Turma de 1963 - viagem à Europa

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Diário da viagem à Europa da Turma de 1963, enviado pelo Amadeu em 12/6/13 (até o item 13) e em 1/8/13.

  1. Lista dos que foram à Europa. Eletrônicos: Tyla, Krepel, Fernando Walter, Dib, Hartmann, Hans, Luiz Pinto, Wilson Ferreira, Doria, Homem de Mello, Leal, Santo, Tiezzi, Laudo, Salgado, Takazi, Sakanaka, Parada, Setzer, Amadeu – Prof. Cassignol. Aeronáuticos: Alcindo, Ty, Isak, Irajá, Marcelo, Dutra, Montenegro, Bandel, Welington, Reffinetti, Carpentieri, Ayrton, Mauro, Martinho, Magalhães, Bastos, Dias, Crocker, Cap. Borges, Trinchero – Prof. Fadigas.
  2. A partida estava prevista para 28/12/62 – para Toulouse, porém o avião da FAB somente poderia nos levar até Lisboa, mas deveríamos sair em 26/12 – Parece que se chegássemos na França antes do 31/12 receberíamos uma ajuda do governo Francês.a estava prevista para 28/12/62 – para Toulouse, porém o avião da FAB somente poderia nos levar até Lisboa, mas deveríamos sair em 26/12 – Parece que se chegássemos na França antes do 31/12 receberíamos uma ajuda do governo Francês.
  3. Em 21/12 Dib me telefonou informando que havia sido alterado novamente para 28/12 porque haviam conseguido que o avião da FAB nos levaria até Toulouse. Deveríamos estar no Rio de Janeiro dia 27.
  4. Ao chegar no Santos Dumont, esperei pelo Setzer e Tiezzi, e depois esperamos o Homem de Mello e Wilson e fomos para o Galeão.
  5. No Galeão houve uma reunião às 22 h, onde o Cap. Borges informou que a viagem fora adiada, sine die, por causa da greve da Marinha Mercante (muitos navios parados em varios locais do Mundo). O avião DC-4 2400 estava pronto, mas não poderíamos usa-lo. Contactado pela comissão o Brig. Teixeira aconselhou que procurássemos a Panair do Brasil. Esta nos concedeu 50% de desconto para pagar a perder de vista.
  6. No dia 28/12 assistimos uma aterrissagem forçada de um Viscount da VASP. Enquanto isso o nosso DC-4 continuava lá porque o navio que estava em Hamburgo se movimentara, porém precisariam levar tripulação para Nápoles. A comissão pediu para arrumarmos avalistas para os papagaios da Panair. O Alcindo me arrumou o aval do irmão que morava no Rio; cada um se virou como pode.
  7. Dia 29 o Prof. Casignol resolveu ir num vôo da Air France.
  8. Dia 31 (2ª Feira) fomos todos à Panair comprar as passagens. O avião DC-8 (que o Bandel fotografou e eu também fotografei depois que chegamos ao aeroporto de Orly) deveria partir às 21h30, porém estava atrasado. Chegou de Buenos Aires às 22 h, com um problema no piloto automático.
  9. À meia noite cantamos nosso hino “COVA DELA” no aeroporto e partimos às 2h40 do dia 1/1/63.
  10. Sobrevoamos Cabo Verde por volta das 6h00 (RJ time) e foi anunciado que o tempo estava bom em Lisboa, com temperatura de 14ºC.
  11. Roteiro da viagem; mapa elaborado pelo Amadeu (o ponto A era o Rio de Janeiro)
    Quando nos aproximávamos de Portugal fomos informados que os aeroportos de Lisboa e de Paris estavam fechados, e que iríamos para Madrid. Chegamos pouco depois das 12 h (RJ time) e nos hospedamos no Palace Hotel (por conta da Panair).
  12. Dia 2/1 fomos acordados às 2h30 e partimos para Lisboa, onde chegamos às 6 horas, depois de uma viagem horrível. Partimos para Paris 45 minutos depois. No aeroporto de Lisboa ninguém conseguiu entender as informações [do alto falante] devido a dificuldades linguísticas.
  13. Chegamos às 9h30 em Orly. Algumas coisas que nos chamaram a atenção em Orly: “portas com sensores para abertura automática”, “carros de aluguel”, e o melhor de todas – a chegada da Rommy Schneider logo depois de nós e seu desfilar na frente de 40 iteanos. Tentamos falar com o Prof. Cassignol que estava em Toulouse e fomos para o Hotel Bedford.
  14. Ficamos hospedados no Hotel Bedford (onde morou D. Pedro II) – não sei se todos ficaram lá – mas no dia 3/1 visitamos a “Casa do Brasil” e nos alojamos – eletrônicos e aeronáuticos - na “Maison des Provences de France” na Cidade Universitaria.
  15. Um grupo do qual fazíamos parte o Cap. Borges, Takazi, Bandel, eu e mais alguns que chegaram pouco depois, almoçamos num pequeno restaurante proximo do hotel. A noite saimos procurando local para jantar – o essencial era o preço. Encontramos um restaurante muito pequeno, na Rua Duphot, proximo de Madeleine, cerca de 500 m do hotel. Depois demos um passeio de metrô – o primeiro para muitos de nós. Ao chegar no hotel ficamos sabendo que no dia seguinte (3 de janeiro) mudariamos para a Cidade Universitaria.
