Vinicius Vieira Alves

De wikITA

Depoimento

A primeira vez que ouvi falar do ITA foi da oitava série para o 1 ano do ensino médio. Nessa época, não tinha a menor noção de quão trabalhoso seria passar nesse vestibular.

Durante o ensino médio tive maior contato com as questões do ITA e percebi que iam um pouco além daquilo que normalmente aprendia. Comecei, então, a estudar para o ITA na metade do segundo ano. Mas sem muita instrução, cheguei ao meu 3 ano com varias deficiências e não passei na minha primeira tentativa. Não fiquei muito abalado com isso porque sabia que seria difícil passar naquele ano (2009).

Decidir entre fazer um ano de cursinho ou ir para a USP cursar eng. Aeronáutica foi difícil, mas, apesar de muitos me aconselharem a deixar a idéia de passar no ITA, optei por tentar mais um ano.

O ano de 2010 foi bastante difícil. Ficar longe da família e deixar os amigos não foram experiências muito legais (o que não quer dizer que não trouxeram benefícios). Estudei muito, varei noites e dormi pouco (o que eu acho que foi um erro). Nesse ano, passei no IME e fiquei muito feliz por isso e o bom resultado me deu confiança para enfrentar o ITA, eu sabia que era capaz. E então veio o vestibular do ITA, fui muito mal na prova de física logo no primeiro dia e fiquei arrasado. Em português, que costumava ir bem, também não consegui uma nota boa. Já nas provas de matemática e química, fui bem. Resultado: não passei. Acho que foi um dos piores dias da minha vida, fiquei muito abalado e me sentia muito mal. A grande maioria dos meus amigos já estava na faculdade e eu não. Havia, ainda, a possibilidade de ir para o IME e cheguei a fazer os exames que eles pediam e tal. Mas pensando melhor, percebi que o que queria mesmo era entrar no ITA. Mais uma vez enfrentei algumas pessoas que me diziam para desistir e decidi fazer outro ano de cursinho. Analisando agora, acho que um dos principais motivos do fracasso em 2010 foi o fato de não saber lidar com um tropeço em meio à maratona de provas do vestibular. Quando saí da prova de física, eu tinha certeza de que não ia passar e de que estava acabado. Não tive maturidade suficiente para lidar com esse problema e ele me prejudicou nos testes que seguiam. Quando liguei para o ITA fiquei sabendo que física e português haviam me tirado do vestibular.

Começou, então, 2011, o ano que se tornou o melhor de todos no seu antepenúltimo dia. Cheguei ao cursinho normal: nem animado e nem triste. Estudei muito esse ano, aprendi inúmeras coisas novas e fiz vários amigos. 2011 foi importante para eu aprender a me controlar durante a prova e a confiar mais em mim porque sempre ficava muito nervoso com testes (ainda fico). O principal ganho durante o ano foi maturidade. Seguia as orientações dos professores, fazia todas as listas e “tarefas” e tentava equilibrar meus estudos. Também não foi um ano muito alegre. Várias vezes eu pensava o que faria se não conseguisse, como eu iria me sentir e o que diriam os que acreditavam em mim. Mas ainda bem que sempre tive amigos que me ajudavam. Fiz todos os simulados e me dediquei bastante aos estudos. Então chegou a prova do IME e no primeiro dia foi a prova de matemática, com 2 horas de prova eu tinha feito uma questão apenas e tava fazendo a segunda. Naquele momento eu estava em pânico, pensando que não ia conseguir. Foi a mesma situação da prova de física do ITA do ano anterior. Mas dessa vez eu consegui virar o jogo e acabei passando no IME. Fiquei muito feliz por isso, mas a alegria durou pouco e logo voltei a focar no ITA. Então chegou a semana tão esperada: a do vestibular do ITA. Tudo correu bem na prova de física e me sai bem, em português fui mais ou menos, na prova de matemática consegui tirar uma boa nota e veio a prova de química. Achei a prova de química muito complicada e não me dei muito bem. Saí achando que não ia passar e mais uma vez meus amigos foram importantes para me animar. A espera pelo resultado foi uma das mais longas e angustiantes, fazia e refazia a minha média na calculadora toda hora. No dia 29, por volta de 2:40 da tarde, estava assistindo um filme quando o telefone tocou. Passou pela minha cabeça que poderia ser o resultado, mas sabia que era só no dia 30. Corri para atender mas minha irmã chegou primeiro. Quando ela me chamou já fiquei gelado. Quando a mulher disse que era do ITA eu comecei a tremer e então ela falou que eu tinha sido aprovado. Isso é indescritível. Uma sensação de alivio muito grande.

Quanto à rotina de estudos, acredito que cada um faz a sua. No meu caso, acordava 7 da manhã e estudava até o almoço. Depois ia para o cursinho para assistir as aulas. Nas horas restantes até meia noite eu terminava meu estudo. Usei basicamente o material fornecido pelo curso, mas fiz um pouco do Renato brito e do morgado de combinatória. Acho que não é bom fazer maluquices como dormir pouco para estudar mais ou aloprar em algumas matérias, o equilíbrio nos estudos e a constância são muito importantes.

Sou grato a muitas pessoas que me apoiaram e me incentivaram nessa jornada. Agradeço a minha família, que sempre me estimulou, e a Deus. Agradeço, também, aos meus professores que me ajudaram muito mesmo. E não posso esquecer os meus amigos que me deram muita força e me ajudaram muito, porque ninguém entra no ITA sozinho e amizades são incrivelmente importantes.

Penso que se você tem um sonho deve tentar alcançá-lo e, assim, é inevitável que ele se realize.

Como disse um professor, quem passa no ITA não é aquele que não tropeça ao longo da maratona das provas, mas aquele que logo se levanta e acredita na vitória.

Espero ter ajudado os que ainda não passaram da mesma maneira como os depoimentos dos anos anteriores me motivaram e me deram esperança.


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