Wolney Ramos Ribeiro

De wikITA

Resumo biográfico, escrito por seu genro Mauro Hirdes (AER-82) e publicado n'O Suplemento #90:

Mineiro de Sacramento, chegou na cidade de São Paulo aos 10 anos, para estudar. Vivendo com uma tia, precisou trabalhar para sustentar seus estudos. Ainda adolescente, sua experiência em pular de uma mangueira ao mergulhar no rio Borá, de sua cidade, lhe valeu o convite para praticar saltos ornamentais e depois também remo no Clube Tietê.

Pragmático, trocou a possível profissão de médico pela de engenheiro, já que o ITA era a única escola que dava moradia, alimentação e dinheiro para se manter. Ingressou em 1953, convivendo com todos os ícones da época, sendo até o fim de sua vida um fã do Marechal Montenegro e do Prof. Lacaz Netto.

Como aluno se destacou nos esportes, sendo titular de todas as equipes esportivas do ITA, exceto no basquete, onde sua altura lhe obrigava a aceitar o banco de reservas. Sua experiência em saltos ornamentais o ajudou a se tornar campeão paulista universitário em salto com vara, esporte que na época era praticado sem colchão e com vara de bambu reforçada com esparadrapo, e que às vezes se quebrava durante a competição. Foi também jogador de futebol do time profissional do São José Esporte Clube.

Ao se formar em Aerovias, foi convidado pelo lendário Brigadeiro Camarão para trabalhar na Aeronáutica em Belém do Pará, para onde se transferiu e viveu por 20 anos junto com a esposa. Como chefe de engenharia construiu algumas centenas pistas de pouso na Amazônia, a maioria de terra, tornando-se um grande especialista em terraplenagem. Nesta época, voando por toda a Amazônia em companhia do Brig. Camarão, sofreu três acidentes graves, sendo que em um deles a família chegou a ser comunicada de sua morte.

Em Belém também esteve envolvido nos esportes, tendo sido jogador de vôlei da seleção principal paraense. Finalmente, iniciou-se no tênis, esporte que por mais de 40 anos jogou diariamente com sua esposa, formando uma dupla mista imbatível.

Em 1977, aceitou um convite para assumir no ITA a cadeira de terraplenagem no iniciante curso de infra-estrutura. Em pouco tempo tornou-se famoso entre os alunos como organizador da equipe da PEA (professores e ex-alunos) nas Olimpíadas Internas do ITA. Todos os alunos esportistas da época, desde o esporte mais aeróbico até o xadrez, passaram a temer a sua equipe. Em todos os anos em que esteve à frente da PEA, esta só perdeu uma OI, provavelmente por obra de “cartolagem” dos alunos.

Todos da família sabiam que em época de OI e de Inferninho não podiam arrumar nenhum compromisso para ele fora do ITA. E aí aparece o lado menos conhecido do Prof. Wolney - a sua paixão pelos alunos. Várias vezes recusou importantes cargos administrativos no ITA para ter liberdade de interferir em prol dos alunos frente ao ITA e ao CTA. Nas comissões do Inferninho, que analisava o desligamento de alunos com problemas de desempenho, lutava para que tivessem sempre uma nova chance. Em outros casos, brigou para que alunos aprovados no vestibular, mas que devido a problemas físicos não poderiam participar do CPOR, fossem admitidos.

Prof. Wolney foi aposentado compulsoriamente em 2003 ao chegar os 70 anos de idade, saindo do ITA e o CTA, locais que jamais abandonaria por vontade própria.

Mauro Hirdes

Em 03/11/2003, data da passagem do seu septuagésimo aniversário, o professor Wolney recebeu a homenagem de seus colegas da INFRA, que contaram ainda com a presença do reitor, vice-reitor, diretor administrativo, chefes, professores, funcionários e alunos. Na placa que lhe foi entregue, tendo ao fundo o símbolo da Infra, constavam os dizeres:

  • Ao professor Wolney,
    • exemplo de idealismo e dedicação,
    • nosso reconhecimento para sempre.
      • Dos amigos da Infra.

Foi também ofertado um chaveiro representando, simbolicamente, o seu acesso ao escritório que será mantido para seu usufruto, por tempo indeterminado. O reitor, professor Michal, recomendou que fossem envidados esforços para que o professor Wolney continuasse à frente da coordenação esportiva de nossa instituição e que sua história pudesse passar para o papel a fim de ser preservada e disseminada.

Em 12/12/2003, recebeu a Medalha do Mérito da Engenharia Militar. A cerimônia contou com a participação de diversas autoridades civis e militares e ocorreu nos salões do IME, na cidade do Rio de Janeiro.

Faleceu em 15 de Novembro de 2009.

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