  16. De manhã eu, Sakanaka e Takazi saimos para comprar perfumes. Às 11 h todos nós deixamos o hotel e fomos para a Maison des Provences de France, onde almoçamos. Em seguida fomos visitar a Casa do Brasil, onde encontramos casualmente o Konishi (Samuel Kazuyuki Konishi, ELE-61). O resto da tarde passeamos por Boulervard Saint Michel, Notre Dame, Louvre, Tuileries e levei o resto do grupo para comprar perfumes onde estivera de manhã (se eu fosse mais esperto teria pedido comissão à loja).
    Nesse dia eu estava de serviço e devia ir à estação de trem esperar o Prof. Cassignol, às 22h25. O Dib, Tyla e Fernando Walter me acompanharam. Não encontramos o Cassignol e resolvemos ir ao Pigalle. Voltamos no ultimo metrô e encontramos o Cassignol à 1h30 da manhã.
  17. Dia 4/1 - sexta feira - começamos as visitas: Thomson CSF – onde almoçamos - e as instalações de eletricidade e radar do Aeroporto de Orly. A noite passeamos pelos Champs Elisees até a Torre Eiffel.
  18. Dia 5/1 – sabado livre – visitamos parte do Museu do Louvre. À noite eu, Dib e Fernando Walter fomos a um Cavaux no Bld Saint Michel.
  19. Dia 6/1 – domingo – houve visita à Pilha Atômica de Saclay de manhã e o Palácio de Versailles à tarde – os lagos estavam congelados. Fomos em grupo jantar num Self Service (acho que ainda não existia isso no Brasil) e depois passear em Madeleine.
  20. Dia 7/1 – manhã livre, fui até o consulado justificar falta – não sei se apenas a minha, mas me parece que foi do grupo - ao plebiscito do Sistema Parlamentarista. Passei pela Embaixada do Brasil onde conversei com o pai do Gustavo (Delta Z), que era Adido Militar. Ele me comentou que o DC-4 que iria nos trazer havia chegado em Paris em 4/1 trazendo marinheiros. A tarde visitamos a fabrica de computadores Machines Bull. À noite saimos para jantar e depois tomar um café no “Café do Brasil” – Av. des Champs Élysées - e passear pelo Bd. Saint Germaine e Saint Michel. Nessa altura já não precisavamos de mapa para andar no centro de Paris.
  21. Dia 8/1 – De manhã visitamos a ENSAC (em Orly) e à tarde a ES Eletronica. A noite mais passeios pelo centro.
  22. Dia 9/1 – De manhã visitamos a Thompson Huston e a tarde a LieBelin. À noite eu e Santo Casali fomos até a Basilica de Sacre Coeur, em Montmartre.
  23. Dia 10/1 – Saimos de trem para Calais, às 11 h. Lá tomamos o barco e uma hora e meia depois desembarcamos em Dover. O Sakanaka, que havia se sentido mal na aterrissagem da Panair em Madrid voltou a ter problemas no barco até Dover. Já estava anoitecendo quando tomamos um trem, no qual um dos vagões estava reservado para nós. Viajamos até Londres observando os campos cobertos de neve iluminados por uma bela Lua cheia. Chegamos na Victoria Station cerca de 19 h, 3 minutos antes do horario indicado. Ficamos aos cuidados da TEMA (que era uma associação de fabricantes de equipamentos eletricos – similar a NEMA na America.
    Lá houve a separação de Eletrônicos e Aeronauticos. Nós Eletronicos fomos de ônibus para o Strand Palace Hotel, onde jantamos às 20h30.
  24. Dia 11/1 – Saimos do hotel às 10h30 para uma reunião na TEMA. Aqui o grupo de 20 Eletronicos foi subdividido. Doria, Homem de Mello, Luiz Pinto, Barbosa e eu formamos um grupo para ir a Coventry acompanhados pelo Mr. Bromley (ex Almirante da Marinha Inglesa). Às 12h30 almoçamos no Waldorf. Fomos de van por uma ótima auto-estrada – naquele tempo já havia telefone a cada milha. Chegamos em Coventry às 18h00 h (já estava escuro) e nos instalamos no Chace Hotel. Durante a noite fez muito frio (-17ºC).
  25. Dia 12/1 – Era saábado, dia de turismo. Fomos em dois carros para Stratford Upon Avon, cidade de Shakespeare. Visitamos o teatro, almoçamos no Hotel Red Horse e, como estavamos sentindo muito frio, voltamos para Coventry. O Luiz Pinto queria comprar uma mala e Mr. Bromley nos levou até Leamington, mas ele não comprou. Jantamos na casa dos Bromley, o Doria preparou café para todos – haviamos levado saquinhos de café do IBC – e assistimos lutas livre na TV. Resolvemos conhecer o centro de Coventry mas não havia ninguém na rua. Às 21h30 já estavamos no hotel.
