T63-Amadeu-Em-memoria-de-nos

De wikITA

Em memória de nós


Amadeu Aleixo Machado

(Outubro de 2018, por ocasião do encontro, em Campos do Jordão, de 55 anos de formatura da turma de 1963 do ITA)

Faltando apenas 3 meses para completarmos 60 anos de respeito, coleguismo, camaradagem e amizade, acontecimentos extraordinários de nossas vidas surgem em nossas mentes, como uma espécie de reprise de filme em branco e preto.

Vários de nós já estamos naquela idade em que “o doce aroma do abacaxi não produz mais saliva em nossas bocas” ou então naquele estado auditivo em que uma mulher jovem, bonita e cheirosa se despede dizendo “Tchau fofo” e você fica em dúvida se ela não teria dito “Tchau vovô”?

Vocês também devem ter ouvido com frequência a frase: “O homem somente morre quando ninguem fala mais sobre ele!”

Pois é por causa dessa frase que resolvi escrever sobre os colegas que se foram, parte de nós mesmos. Resolvi falar de nós e dos amigos que nossas lembranças os mantem vivos.

No início de dezembro de 1958 realizamos o sonho de passar no vestibular mais difícil do Brasil e que foi reconhecido como o mais difícil do próprio ITA até aquela época.

Entre 12 e 25 de janeiro de 1959 todos nós nos apresentamos no ITA.

Este foi um momento semelhante ao início de uma viagem. A mesma ansiedade e a mesma curiosidade. Na verdade aquele momento foi o início da viagem de nossas vidas.

No momento em que chegamos recebemos quatro coisas: apelido, tabuleta para ser colocada no pescoço, uma gravata borboleta vermelha que devíamos vestir quando em público, e um guizo para ser fixado na perna direita da calça, exatamente na metade da distância entre o joelho e o chão. O guizo servia para alertar os veteranos - até hoje veneráveis criaturas - que estávamos nos aproximando. A tabuleta servia para expormos nosso novo nome, ou seja, nosso “nome de bicho”. Dessa forma os veneráveis não perdiam seu precioso tempo nos perguntando. Ninguém podia ser chamado pelo nome antigo, sob risco de punição. Essa regra valia para todo o Campus, exceto no interior dos apartamentos dos bichos.

Analisando hoje essa situação percebe-se o quanto foi importante essa mudança de nome. Ela nos deu nova identidade, igual para todos.

Alguns dias depois, no início do ano letivo, tivemos a aula inaugural. Era uma aula de Química, onde o “professor” misturava algumas palavras em alemão com um português cheio de erros. Nós anotávamos tudo, inclusive a lição de casa para o dia seguinte, daquela aula de mentira.

No final, os dois meses de trote diário serviram para nos nivelar sob todos os aspectos; estávamos todos iguais, todos felizes, ninguém melhor que alguém. Todos respeitando, ajudando, estimulando e protegendo o outro. Tudo como se passa até hoje, passados quase 60 anos.

Havíamos entendido o significado do “Espírito Iteano” e já estávamos preparados para enfrentar o curso no ITA.

É interessante notar que certos “nomes de bicho” pegaram e são conhecidos até hoje; os outros caíram em desuso até a data de nossa formatura, mas, apesar de nossas idades que se avizinham de um século, ninguém esqueceu seu nome de bicho.

Os nomes relacionados com sua aparência pessoal, ou com semelhança a algum personagem da época, ou algum veterano, “pegaram” (ou se popularizaram).

