Um absurdo matemático

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O texto a seguir foi enviado pelo Luis Jesus Kantek y Garcia Navarro da T68

Um absurdo matemático

Iteanos proibidos de participar de evento no ITA - Nós achávamos tão absurdo ocorrer um evento qualquer no ITA e não sermos convidados como absurdo é o Paradoxo Temporal das viagens no tempo ao passado (‘sou avô de mim mesmo’). Reportarei dois fatos dos idos de 1964 que demonstram este teorema.

A festa de São João.

Os militares do CTA resolveram fazer uma festa de São João exclusiva para fardados. Os Iteanos não foram convidados. (era 64, a época do regime militar...). Ficamos fulos! Não que quiséssemos ir, pois havia prova no dia seguinte e era necessário muito gagá, mas era o princípio filosófico que estava sendo desrespeitado.

Soubemos (não existia na época a consciência ecológica de hoje) que iriam soltar um belo balão. Compramos umas caixas de rojões e nos escondemos na escuridão da noite ao redor da festança. No momento que o aeróstato começou a subir, partiram não se sabe oficialmente de onde, inúmeros rojões acesos, em sua direção. Com o balão perfurado pelas explosões, o ar quente saiu e o artefato se precipitou no chão.

Os autores dos disparos correram, na escuridão, em todas as direções, como ocorre com uma chusma de camundongos quando o gato cai por cima. Em alguns instantes todos estavam com os livros abertos, no H-8 em pleno gagá.

Houve uma tentativa de inquérito policial-militar, mas algum coronel, com bom senso, mandou esquecer o evento.

O banheiro no qual ninguém entra e só sai gente (descontínuo do tempo-espaço)

Não lembro se foi a Rhodia ou outra empresa qualquer do ramo, no Vale do Paraíba, que alugou o H-13 para o lançamento de uma nova fibra sintética. Após o jantar, fomos convidados a abandonar o H-13 que foi fechado e uma legião de decoradores da empresa preparou o show.

Mais tarde a ‘high society’ Joseense, de Jacareí e outras cidades dos arredores começou a chegar, todos engalanados de fraque, ternos escuros e vistosos vestidos longos.

Resolvemos entrar nem que fosse para sair depois. Não tínhamos interesse em trocar um substancial e proveitoso gagá por uma festa mundana. Mas era o princípio filosófico que estava em jogo. Fomos ao H8, pusemos nosso melhor terno e gravata (para a maioria era o único terno). Voltamos ao H-13, colocamos uma escada que dava para a janela do banheiro. Era em local que não estava nem iluminado nem dava à vista. Começamos a entrar pela janela. Caíamos no meio do BWC, arrumávamos o desalinho provocado pela entrada e saíamos do banheiro com ares de triunfo. Alguns veteranos, já com namorada firme, se aproximaram das mesas onde estavam as respectivas famílias e aproveitaram da festa. A maioria, apenas saboreou o triunfo e saiu dignamente pela porta.

Em certo momento, um fiscal da promotora da festa estranhou porque saía tanta gente do banheiro se ninguém entrava. E foi conferir.

Foi um ‘Deus-nos-acuda’. Teve um iteano que ficou preso na janela. Os demais entraram nos boxes e fecharam a trava. Foram chamados os soldados da aeronáutica que faziam a guarda do evento (com os quais mantínhamos bom relacionamento, e que até o momento, estavam ‘fechando-os-olhos’). Estes tiraram a escada e pediram, por favor, para não insistirmos no truque, pois teriam que tomar providências mais severas.

Nós estávamos satisfeitos. Fomos meter-gagá.

Luis Kantek (Vapapoli)


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