  26. Dia 13/1 – Saimos de onibus em uma volta pela cidade: Catedral e Centro Cultural, e tiramos fotos ao lado da estatua da Lady Godiva. Almoçamos e fomos para o hotel onde passamos o resto do dia. Um piedoso garçon nos indicou um bar nas proximidades. Eram 22 h quando saímos. Era uma cervajaria típica inglesa, onde havia poucas mulheres e muitos homens. Dançavam, cantavam, jogavam dardos e bebiam. Disputamos uma partida, ganhamos 3 dardos – que sorteamos entre nós – o Luiz Pinto e o Wilson Barbosa não ganharam. Às 22h30 a festa acabou e o bar fechou, junto com toda a Inglaterra.
  27. Dia 14/1 – Das 9 às 16h00 visitamos a General Electric Company – Coventry, onde fomos acompanhados por dois engenheiros colombianos. A GEC fabricava telefones e centrais eletrônicas. À noite fomos ao teatro assistir “Believe it or not”.
  28. Dia 15/1 – Saímos às 7h30 para tomar o trem das 8h00 – atrasou 15 minutos, depois mais 5, mais 5, etc... e chegamos a Londres com quase uma hora de atraso (believe it or not). Mr. Bromley ficou arrasado. Almoçamos num restaurante com formato de navio e depois fomos passear, exceto Doria e Homem de Mello (não sei porque não foram). Voltamos ao hotel e saimos às 17h45 para o Cocktail Party onde reencontramos todos os grupos Eletrônicos. À nossa chegada havia um recepcionista paramentado à moda medieval, com um longo bastão, que batia no chão e anunciava o nome de cada convidado que chegava. Lá estava o Adido Aeronáutico da Embaixada Brasileira e varios locais, alem de nós. A recepção terminou às 19h30, como estava previsto. Jantamos novamente no Waldorf e depois fomos, eu, Leal e Sakanaka, comprar remédios contra enjôo para a travesia do Canal da Mancha no dia seguinte. Como o Leal não havia andado no ônibus de dois andares tomamos um – apesar do horario – e fomos até Hyde Park, Victoria Station e voltamos ao hotel quase meia noite.
  29. Dia 16/1 – Saimos do hotel às 7h00 para tomar o trem para Harwich. Novamente havia vagão reservado para nós. Chegamos às 11h00 e embarcamos no M.S. Königin Wilhelmina, e logo muitos tomaram medicamento contra enjôo. Às 12h00 descemos ao piso inferior para almoçar. Os pratos corriam de um lado ao outro conforme o navio oscilava. Todos almoçamos, exceto o Sakanaka que sabiamente dormiu desde que entrou no navio. Logo depois de comermos muitos sentiram enjôo e subimos ao convés; estava um frio horrivel e um vento cortante. A água que caía no convés devido às fortes ondas congelavam imediatamente. A muito custo fomos esvasiando os estômagos, os que haviam tomado medicação demoraram mais. Vários descemos alguns degraus e nos sentamos na escada para tentar dormir. Eu só acordei no final da viagem, que demorou cerca de sete horas. Desembarcamos em Hoek von Holland e tomamos o trem para Eidhoven, onde chegamos às 20h45 e fomos recebidos pelo Pierre Ehrlich, T60 e um holandês que falava português. Eles nos acompanharam até o Hotel Le Duc, próximo da estação. Muitos estavam famintos devido ao acontecido no navio. Jantamos e fomos dormir às 23h00 – fuso horario de +1 h.
  30. Dia 17/1 – Logo cedo, com os mesmos acompanhantes, visitamos o Departamento de Ensino da Philips e almoçamos à moda da Brabântia (pães, queijos, salames, presuntos, carnes defumadas e frutas). À tarde visitamos o Instituto de Pesquisas onde vimos – pela primeira vez – TV em cores, e nos foi apresentado uma nova tecnologia de sistema acustico chamado Todd-AO. Fomos jantar num restaurante onde havia boliche e muita cerveja. Jantamos e depois um grupo cantou varios sambas a pedido da esposa do acompanhante holandes, que era brasileira. Estava muito frio mas às 11h00 eu, mais Tyla e Fernando Walter saímos para dar uma volta. Não vimos viva alma na rua.
  31. Dia 18/1 – Visitamos o Instituto Internacional Philips, onde estudam estagiarios estrangeiros. Após o almoço fomos à Universidade de Eidhoven, onde um professor, falando portugues, nos contou a historia da Universidade e falou sobre nossa nova capital: Brasilia. À noite saimos para passear com temperatura -13ºC.
  32. Dia 19/1 – Eu e o Salgado saimos dar uma volta antes de partirmos, às 9h00, para Amsterdam, de ônibus. Cerca de 11h00 chegamos em Rotterdam – na época o segundo maior porto do mundo. Fomos à Euromast (119 m de altura) onde almoçamos. Sentia-se o balanço da torre com o vento. Partimos às 15h00com destino a Haia, porém não paramos porque havia muita neve e anunciava-se que a estrada poderia ser interditada a qualquer momento. No trajeto vimos o primeiro moínho de vento. Chegamos a Amsterdam às 18 h e nos hospedamos no Centraal Hotel. Um grupo saiu para passear e depois de quase perder o caminho, voltou para o hotel.