Assim temos “Xmit”, ou “Mr. X” que até hoje é ostentado no seu cartão de visita empresarial; “Noel Rosa” : igualzinho o famoso compositor de música popular, foi desligado; “Amorfo”: aquele que não tinha uma forma definida, que não participou da solene entrega de diplomas por não haver datilografado o seu TG (na época chamado de TI, Trabalho Individual), até o dia da cerimônia; “Pardal”: o Professor Pardal da estória em quadrinhos, e continua sendo Pardal até hoje; “Dana Kay”: o qual teve que fazer outro vestibular e mudar para a Turma 64, porque não havia se diplomado no curso colegial, ficou com o nome do astro de cinema da época; “Pafúncio”: igual outra figura de estória em quadrinhos, mas agora menos parecido porque envelheceu um pouco e o personagem figurativo, não. “Kitassato”: bochechas em formato do frasco de laboratório de mesmo nome - era um grande lutador de Judô, muito útil nas competições esportivas; usava um único caderno para anotações de todas as matérias; “Delta Z”: o menor em altura e menor em idade, pois entrou no ITA aos 17 anos, mas o tempo passou e ele não cresceu, mantendo-se “Delta Z” até agora; “Minhocão”, o mais alto do grupo e aquele que, mais tarde, conquistou a honra de se tornar Reitor do ITA. Mas, como em tudo existem exceções, nós temos até hoje o “BTU” (British Thermal Unit), nome dado por um veterano de excelente intuição que percebeu naquele instante quem se tornaria o mais “esquentado” da Turma; e “Louquinho”, o mesmo padrinho de batismo, que se antecipou à historia e previu a fundação da Embraer 9 anos mais tarde, e que ela necessitaria de um arrojado e competente piloto de provas.

Desde o início nossa turma se destacou, mais do que quaisquer outras, em muitas atividades, desde música da câmera (junto com professores), teatro, participação em cursos de pilotagem de avião e de planadores, e grande destaque em esportes. Nas nossas páginas na internet (wikITA) encontram-se informações detalhadas. O maior destaque sempre foi a união da turma, fato este que até gerou apelido para o conjunto de todos nós: “Turma da graminha”.

Nós vivemos um período de mudanças econômicas intensas. Quando nascemos, inclusive o caçula Gustavo, a moeda nacional era o RÉIS (moeda do tempo do Império Português); em 1942 desvalorizou 1.000 vezes e nasceu o CRUZEIRO; que desvalorizou 1.000 vezes em 1967 e nasceu o CRUZEIRO NOVO, e seguiram-se, em 1986 o CRUZADO, em 1989 o CRUZADO NOVO, em 1990 o CRUZEIRO renasceu, em 1993 transformou-se em CRUZEIRO REAL. Em todas as vezes a desvalorização foi de 1.000 vezes. Em 1994 a desvalorização foi de 2.750 vezes e passamos a negociar com o REAL. A desvalorização da moeda entre 1942 e 1993 foi de 2,750x10^21 vezes!

Em compensação, depois de formados, convivemos com um intenso período de desenvolvimento no setor de telecomunicações, e muitos dos nossos colegas eletrônicos participaram ativamente dos projetos e instalações de redes de telecomunicações por todo o Brasil. Pensar que havíamos sido convocados ao ITA por meio de um telegrama, tecnologia que tinha sido criada quase 120 anos antes... Com a participação desses colegas as comunicações brasileiras se igualaram, tecnologicamente à de países mais avançados, apesar das condições menos favoráveis, tais como dimensões do país, distância entre cidades, meios precários de transportes etc. Isto nos enche de orgulho até hoje.

Muitos de nossos colegas aeronáuticos tiveram participação muito importante no desenvolvimento da Embraer, desde o princípio dela. Partir de um projeto e chegar ao produto final, em se tratando de fabricar aviões, certamente foi um grande desafio. Sem poder contar com uma infraestrutura de fornecedores experientes esse desafio se transformou numa gigantesca tarefa. Tudo deu certo, e hoje o Brasil todo se orgulha do sucesso.

Alguns colegas de eletrônica – Affonso, Jeronimo, Hitoshi, Luiz Pinto e Nivaldo foram trabalhar no IPD (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento) do CTA, no desenvolvimento de equipamentos para a Aeronáutica. O Affonso trabalhou lá durante a vida toda.

Outros colegas foram trabalhar na indústria automobilística, recém instalada aqui, e outros (como Andreazza, Bastos e Jed) foram para a Petrobrás, poucos para a indústria eletrônica, apesar da existência de mais de 40 fabricantes de TV – muitos deles fabricavam 50 a 100 TVs por mês – e inúmeros fabricantes de rádios - vários deles adquiriam e somente montavam os kits da Radio Universal, inclusive nós. Os nossos rádios eram para uso próprio, no H8. Havia poucos fabricantes de telefones. Mas existiam várias fábricas de componentes eletrônicos e de partes e peças mecânicas para aparelhos eletrônicos.

