Virson Bérgamo

De wikITA

Bimotor que caiu vinha de Bom Jesus da Lapa.


Faltavam dez minutos para as cinco da tarde de 23 de novembro de 2001 quando funcionários da torre de comando do Aeroporto Internacional de Brasília receberam a notícia de que um avião tinha dificuldades para pousar. Pai e filho vinham de Bom Jesus da Lapa (BA), no bimotor modelo Embraer 820 com prefixo PT-RAZ, e tentavam controlar o avião para pousar na cabeceira da pista (sentido Lago Sul-aeroporto).

Não conseguiram. Antes de chegar à pista, o avião passou a poucos metros da guarita do VI Comando Aéreo Regional (Comar) já fora de controle, assustando alguns soldados. Bateu no solo e capotou. A queda aconteceu a 80 metros de distância da chamada zona de toque, o local do pouso. Com o acidente, pousos e decolagens foram suspensos durante trinta minutos por questões de segurança. Não houve pânico, as pessoas que circulavam no aeroporto não souberam do acidente.

No caminho para Brasília, um dos motores do avião tipo Navajo — capacidade para oito passageiros — falhou. Virson Bérgamo, 57 anos, o pai, pilotava o avião para fazer um pouso de emergência. Ao lado, o filho, Everson Alexandre Balhesteves Bérgamo, 34.

A sorte que pai e filho não tiveram ao tentar pousar o avião, apareceu na hora do socorro. Por acaso, um helicóptero da Polícia Civil sobrevoava o local e levou os feridos para o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Virson, 57, que teve trauma toráxico — os médicos suspeitavam também de traumatismo craniano —, saiu andando do bimotor. Apesar dos ferimentos, chegou consciente ao HBDF.

O filho estava em situação pior. Até o fechamento desta edição, Everson corria risco de vida. Ele foi submetido a uma laparotomia exploratória — procedimento que abre o abdômen para avaliar quais os órgãos que foram atingidos. Havia suspeita de rompimento do intestino. Ao mesmo tempo, o pai fazia exames radiológicos e neurológicos.

Enquanto pai e filho lutavam pela vida, oficiais do Serviço Regional de Aviação Civil (Serac) da Aeronáutica iniciavam a investigação das causas do acidente. As bagagens de Virson e Everson foram levadas para a sala de Raimundo Costa Ferreira Neto, supervisor da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).

Mesmo exausto depois da operação de socorro, Ferreira Neto ainda foi capaz de tranqüilizar os familiares de Virson e Everson. Eles ligavam a todo momento de São José dos Campos (SP), nos próprios telefones das vítimas, recuperados no que sobrou do avião.

O bimotor, aliás, teve perda total, em um acidente considerado grave pelo coronel Antonio Junqueira, chefe do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). A investigação das causas do acidente será feita pelo Serac.


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