  33. Dia 20/1 – Era domingo – dia de turismo. O dia estava maravilhoso – céu limpo, sol e muito frio. O programa era visitar uma aldeia de pescadores, mas Amsterdam estava isolada pela neve. À tarde estava programado um passeio de barco pelos canais. Como estavam completamente gelados passeamos a pé sobre eles. Visitamos o museu Municipal e depois Dib, Hartmann, Fernando Walter, Sakanaka, Luiz Pinto e eu fomos caminhando até a estação ferroviaria. À noite fomos comer num Restaurante Indonésio – foi a terceira vez que comi arroz na Europa.
  34. Dia 21/1 – Fomos logo cedo para Huizen, visitar a Philips Telecommunication – almoçamos na propria fabrica e voltamos às 17h30 para Amsterdam. Por sugestão do Doria saimos à noite para uma volta. Acabamos dando a volta somente no quarteirão do hotel.
  35. Dia 22/1 – Saímos da Centraal Station às 7h50 rumo a Bonn. Cruzamos a fronteira às 9h35. Às 11h35 passamos por Köln e às 12h30 chegamos a Bonn. Fomos recepcionados com um almoço no Press Club. Depois fomos ao Bundestag – nas margens do Rio Reno – e nos dirigimos ao Hotel Zaeske, onde a minha metade da turma ficou hospedada. Pela primeira vez depois da França não estava muito frio à noite. Portanto pudemos passear um pouco.
  36. Dia 23/1 – Saimos de Bonn de manhã para visitar o Rádio Telescopio. O mecanismo da antena de 25 m de diametro e 20 toneladas de peso estava congelado e nada funcionava. Muitos queriam comprar máquinas fotograficas e havia informação que em Köln era mais barato. Alugamos um ônibus e fomos até lá, onde aproveitamos para visitar a catedral em maravilhoso estilo gótico, vimos um painel de mosaicos romanos na proximidade e passeamos pela cidade. Depois das compras de máquinas fotograficas voltamos para Bonn. À noite comemos sanduiches – com salsicha é claro – e depois fomos ao “Tabu”.
  37. Dia 24/1 – Saímos para o aeroporto Köln-Wahn às 8h30. Havia uma equipe de cinegrafistas filmando o aeroporto. Fomos filmados também. Tomamos o Viscount da BEA às 10h10. Chegamos em Berlim às 11h30. Ao passar no corredor aéreo o avião tinha que perder altura. Dava para ver as cercas dos dois lados do corredor. No aeroporto Tempelhof um ônibus nos esperava. Ficamos hospedados no Hotel Central, na Kurfürustendam – era a rua mais famosa de Berlin; ficamos muito impressionados com a Gedächtnisskirche, a Igreeja da Memória, pois tinham deixado a torre semidestruída como estava logo depois da guerra. Saímos para almoçar, demos uma volta e depois saimos novamente para jantar, e caminhamos mais um pouco. A temperatura oscilava em torno de zero graus centigrados, mas estava agradavel. Só ficava ruim quando a neve começava a derreter.
  38. Dia 25/1 – Visitamos a Standard Elektrik Lorenz pela manhã e a Universidade Técnica (Technische Hochschule) de Berlin – setores de Eletrônica Aplicada à Engenharia Aeronáutica, à tarde. Antes dessa visita participamos de uma guerra de bolas de neve.
  39. Dia 26/1 – Sábado, dia de turismo. De manhã fomos ao Centro de Informações de Berlim, onde encontramos os Aeronáuticos. Ouvimos uma exposição sobre a situação da cidade e saímos para uma volta de ônibus. Estava nevando muito. Vimos o muro e a porta de Brandenburg. Almoçamos e cerca das 15h30 em pequeno grupo (Dib, Hartmann, Tyla, Fernando Walter e eu) tomamos o metrô de superfície S Bahn para Berlim Oriental. O trem estava praticamente vazio, nós e alguns poucos passageiros. Chegamos em 10 minutos. Apresentar passaportes, mostrar objetos pessoais, todo o dinheiro etc. Demorou 35 min. Andamos então pela cidade quase deserta. Havia ruas sem nenhum sinal de pneus ou rastros de pessoas sobre a neve. Vimos construções muito bonitas, anteriores à guerra de 1945, semidestruidas. Vimos a Catedral, o Museu e a Ópera, danificados. Voltamos a Berlim Ocidental por volta das 18h00. Após o jantar eu e Fernando Walter fomos ao “River Boat” – 3 salões, 4 orquestras e muitos jovens dançando. Saímos logo e encontramos, proximo ao hotel, o Hans, Sakanaka e Homem de Melo, com ajuda de alguns estranhos fazendo uma guerra de neve com outro grupo. Entramos no grupo. Os estranhos foram embora e perdemos para o outro grupo.
  40. Dia 27/1 – Domingo – dia de viajar. Fomos tomar uma Berliner Weisse – cerveja adocicada, com gosto de ponche. Depois do almoço fomos ao Tempelhof e tomamos o avião para Frankfurt. Hospedamo-nos no Hotel Preussischer Hof, próximo da estação central. À noite passeamos pela Kaiser Strasse – rua muito bonita.