O eletrônico Takazi demonstrou a versatilidade do iteano, pois seu sonho de trabalhar em vendas o levou a diretor para a América Latina do fabricante de WD40.

Boa parte da turma continuou os estudos e depois se tornaram professores no próprio ITA ou em outras escolas. Alguns de nossos colegas permaneceram no exterior (Ciampi na França e Hartman nos Estados Unidos), outros foram trabalhar no exterior mais tarde (Bandel na Alemanha, e Schorer na Suiça, e mais recentemente o Delta-Z no Canadá).

(Acionando-se cada foto das seguintes, aparece a imagem mais ampliada.)

Leal – 1963

Em 23/10/1984, apenas 25 anos após nosso encontro no ITA, perdemos, prematuramente, o convívio com nosso companheiro de jornada Victor do Nascimento Leal. Estava trabalhando na fábrica de autorádios Philco-Ford e havia viajado a trabalho para Tóquio. Lá teve um ataque cardíaco fulminante quando fazia “Cooper” no final da tarde, próximo ao hotel. A primeira coisa que me veio em mente foi que o pai do Victor – Oficial da Aeronáutica Oswaldo do Nascimento Leal – que, desde quando estudava no MIT, participou dos contatos que conduziram à fundação do ITA , havia falecido praticamente com a mesma idade dele, também por ataque cardíaco. Em São Paulo o Victor viveu alguns anos próximo de minha casa e nos visitávamos com certa frequência. Tínhamos filhos com idades próximas. Ele e Lucia Helena (que havia sido secretaria do prof. Boffi) casaram-se logo após a nossa formatura. Eu senti um grande choque com a notícia, e naquele momento fiz uma pequena oração para ele, e outra para a Lucia e filhos, desejando que eles conseguissem superar a perda e tivessem uma vida feliz.

Daí em diante orei sempre para todos os colegas que partiram e para suas respectivas famílias.

Quando o Victor nos deixou, a Nave Terra, com a velocidade de 1 milhão de km/h (segundo a NASA), já havia percorrido, desde nosso primeiro encontro, cerca de 220 x10^12 km, ou aproximadamente 8,45 dias-luz.

Seiho – 1963

Pouco tempo depois do Victor Leal quem nos deixou foi o Seihó Gushi. Ele não participou dos trotes porque veio da turma 62. Logo depois de formados ele, Taube e Dutra foram para Belém levados pelo Jurandyr para organizar os cursos de mecânica e eletricidade na Universidade do Pará. O Seihó deve ter falecido em 1988 – pois em 1989 foi criado, no Pará, um troféu, com o seu nome, para engenheiros com maior destaque no ano. O Seihó fazia desenhos que pareciam obras de arte, contrariamente ao colega Luiz Pinto, que ao desenhar uma peça de mais ou menos 20 cm, num papel tamanho A2, usou escala 1:20 e, no desenho, a peça ficou com 1 cm, para desespero do Prof. Kohler que disse “Isto ssstá uma poorrcarrrria”. Durante algum tempo o Seihó tinha finais de semana muito agitados: aos sábados à tarde viajava para Jacareí, para namorar; aos domingos de manhã ia namorar outra em Taubaté e aos domingos à noite namorava a terceira em São José dos Campos.

Arao – 1963

Na sequência de perdas tivemos a do Takeshi Arao. Ele foi uma pessoa extremamente camarada, sempre amigo, alegre. Eu gostava de conversar com ele. Fazia-me lembrar do Príncipe Hirohito, acho que era por causa dos óculos de lentes redondas. Estudou motores e trabalhou bastante tempo na Toyota do Brasil. O Arao faleceu em 23 de Agosto de 1996. Curiosamente o Fernando Vecchi, seu companheiro de curso de motores e de TG, também nos deixou , menos de 3 meses depois, em 4 de Novembro de 1996. Do Vecchi eu somente sei que ele morou e trabalhou no interior do estado durante bastante tempo.

