rubens Murillo Marques, que não podia ser novamente reeleito.

Isso não estava nos meus planos, mas diversos amigos que eu tinha na entidade, entre eles um de longa data, o Claudio Colombani, que eu lá pusera a trabalhar, resolveram lançar a minha candidatura à lista tríplice da qual o governador do Estado, no caso Orestes Quércia, escolheria o sucessor do Rubens. Fiel a nossa amizade, conversei com ele sobre isso, sendo autorizado a fazer as gestões necessárias, mas me pediu que não fosse ao governador. De fato, falei com alguns membros do Conselho de Administração da entidade e não fui ao governador.

Ocorreu, entretanto, que alguns dos meus apoiadores, à minha revelia, o fizeram, e o Rubens ficou sabendo. Muito aborrecido com isso, chamou-me à sua sala, onde me recebeu com cara de poucos amigos.

Eu conhecia bem o Rubens e sabia de sua dureza em lidar com as pessoas, quando contrariado. Lembro, por exemplo, de um dia em que o Secretário do Planejamento, José Serra, com quem ele não se dava, mas ao qual o SEADE estava subordinado, o chamou para um encontro às 15 horas no seu gabinete no Palácio dos Bandeirantes, para o qual o Rubens me convocou a acompanhá-lo. Engravatei-me e fomos. Na hora aprazada, nos apresentamos à secretária do Secretário. Disse que não estava. Fomos tomar um café e voltamos às 15:10h. Ainda não havia chegado. Quando qualquer outro se submeteria a um humilhante chá de cadeira, o Rubens não teve dúvida:

̶ Aqui está o meu cartão. Diga ao Secretário que o procurei, conforme solicitado.

E fomos embora. Mas, voltando à minha entrada em sua sala, ele foi logo me acusando de haver falado com o governador, ao contrário do que me comprometera. Expliquei-lhe que não o fizera nem o autorizara, foi à minha revelia. Ante a sua relutância em acreditar, recordei a nossa amizade, um episódio em que lhe dera apoio contra um superior arrogante, e lhe disse, como argumento mais veemente:

̶ Rubens, eu sempre agi limpo com você, inclusive agora. Eu tenho liberdade com você. Se eu achar que devo lhe mandar à puta que o pariu, eu venho aqui e digo: RUBENS, VÁ PRA PUTA QUE O PARIU!

As últimas sete palavras foram verberadas alto e bom som, como o momento requeria, e certamente foram ouvidas na antessala. Seu efeito foi eficaz, recuperei o crédito do chefe e, alguns minutos depois nos despedíamos abraçando-nos sorridentemente na frente da estupefata secretária e algumas outras pessoas que ali estavam.

Todas elas certamente não conseguiram entender patavina do que se passara naquela sala!


23/9/16

Pedro Luiz de Oliveira Costa Neto

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