  41. Dia 28/1 – De manhã visitamos o Centro de Telecomunicações, onde almoçamos. Às 15h00 terminou a visita. À noite fui com o Sakanaka e o Tyla a uma taberna.
  42. Dia 29/1 – Saímos rumo a Karlsruhe e de passagem visitamos Heidelberg, cidade que tinha sido poupada na guerra, segundo a históra, porque generais americanos tinham estudado lá. Universidade e um castelo semi destruido por Luiz XIV. Seguimos para Bruchsal onde almoçamos e visitamos a Siemens. Ao sairmos da cidade vimos um limpador de chaminés, naturalmente com cartola. Chegamos a Karlsruhe por volta de 17h00 e nos hospedamos no hotel Hutt, não muito longe do centro. Demos uma volta pela Kaiserstrasse – principal rua da cidade.
  43. Dia 30/1 – De manhã visitamos a Siemens e à tarde visitamos a Universidade de Karlsruhe. Mais tarde fizemos uma reunião e decidimos viajar de Munique a Lisboa de onibus, custaria o mesmo que o trem mas poderiamos dormir em hoteis e passar pela Suíça, e parar onde desejássemos.
  44. Dia 31/1 – Partimos para Ulm às 9h00, com uma temperatura de -15ºC. Passamos por uma parte da Floresta Negra. As 10h00 chegamos a Stuttgart, onde iriamos contratar o onibus para Lisboa. Por questões de taxas elevadas na Espanha (seria pedagio?), resolvemos contratar apenas até Toulouse. À tarde fomos à torre de TV (211 m de altura) – subimos até a plataforma, a 150 m. No solo a temperatura era -6ºC e na plataforma -12ºC. Saímos de Stuttgart às 16h00 e uma hora depois chegamos a Ulm. Hospedamo-nos no Hotel Herzog. Quase todos nós fomos jantar no Cassino Hotel. Lá encontramos o Sr. Gehard – que morou no Brasil durante 7 anos e tinha retornado há pouco para Alemanha. Depois do jantar iríamos para um lugar onde houvesse música mas como só havia música decidimos ir para um bar tipico. Lá o Sr. Gehard nos pagou mais uma rodada de cerveja.
  45. Dia 1/2 - Visitamos a Telefunken – fábrica de valvulas, foi muito interessante. Depois do almoço demos uma volta de ônibus pela cidade, vimos a Catedral Evangélica, o Danúbio. Após esse giro fomos visitar a fabrica de aparelhos de comunicações. Lá encontramos o Renner, T61. À noite íamos ver um baile carnavalesco. O local, pequeno, estava tão cheio que nem todos conseguiram entrar.
  46. Dia 2/2 – Sábado, dia de viagem. Partimos de manhã para München. Ao lado da estrada havia uma igreja para todas as religiões. Chegamos em München mais ou menos às 11h30 e nos hospedamos no Hotel Maria. Às 13h00 fomos visitar o Deutsches Museum – coisa notável. Vimos apenas o setor técnico, assim mesmo sem muito detalhe. À noite todos, exceto o Hartmann, fomos à cervejaria Hofbräuhauss. Eu, Takazi e Dib voltamos à meia noite. Noite gelada e ninguém na rua. Na neve, de mais ou menos 40 cm de altura, escrevi minhas iniciais com a cerveja quente que saiu de minha bexiga.
  47. Dia 3/2 – dia livre. De manhã saí com o Takazi. Depois fui à estação encontrar-me com o Alcindo que partia para Paris e com o Hans que vinha de Nüremberg. Levei o Hans até o hotel e saímos procurando a turma. Encontramos o grupo todo procurando algum lugar onde houvesse carnaval. Não encontramos. Então o Hans, Dib, Fernando Walter e eu voltamos para o hotel. Bem na frente havia um bar com festa de carnaval.
  48. Dia 4/2 – Visitamos a Siemens, onde almoçamos. À tarde visitamos a Universidade Técnica, divisão de eletrônica. Conclusão: O ITA é muito bom! A noite fomos jantar no Mathaser, onde o Prof. Casignol comeu carpaccio (foi a primeira vez que vi alguem comendo carne crua – e achei muito estranho).
  49. Dia 5/2 – Saímos do hotel prontos para viajar para Zurique. Visitamos a empresa Rohde&Schwartz (fabricante de equipamentos de medição), almoçamos e às 13h00 partimos para a Suíça. Passamos por vários localidades, aldeias: Landsberg, Kemplen, Lindau, Meersburg, Lago Constança (onde a agua estava congelada e o barco de travessia quebrava o gelo e ia muito lentamente). Terminada a travessia estavamos deixando a Alemanha. Em seguida passamos por Ritentur e logo chegamos a Zurique – eram 20h00 - e nos hospedamos no Hotel Trumpy.