Affonso – 1963

Em 14 de Julho de 1998 quem se retirou foi o Affonso Henriques Corrêa Dias. Alcindo, Tobias, Jayme e eu, seus colegas de apartamento temos motivos bastante para sentir sua falta. Como eu e ele ocupávamos o mesmo quarto do apartamento e cursávamos Eletrônica, eu tinha mais tempo de permanência com o Affonso. No nosso quarto eu era disciplinado e mais organizado, ele menos preocupado e muito mais desorganizado. Ele falava, comia bolachas, tomava água o tempo todo. Então quando eu ia dormir sempre à meia noite, ele ia conversar com os outros. De manhã nos levantávamos às 7h e ele ficava dormindo. Não tomava café da manhã e chegava em cima da hora na sala de aula. Era bom aluno, apesar de dormir pouco e contar causos o tempo todo. Banhos não eram muito de seu agrado; roupas sujas se acumulavam por semanas antes que levasse à lavanderia. Uma tarde ele estava lendo a Bíblia enquanto eu fazia listas de exercícios. No dia seguinte ele voltou a ler a Bíblia, aí eu lhe perguntei: porque você está lendo a Bíblia, se frequenta tão pouco a igreja? “Sabe, eu descobri que existem muitos contos eróticos na Bíblia! É isso que estou lendo.” Numa outra ocasião ele passou várias tardes repetindo um única única frase enquanto andava pelo apartamento com seu copo de água numa mão e o pacote de bolachas na outra: “Porque existem 3 e não 2,73 dimensões no Universo?” duas dimensões fracionárias ou sessenta e três?”. Não era só no ITA que fatos estranhos ocorriam com ele. Antes do ITA já havia caído do Jeep que ele próprio dirigia. Havia deixado cair no chão o fuzil que deveria apresentar, na frente de seu pelotão, ao Comandante do 3ª Divisão de Exército. Num dos sábados que costumava ir a tarde para São Paulo ele perdeu o último ônibus da Pássaro Marrom, e como o dinheiro que tinha não dava para pagar um hotel ou pousada, ele não pensou duas vezes, comprou ingresso para um daqueles cinemas pornô ali mesmo da Av. Rio Branco, me disse que dormiu sentado na poltrona do cinema, somente saiu às 4:30h da manhã, quando o vigia o acordou. Numa das férias de uma semana, em que viajou para Pelotas, ele voltou contando que, ao chegar na rodoviária de Porto Alegre, foi preso. Somente foi libertado depois de haver provado que estudava no ITA. A polícia havia confundido o Affonso com um bandido chamado “Promessinha” (Nenhuma relação com nosso colega Dalmir.)

Claro – 1963

Passados mais de três anos, em 12 de Dezembro de 2001, nos deixou o colega José Hamilton Suarez Claro. Durante o tempo de trote ele participou de um grupo chamado “Caveiras”, que vingavam na própria Comissão de Trote aquilo que recebíamos dos veteranos. Os “Caveiras” chegaram a sequestrar o veterano raspador de cabeleiras com uma temível máquina de cortar cabelos chamada “Dalila” e, usando a dita cuja, rasparam o volumoso bigode do Sabra. Em todas as ações do grupo o Claro deixava o desenho da caveira. Muitos anos antes de sua morte José Hamilton já era um artista reconhecido. Tem um livro sobre ele na Academia Iteana de Letras. Fomos vizinhos de apartamento. No dele viviam ele, Marangoni, Tyla e Arnaldo (Licoceno).

Veiga – 1963

Quase três anos mais se passaram e, em 7 de Dezembro de 2004, mais um colega se foi. O Fernando da Veiga Watson. Sabe-se que ele foi professor na UFRJ, PhD pela UCLA, e lecionou até exatamente um mês antes de sua morte. Ele também escreveu um livro que consta da Academia Iteana de Letras.

Em 1959 havia embarcado em nossa Nave Interplanetaria Terra um passageiro muito especial. Ele não tinha nome de bicho, não usou placa, nem gravatinha vermelha, nem guizo na perna da calça, não levou trote e não morou no H8. Era casado. Estou me referindo ao Capitão, e mais tarde Tenente-Coronel da Força Aérea Heitor Borges Junior. O Tenente-Coronel Borges era como um tio para muitos de nossos colegas. Já durante o período do serviço militar no CPOR, que os mais jovens tiveram que prestar, ele serviu de padrinho a vários deles: Dalmir, Bastos e Laudo. Somente em Novembro de 2013 tomamos conhecimento que o Borges havia falecido, entre 2006 e 2008.

Revelaram-se então várias recordações a respeito de sua aderência com a nossa Turma: desde sua participação conosco em Assembleias do Centro Acadêmico Santos Dumont, até a libertação de colega que se envolveu numa briga de rua na cidade e foi retirado da cadeia por ele. Revelou-se também que ele emprestava sua Kombi para transporte de equipamentos e materiais, de interesse da turma e que fez um vôo com nosso colega Laudo até Guaratinguetá, para transportar equipamentos para a formatura da turma de CPOR. O colega Laudo foi escolhido por ele como testemunha do nascimento de seu primeiro filho, chamado tambem de Heitor.

Seu TG foi feito juntamente com o colega Bandel. Tratou-se de um trabalho arrojado, que consistiu em modificar o motor do Fusca, em motor para um avião monoplace, com estrutura de madeira, que estava sendo desenvolvido pela empresa Avibras. Simultaneamente os colegas Alcindo e Bartels desenvolveram, em seu TG, o trem de pouso do mesmo avião. Infelizmente aconteceu um incêndio nos barracões da Avibras e o avião foi destruído.

Em 1965 ele foi escolhido pela Força Aérea Brasileira para treinamento na NASA, visando a instalação do Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno, da qual ele participou. Ele e seus companheiros foram condecorados pelo trabalho realizado. Depois ele ajudou o iteano Ozires Silva, durante a formação e implantação da Embraer. Em 29/7/1969 foi promovido a Tenente-Coronel por merecimento. Na sequência foi Diretor Administrativo e Financeiro do Serpro, quando o Dion era Presidente e “Foi um forte apoio para a criação do primeiro sistema projetado e fabricado no Serpro, o Concentrador de Teclado, junto com o Mesquita e o Pegado” como declarou o colega Dion. Reformou-se como R-1, uma exceção, para permanecer no Serpro mais tempo que o permitido pela Força Aérea. Ele foi um apoio muito grande ao Haroldo Correa de Mattos na criação da ECT a partir do desmoralizado DCT (Correios).

No final de sua carreira mantinha um laboratório e oficina em casa, onde desenvolvia suas invenções até nível de protótipos.

Jerônimo – 1962

Continuávamos nossa viagem inter-estelar e, em 30 de Julho de 2008, foi a vez do colega Jerônimo José de Araújo Souza nos deixar. O Jerônimo foi um aluno muito aplicado, trabalhou inicialmente no IPDA e mais tarde associou-se a outros na empresa ESCA. Depois que deixou essa empresa ainda associou-se à PROMON onde permaneceu por alguns anos. Nesse período mantivemos relacionamentos profissionais, visto que ele era diretor da divisão de Telecomunicações enquanto eu lhes fornecia alguns tipos de transformadores. O Jerônimo foi muito participativo em atividades referentes ao ITA. Junto com outros iteanos dirigiu a Fundação Casimiro Montenegro Filho, onde implantaram programas de financiamento de pesquisas para professores do ITA. O Jerônimo foi casado com a Neusa e deixou 1 filho (formado na Poli) e duas filhas.

1963

No ano de 2009 perdemos dois companheiros: Pompílio Mercadante Neto em 16 de Julho e o Mário Trinchero em 28 de Dezembro. O Pompílio morou junto com o Taube, Isak e Eli. Trabalhou muito tempo junto com nosso colega Jayme Pires. Consta que os dois colocaram ordem no sistema aéreo nacional. Depois o Pompílio trabalhou no setor de remédios populares com grande sucesso. No final trabalhou no SPTrans. onde tambem teve ótimo desempenho. Um fato muito importante em sua vida foram os 5 campeonatos consecutivos de basquete, que ganhou junto com os outros colegas de nossa turma.