  50. Dia 6/2 – Partimos às 7h05 para Berna, Genebra e Lyon. Chegamos em Berna às 9h40 e vimos uma rua onde todas as casas têm arcadas na frente e no centro da cidade vimos uma série de estátuas de cavaleiros da Idade Média. Saímos às 10h20, paramos num local à beira da estrada para um café e no trajeto passamos por Murten, Payerne, Moudon, Lausanne, de onde seguimos pela margem do lago Leman, chegamos a Genebra às 14h00. Almoçamos no restaurante Casanova e partimos por volta das 16h00, em direção a Valence, porque a estrada para Lyon estava em más condições. Logo depois de nossa saída cruzamos a fronteira com a França. Por volta das 17h00 passamos por Annecy, e pouco depois por Aix-les-Bains (região muito bonita, com montanhas e lagos). No alto de uma elevação havia uma estatua do Cristo. Às 17h55 passamos por Chambery, depois passamos vários vilarejos. A noite estava clara, a lua já estava elevada e o céu muito limpo. Via-se neve nos topos das montanhas. Às 20h10 passamos por Romans e 25 minutos depois chegamos a Valence. Via-se que os franceses usavam sobretudo, mas a temperatura estava + 6ºC, não estava frio, para os padrões de onde estávamos vindo. Hospedamo-nos no Hotel D’Angleterre.
  51. Dia 7/2 – Às 7h00 partimos para Toulouse. No chão não havia senão neve muito velha, em pequena quantidade. Passamos por Nougat e percorremos o vale do Rio Rhône. De um lado tinhamos o Maciço Central e do outro o Pré-Alps. Logo após Pont St. Esprit deixamos o vale e tomamos rumo oeste. Passamos por Bagnols sûr Ceze, Nimes (La Rome Française – onde ainda existem arenas romanas) e Mont Pellier – onde todo mundo comprou pão, salames e frutas para um lanche no ônibus. Ao meio dia passamos pelo porto de Sète e a partir daí beiramos o mar Mediterrâneo por cerca meia hora. Passamos por Narbonne – onde paramos para um café – e depois Carcassonne - cidade medieval, muito bem preservada, cercada por muralhas, onde visitamos o Castelo e a Catedral de São Lázaro. Partimos às 16h30 e só paramos em Toulouse às 18h15. Fomos para o Hotel Capoul onde encontramos os Aeronáuticos. Fomos jantar no Refeitório Universitario. Quando chegamos o restaurante já estava cheio, havia poucas mesas vazias. Formamos uma fila comprida e começamos a nos servir, quando começou uma gritaria enorme. Demorou algum tempo até entendermos o que ocorria. Todos os franceses gritavam “Chapeaux! Chapeaux! Chapeaux! Chapeaux! ...” até que um de nós (parece-me que foi o Homem de Mello) olhou para trás e disse: “É chapeu! Tem alguem de cha... É o Santo!” . O Santo Casali era um dos ultimos da fila e havia esquecido de tirar o chapeu ao entrar no refeitório.
  52. Dia 8/2 – Logo cedo fomos visitar a Sud Aviation. Ficamos maravilhados com uma fresadora que estava usinando uma peça do avião supersônico Concord. Funcionava com um programa. Era a primeira vez que viamos uma máquina ferramenta totalmente programável. Na Sud Aviation almoçamos o melhor almoço da viagem. Compensou o jantar universitario da noite anterior.
  53. Roteiro de volta; mapa elaborado pelo Amadeu
    Dia 9/2 – Sábado, dia de viagem. Os Aeronáuticos partiram muito cedo. Eu e o Takazi visitamos a Catedral de Saint Etiènne. Partimos de trem, rumo a Lisboa, às 13h50. Passamos por Muret, Brussells, Montrejeans, Tarbes, Lourdes, Pau, Puyoo e Bayonne. Durante esse trajeto podiamos ver os Pirineus. Às 19h50 chegamos em Hendaye – última parada na França – e às 20h10 chegamos em Irun, na Espanha, onde reencontramos os Aeronáuticos. Prosseguimos juntos num expresso. Só consegui dormir depois que consertaram o aquecimento do trem.
  54. Dia 10/2 - Aproximadamente às 9h30chegamos a Vilar Formoso, primeira cidade de Portugal. Saimos às 10h00 (9h00 de Portugal). Logo depois passamos por Coimbra e alguem estava com um rádio sintonizado na Radio Club Portuguesa onde ouvimos a noticia: “Chegarão hoje a Lisboa os estudantes brasileiros do ultimo ano de engenharia do Instituto Tecnológico de Aeronautica” – eram 12h45. Chegamos aproximadamente às 16h00. Esperavam-nos o Prof. Varella Cid, o Major Adelmo e alguns estudantes. Havia repórteres também. Fomos hospedados na Residência Lisbonense. Uma parte da turma foi a uma festinha. Eu e o Alcindo fomos à missa. Na Igreja de São Sebastião encontramos o Prof. Fadigas.
  55. Dia 11/2 – Manhã livre. Muitos levamos filmes para revelar, comprar coisas, CORTAR CABELOS e tirar fotografias da cidade. Após o almoço fomos visitar as Oficinas Gerais do Material Aeronáutico. Às 18h00, quando saíamos para o Instituto Nacional do Vinho do Porto, onde seríamos recepcionados, ouvimos notícia de nossa visita pela Radio Nacional. Tomamos muito vinho.
    Às 20h30 fomos jantar no Instituto Superior Técnico, à convite da Associação dos Estudantes. Foi um jantar com fado, batucada e política. Estavam presentes o diretor do IST, o chefe das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico e o Adido Cultural da Embaixada do Brasil.
  56. Dia 12/2 – De manhã buscamos as fotografias – Sakanaka e eu. Depois o grupo todo foi visitar o IST. Ao final fomos comer uma muito gostosa feijoada. Há quanto tempo não comiamos feijão?! À Noite fomos jantar no “Parreirinha” – muito fado e batucada novamente. Entre os fadistas estava a Celeste Rodrigues, irmã da mais famosa fadista portuguesa: Amália Rodrigues. Ao jantar compareceu o Adido Naval da Embaixada Brasileira, com sua filha.
  57. Dia 13/2 – Saímos logo cedo para Coimbra, com passagem por Fátima. Cerca das 11h00 começamos a ver peregrinos na estrada. Quando chegamos em Fatima havia uma multidão – era a celebração do dia 13. Prosseguimos até a Universidade de Coimbra onde chegamos por volta da uma da tarde. Fomos recebidos na Faculdade de Medicina, onde almoçamos. Um grupo de quatro ou cinco estudantes do Coro da Universidade cantaram fados e depois pediram para cantarmos samba. Durante o fado um garçon, já idoso, chorou ao ouvir um que falava da Ilha da Madeira. O Reffinetti e o Isac tambem ficaram emocionados. Depois fomos à reitoria, onde o Reitor da Universidade nos saudou com um bonito discurso. Visitamos sucessivamente a reitoria, a sala de doutoramento (onde não se batem palmas), a capela, a biblioteca (belíssima pela decoração de ouro sobre madeira) e a biblioteca nova. Às 17h40 fomos ao Campo de Aviação – varada do prof. Varela. Saímos de Coimbra às 19h30 e paramos em Alcabarça para um lanche. Chegamos em Lisboa a uma hora da manhã do dia seguinte.
  58. Dia 14/2 – Manhã livre e visita ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Muito boas instalações. Naquele dia estavam testando um modelo da ponte – que depois foi construída – para ligar Lisboa ao Alentejo.
  59. Dia 15/2 – Saímos em grupo para uma volta turística: Cidade Universitaria - Bairro Novo – Bairro Velho – Praça Marquês de Pombal – Zona do Porto – Mercado – Monumento dos Descobrimentos – Torre de Belém – Mosteiro dos Jerónimos – Museu da Marinha – volta pelos bairros periféricos. Depois do almoço era hora de arrumar as malas – o limite de bagagem era 15 kg/pessoa, incluindo o sobretudo.
  60. Dia 16/2 – Sábado – dia de enviar para casa a sobrecarga, pelo correio. À tarde outra volta turistica para Queluz (visitamos o Palacio Nacional, onde nasceu e morreu D.Pedro I, e onde se hospedam convidados importantes. Muito ouro e cristais) – Sintra (Palacio da Vila onde há duas curiosas salas: a de 27 cisnes e a de 127 pegas; Capela que foi Mesquita Moura; Museu do Mosaico Português) - Castelo da Pena construído no Seculo XVIII, porém parece mais antigo devido a sua arquitetura. Muito bonito e com localização explêndida no alto do morro. Já ao anoitecer fomos para Cascais – local de casas modernas à beira mar e de muito barcos. Prosseguimos até Estoril e depois voltamos a Lisboa margeando o mar e o Rio Tejo. Um grupinho, Dib, Takazi, Sakanaka e eu fomos até o aeroporto pesar as malas. Passei raspando os 15 kg, os outros excederam. Chegando ao hotel recebemos informação que a partida seria retardada por 24 horas.
  61. Dia 17/2 – Domingo – dia previsto para o retorno. O tempo estava instável e depois o sol apareceu. Alguns de nós resolvemos ir até o Castelo de São Jorge, que fica no centro da cidade num local alto. Quando procuravamos um ônibus para subir fomos abordados por um senhor que se propôs a nos acompanhar. Ele era piloto do navio “Vera Cruz” e casado com uma filha de japoneses nascida no Brasil. Deduziu que eramos brasileiros por causa do Sakanaka (falando português). Olhando o rio Tejo do alto das muralhas do castelo, resolvemos atravessá-lo e ir a Casillha, por insistência do Ayrton. Voltamos à noite para o hotel.
  62. Dia 18/2 – Agora sim. Hoje vamos. Chegamos ao aeroporto às 5h30. Foi pesada a bagagem de todos. Foi um tal de jogar coisas fora que não parava mais. Por fim, entre todos nós, ficou uma folga de 5 kgs. Ou seja, menos de 1% do total. Às 7h10 levantamos voo com destino a Las Palmas – Ilha do Sal e Brasil. Chegamos a Las Palmas – base espanhola de Gando – aproximadamente às 11h30 . Como descemos do avião e começamos a nos espalhar, o comandante da base arrumou um ônibus para nos levar ao aeroporto civil, para almoçarmos. Depois do almoço soubemos de um vazamento de óleo no motor nº 4 – notado durante o voo; não era o único problema que o avião tinha. Deveríamos pernoitar em Las Palmas. O cônsul do Brasil na ilha foi conectado e veio até o aeroporto para informar que não havia acomodações para 40 pessoas. A solução seria dormir no avião. Foi o que fizemos. À noite alguns de nós fomos a cidade, por sinal muito bonita e movimentada.