1963

O Trinchero, no inicio de sua carreira, trabalhou como Gerente no setor de metalurgia, na Aços Paulista e de Usinagem e Montagem na Aços Villares, nos 11 anos iniciais. Em seguida na Saab-Scania do Brasil por 6 anos, e Diretor Gerente da Eluma Autopeças por 13 anos. A partir daí passou 12 anos como Consultor em Gestão Empresarial em Qualidade e Produtividade.


Mauro – 1963

No ano de 2013 mais dois colegas nos deixaram: Fernando Walter em 26/8 e Mauro de Souza em 13/12. Dois grandes companheiros de todos nós. Na vida profissional o Fernando Walter destacou-se como professor do ITA, onde chegou a Chefe da Divisão de Eletrônica. Já o Mauro escolheu trabalhar em computação, tendo grande destaque no trabalho desenvolvido no SERPRO (conforme depoimento do Dion, postado na página do Mauro na wikITA). Aliás na wikITA encontram-se depoimentos de colegas sobre esses dois ex-passageiros da Nave Interplanetária Terra.

Fernando Walter &#150 1963

O Fernando Walter era um sentimental e não me esqueço da tarde de domingo tomando cerveja no bar da quadra, com ele e mais alguns colegas quando, depois de alguns copos, ele começou a chorar. Perguntei o motivo e ele se lamentava de que estávamos ali nos divertindo e que certamente haviam muitas crianças passando necessidades, espalhadas pelo Brasil. O Mauro, que também gostava de uma Brahma Chopp, foi uma de nossas estrelas no futebol de salão.

Hartmann – 1963

Logo no início de 2015 – no dia 21 de Abril – faleceu o colega Carlos Ricardo Peixoto Hartmann, vitimado por um tombo acidental. O Hartmann, depois de formado foi para os Estados Unidos e já na Syracuse University foi o organizador da primeira competição de robôs nos Estados Unidos. Durante nossa viagem à Europa, em 1963 chamava nossa atenção o fato que o Hartmann escrevia uma carta por dia para sua namorada. Foi um dos alunos brilhantes do ITA e professor muito respeitado na Syracuse University.

Dion – 1963

Menos de um ano se passou e em 6 de Fevereiro de 2015 quem nos deixou foi o companheiro José Dion de Melo Teles. O Dion foi um dos colegas que mais se destacaram por seu esforço nos estudos e sua dedicação ao trabalho, mesmo antes de entrar no ITA. Gozou de grande prestígio durante sua carreira, principalmente na vida pública. Em sua página na wikITA há vários depoimentos que valem a pena ser lidos.

Dias – 1963

João Luiz Pereira da Costa Dias deixou de nos acompanhar em 12 de Abril de 2017, inesperadamente. O Dias trabalhou por muitos anos na empresa Listas Telefônicas, e depois esteve em vários países, trabalhando na área de gerenciamento e planejamento estratégico de empresas.

Jurandyr

E por ultimo, também repentinamente, partiu um colega que merece todos os elogios por ter dedicado sua vida a ensinar, nas condições em que trabalhou. Ensinou, não engenheiros de grandes centros ou de empresas famosas. Ele organizou a escola, escolheu professores, doutorou-se, treinou novos professores, influenciou jovens estudantes, e amou e divulgou o ITA. Refiro-me ao Jurandyr Nascimento Garcez. O Jurandyr deixou a Nave Espacial Terra faz apenas 3 meses, faltando apenas 0.15 dias-luz para completar os 60 anos de uma viagem, que estaria completando, até agora, a distância de 20,3 dias-luz .

Esta narrativa me trouxe até aqui, em alguns momentos com tristeza e lágrimas, mas também em momentos de saudades e alegria.

Daqui em frente eu espero que alguns continuem relatando sobre nós, até que o penúltimo deixe o grupo e o último escreva apenas a palavra: “Adeus!”


Turma de 1963

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