  63. Dia 19/2 – Deveríamos ter levantado voo às 7h00, mas o avião não ficou pronto. Diga-se de passagem que desde a saída de Lisboa estávamos sem radar, sem um dos rádios, e que, ao pousar em Las Palmas lá se foi o freio. O pessoal da tripulação só apareceu quando eram quase 10h00, depois do comandante da base ter aparecido nos oferecendo auxilio. Ficamos na expectativa de saírmos ao meio dia, mas nada. O defeito do motor nº 4 havia sido localizado mas não sanado. Já à tardinha fomos informados que novamente pernoitaríamos em Las Palmas. Fomos ao aeroporto civil – onde aproveitei para passar a limpo minhas anotações mais recentes. Quando jantávamos chegou a notícia que partiríamos às 7h00 do dia seguinte. Informaram também que por pouco não voaríamos mais naquele avião, DC-4 2402, pois quando consertaram o motor nº 4, o nº 3 entrou em pane. O comandante estava pronto para pedir outro avião ou propor que esperássemos o avião que voltava de Suez, previsto para o dia 26 ou 27. Na melhor das hipóteses, ou seja, se enviassem outro avião sairíamos no dia 23. Felizmente o Sargento conseguir sanar as panes dos dois motores. Fomos dormir esperançosos.
  64. Dia 20/2 – às 7h00 levantamos vôo, depois de ter tomado um café leve. O plano era ir até a Ilha do Sal, Recife, Rio e talvez São Paulo. Às 12h00 (10h00 na Ilha do Sal), aproximadamente, chegamos à ilha, na qual era possível contar o numero de árvores existentes. O voo havia sido muito bom. Tínhamos duas horas para comer um lanche no boteco próximo da pista de pouso enquanto o avião era reabastecido. Deveríamos sair logo para não pegar frente intertropical à noite, sem radar. Comemos às pressas e subimos a bordo. Já estavamos na cabeceira da pista quando apareceu uma pane nunca antes detetada em qualquer motor. Novamente o nº 3. Ficamos duas horas na expectativa. Sairíamos ou passaríamos o carnaval na Ilha do Sal. Houve quem pensasse em tomar um avião da Panair que faria escala na Iilha às 23h00. Felizmente a falha foi sanada e o comandante resolveu levantar voo, mesmo sem o radar. Eram 14h00 do Brasil, quando partimos. Neste momento são 22h20 e tudo corre bem. Dentro de 1 h ou 1h30 deveremos pousar em Recife. Às 22h40 vimos luzes de uma cidade – provavelmente Natal. Ficamos aliviados porque a partir daí a falta de radar não nos incomodava. Às 23h25 o avião pousou no aeroporto de Guararapes – Recife.
  65. Dia 21/2 – Eram 2h00 da madrugada quando levantamos vôo rumo do Rio de Janeiro. Às 8h25 pousamos no Aeroporto do Galeão. Até carimbar passaporte e fazer declaração de bagagem eram 9h00 e pouco. Tomamos um táxi, eu, Tyla, Dib, Santo e Krepel, para o aeroporto Santos Dumont, pois o DC-4 não iria até São Paulo. Tomaríamos um avião da Ponte Aérea às 10h30. Enquanto esperávamos aproveitamos para nos barbear, trocar pelo menos de camisa. Recebemos então a noticia que o Aeroporto de Congonhas estava interditado. Levantamos voo às 11h00. Eram 12h10 quando chegamos a São Paulo. Somente fiz um telefonema para casa e rumei para a Estação Rodoviária onde, às 13h45 tomei um ônibus para Itapetininga. Cheguei em casa às 17h45. Fim do drama.

Contribuições de outros colegas, referentes aos itens do diário do Amadeu

Contribuição do colega Luiz Pinto aos itens 37 a 41:

Também há alguns detalhes de que não me lembro, o que é natural. Em Köln, eu comprei a minha Voigtländer, que me prestou bons serviços até há não muito tempo. Não lembro se já comentei sobre a confusão que o vendedor fez na hora de pagarmos. O Santo Casali guardava parte do nosso dinheiro pessoal e, por isso, ele iria pagar uma parte do total; me escalaram para dizer isso ao vendedor, em Alemão. Ele não entendeu (provavelmente pensou que queríamos passar-lhe a perna, prometendo pagar “depois”) e deu um sonoro “nein!”. Alguém tentou explicar a ele em Inglês, com o mesmo resultado. No final, ele entendeu. No conjunto, bate com minha lembrança, exceto pela ida a Berlim, pois eu não fui. Enquanto a turma ia a Berlim, eu peguei o trem para ir a Oldenburg, uma cidade pequena para média no extremo norte da Alemanha, visitar a família da ex-namorada (e a própria, é claro). Fui muito bem recebido por todos, inclusive o pai da menina me levou, junto com ela, para assistir a uma peça num teatro local. Depois, peguei o trem e reencontrei a turma na volta de Berlim.


Turma de 1963

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